Ministério do Esporte não pagará por biometria nos estádios.

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Foto: Guilherme Leporace

O
GLOBO
: As ações contra a violência nos estádios e fora deles esbarram em um
ciclo contínuo de desrespeito ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC),
assinado em 2011 por autoridades e torcidas organizadas.

Ainda
que a Justiça venha a ser favorável à ação civil pública com pedido liminar
enviado pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) na última semana, que
determina a instalação de biometria nas catracas dos estádios do Rio, o
Ministério dos Esportes avisou que não poderá pagar.
A
biometria serviria para impedir a entrada nos estádios de torcedores ou até
mesmo facções inteiras punidas com o afastamento das partidas, como é o caso da
Torcida Jovem do Flamengo, impedida por três anos.
Para
que a medida seja possível, os cadastros de todas as torcidas do Rio têm que
estar atualizados. Por determinação do TAC, o cadastro deveria ser realizado,
naquela época, em até 120 dias, por meio eletrônico. Ao ministério caberia
oferecer programa de computador e pessoal para fazer o cadastramento digital,
inclusive o biométrico. Isso jamais aconteceu.
A
medida, que será julgada em breve, começaria no Brasileiro e não afetaria o
torcedor em geral, apenas os integrantes de organizadas já previamente punidos
com o impedimento de acesso aos estádios. O MP espera ter o apoio dos clubes,
da CBF e da Federação do Rio.
O
problema é que as torcidas apresentaram um cadastro irrisório ao MP diante da
quantidade de seus integrantes.
TORCIDA JOVEM DO FLA: 151 CADASTRADOS
O
Panorama Esportivo conversou com o diretor cultural da Torcida Jovem do
Flamengo, Marcos Wilson. A torcida recebeu em abril uma punição liminar de três
anos, de acordo com o Estatuto do Torcedor. O cadastro de torcedores da Jovem,
enviado ao MP, tem apenas 151 integrantes.
– O Ministério
do Esporte não fez a sua parte no TAC. Nenhuma torcida recebeu equipamento ou
pessoal desde 2011. Não dá para atualizar o cadastro se não temos o software.
Para fazermos carteiras, cadastramos e imprimimos, mas os dados não ficam salvo
na máquina que nós compramos e pediremos ao ministério o reembolso – disse
Wilson.
Todos
os documentos da torcida estão, agora, na posse dos investigadores da Polícia
Civil que atuam no caso do assassinato de Diego Silva dos Santos, torcedor do
Botafogo, vítima de um confronto com rubro-negros nos arredores do Engenhão
durante o Campeonato Carioca deste ano.
O blog
apurou que, ao longo dos anos, desde que Aldo Rebelo era ministro dos Esportes,
a pasta foi mudando de ideia diante da crise econômica. Certos de que não
teriam verba suficiente para bancar os programas e a mão de obra, assim como a
instalação de biometria, que se propuseram a fazer ao assinarem o TAC, os
técnicos do ministério decidiram apostar na conscientização, com a realização
de seminários e etc. Medida mais barata, mas nem sempre eficiente.
Oficialmente,
esta é a posição do ME, em nota:
“O
Ministério do Esporte tem proposto ações e realizado campanhas para estimular o
combate à violência no futebol, além de atuar como agente facilitador e aglutinador
dos entes envolvidos no processo de cadastramento das torcidas organizadas. O
ministério segue à disposição das instituições para, dentro de sua atribuição
institucional, seguir o debate qualificado para a evolução do futebol no
Brasil”.

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