Mauro detona declarações repetitivas do Presidente do Flamengo.

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Presidente do Flamengo com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e em convocação da seleção – Foto: Reprodução

ESPN: Por Mauro Cezar Pereira

Eduardo
Bandeira de Mello é o presidente de uma gestão indiscutível no plano
econômico/financeiro do Flamengo. Leva méritos em alguns casos além da conta,
pois nada faria sem os muitos que participam, ou participaram, desta revolução
rubro-negra. Como ocupa o cargo maior, é quem ganha a maioria dos confetes.

Consequentemente
está mais vulnerável às críticas, embora nem sempre reaja bem diante delas,
seja de torcedores, com os quais já bateu boca, ou jornalistas que lhe façam
perguntas pertinentes, mas desconfortáveis. Jornalistas que
agem como jornalistas, não como assessores.
Mas é
um homem sério, normalmente educado, ponderado, e honesto, disso ninguém
duvida. Tem perfil político, dizem até que pensa em se candidatar a algo fora
do clube no futuro (sua assessoria afirma que não). Bandeira desenvolveu
prestígio com a torcida, merece elogios por motivos vários, mas não está acima
do bem e do mal.
Semana
passada, sua aparição ao lado da ex-presidente Patrícia Amorim na coletiva com
o prefeito Marcelo Crivella foi mais chocante para muitos do que o
surpreendente. Na gestão de sua antecessora a dívida do Flamengo disparou.
E ela
deixou heranças, como o caro duelo na justiça do trabalho com Ronaldinho
Gaúcho. Se a ex-presidente, subsecretária de esportes do Rio de Janeiro,
eventualmente ajudou nos bastidores pelo apoio do prefeito ao projeto de
estádio na Gávea, um muito obrigado seria o bastante.
Não
para o político Bandeira, que a aceitou à mesa. O mesmo que topou convite para
chefiar delegação da CBF, recuou, mas ainda assim viajou aos Estados Unidos
atrás dela em 2015. Isso após seu surpreendente surgimento na cadeira de Marco
Polo Del Nero, entre Dunga e Gilmar Rinaldi. Melhor para Amorim, destacada ao
lado do atual presidente até no site do Flamengo.
Habituado
a aparições de viés político, Bandeira costuma ser evasivo quando as coisas não
vão bem no futebol. Em geral diz que confia no trabalho das pessoas etc. Faz
bem em confiar, mas presidente do Flamengo também precisa comandar, decidir e
em alguns casos interferir. Com firmeza, conhecimento e convicção.
A
eliminação da Copa Libertadores engrossa a lista de vexames internacionais do
clube neste século – clique aqui e leia post de 2016. Na atual gestão, a queda
para o San Lorenzo é o segundo papelão além fronteiras, depois de ser
desclassificado da Sul-americana pelo pequenino Palestino, do Chile, ano
passado.
A
reação presidencial após a eliminação, consequência da terceira derrota em três
jogos fora do Rio de Janeiro, foi de uma naturalidade inacreditável. E tratar
tal resultado como se fosse repara-lo com o mesmo “remédio” indicado
após um tropeço nas primeiras rodadas da Taça Rio, algo desproporcional ao
desastre.
Justo
que não quisesse tomar decisões precipitadas, ser contra demissões no estilo
bode expiatório, procurar ganhar tempo para não errar, como fez o time. Ah, e
degolar Zé Ricardo é ideia absurda. Mas ao menos uma satisfação ao torcedor
seria necessária.
Poderia
ser até um pedido de desculpas à “Nação”. Com a promessa de revirar
pelo avesso o futebol do Flamengo o quanto antes, para detectar onde foram
cometidos os erros que levaram a mais uma desclassificação. Será que Bandeira
imaginava o torcedor indo dormir satisfeito só por saber que ele confia em quem
contratou?
O
presidente do Flamengo parece sentir-se mais à vontade em meio aos deputados e
senadores em Brasília, como na aprovação do Profut, ou ao lado do prefeito e
integrantes de seu secretariado. No futebol, como um peixe fora d’água, não
conseguiu dimensionar a vergonha internacional pela qual o clube passa mais uma
vez.
Ao
falar com jornalistas no Nuevo Gasometro, aparentemente não sabia o que fazer,
em consequência não parecia ter ideia de como proceder diante do fato. O jeito
foi tratar a eliminação na Libertadores como se fosse apenas um 0 a 0 com o
Bangu numa quarta-feira à noite em Volta Redonda.
Diante
de respostas evasivas, que não atendem às expectativas de quem busca informação
e daqueles que a consomem (leitores, ouvintes, internautas, telespectadores), a
função do jornalista é perguntar outra vez. E quantas forem
possíveis/necessárias. Se nem assim o entrevistado responde adequadamente, o
julgamento é de quem, do outro lado, espera ouvir algo que faça sentido. No
caso os torcedores do Flamengo, que tiveram de se contentar com uma espécie de
reprise de tantas outras entrevistas ocas de seu presidente.

ingênuos caem na velha estratégia do “quem está contra mim, está contra o
clube”. Outros dirigentes, e de estilo “Raposa”, já apelaram
para isso antes, como Bandeira fez ao se referir a sabe-se-lá quem como
“falsos rubro-negros” que estariam no Twitter, rede social da qual
ele já recebeu troféu (veja vídeo abaixo). Da Conmebol segue sem levantar taça.
O
Flamengo melhorou demais administrativamente nos últimos anos. Mas ao contrário
do que alguns parecem crer, não foi fundado em 2013, quando a atual gestão
começou. E o cargo de presidente não concede poderes a cartola algum para
chancelar quem é, ou não, torcedor daquele clube.
Mas o
coloca na linha de frente quando as coisas vão mal. Então precisa encarar a
imprensa, não as carícias da TV oficial. Ali, o repórter é mero intermediário
entre o dirigente e a torcida, cujo sofrimento após novo vexame não tem nada de
falso. Ele é bem verdadeiro.

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