Medidas impopulares.

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Foto: Divulgação

PAPO
DA NAÇÃO
: Há 36 anos, o esquadrão imortal da Nação Rubro-Negra, após uma
campanha marcada por muita superação, garra e raça – quiçá uma das mais belas
campanhas da nossa gloriosa história –, chegava ao topo da América conquistando
a Copa Libertadores da América. Sendo esta a grande obsessão do torcedor
sul-americano, óbvio que sua torcida clamou, por anos seguintes, sua conquista.
Na teoria, de uns tempos pra cá, a Libertadores virou o torneio para qual a
esmagadora maioria dos planejamentos são voltados: é o campeonato que faz com
que reservas sejam escalados em jogos de outros campeonatos avulsos.

Mas em
2017, ainda nos saboreamos com vídeos da magistral cobrança de Zico na final,
das consequências do belíssimo soco de Anselmo em Mario Soto e até do
antológico e da polêmica partida a qual a justiça prevaleceu sem podermos gabar
uma segunda conquista, de outros momentos que causaram na torcida tanto
alvoroço quanto os citados. O que deu errado? O que aconteceu, ao longo de
todas as participações rubro-negras no torneio continental, que impediu o bi?
Não
cabe a esse post propor estudos aprofundados que explorem os motivos pela qual
não ganhamos títulos em outras participações.
Não
penso ser justo tentar definir um motivo em específico e atribui-lo a todas as
temporadas que fomos eliminados. Ainda tínhamos um grandioso time em 1982, mas
nossa eliminação em pleno Maracanã surpreendeu até os membros do quadro do
campeão Peñarol. Talvez o planejamento não tenha sido o ideal e o time montado
para 2002 não foi exatamente um timaço. Sei que muitos torcedores, assim como
eu, engolem até hoje os dois pênaltis não marcados para o Fla no jogo da volta
contra o Defensor em 2007.
Mas
cabe à esse texto causar uma reflexão baseada em indagações que, ao meu ver,
não fazem sentido. Pense comigo: o que acontece se um governo implementa uma
medida que vai totalmente contra a ideologia da maioria da população? Este, de
certo, sofrerá protestos e manifestações. Quer dizer, nos preceitos da
democracia que moldam alguma parte das nações do mundo, é relativamente
improvável que casualidades assim aconteçam. Mas o Brasil é sempre esse caso à
parte e a história, no mínimo, “movimentada” da nossa democracia, o que se tem,
no meu ver, são pessoas no governo que tem demonstrado uma ideia contrária à
que a maioria da população creditou. Esse conflito de ideais gerou recentes
manifestações ao redor do país. E digo que ideais contrários são vislumbrados
no restante do mundo: em plesbicito, suíços rejeitaram a criação de um salário
mínimo a todos os cidadãos. Se o governo suíço, por ventura, ignorasse
completamente seu povo, seus ideais e criasse um salário mínimo, será que não
haveria o mínimo de protestos?
E bem,
não é difícil reparar que, apesar das eleições presidenciais do Flamengo e dos
clubes brasileiros não serem abertas a todos, os que estão lá em cima
representam 40 milhões ao redor do mundo. E quando uma boa parte desses 40
milhões possui uma crença, uma ideologia enraizada em seus superegos, não é
difícil pensar que isso acaba afetando o clima nos treinos, o direcionamento de
planejamentos. A torcida flamenga é intimidadora por si só. E ela tem um poder
já evidenciado diversas vezes (sendo o caso mais como a pressão em cima de
determinado jogador, causando sua saída do clube). Penso eu que a diretoria
queria mais é enxergar o Carioca como um torneio sub-20. Mas além das questões
contratuais com emissoras e patrocinadoras, como driblar a torcida, a qual a
parte mais velha cresceu querendo, anualmente, recuperar o sentimento de
nostalgia com um campeonato que, de fato, por um tempo foi charmoso, mas que
provavelmente não recuperará sua magia tão cedo? Isso é tão difícil quanto
Doris Leuthard querer colocar um franco na mão de cada suíço. A pressão
popular, em ambos os casos, talvez torne tudo mais difícil.
Mudar
uma ideologia de determinados grupos sociais nunca é fácil. Mas é importante
expor minha opinião e defende-la (e contar com o amparo de pessoas dos meios
jornalísticos mais influentes com visões semelhantes para propaga-la): o
Campeonato Carioca, assim como os Campeonatos Estaduais do Brasil, perderam seu
valor e simplesmente atrapalham a modernização do futebol brasileiro que
poderia começar com uma revisão total de seu calendário. Virou pré-temporada.
Ganhar clássico, zoar aquele amigo pelo WhatsApp e derrubar técnico,
aparentemente, são o que os Campeonatos Estaduais têm a oferecer. E em um
momento que se disputam dois campeonatos de uma vez só, uma hora você vai ter
que acabar optando por um ou outro.
Não
estou dizendo para banalizar completamente as finais contra o Fluminense. A
raça, a paixão precisam estar presentes sempre em qualquer partida do Flamengo,
de qualquer categoria ou modalidade. Até porque é um jogo que moleques dariam a
vida para mostrar serviço. O que acontece é que o FlaFlu desse domingo não é o
jogo mais decisivo da temporada e faz parte de um campeonato que perdeu
totalmente seu porquê.
Gabriel
Salotti

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