No finzinho, Flamengo se vinga do Fluminense 22 anos depois.

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Rodinei comemorando gol do título Carioca 2017 do Flamengo contra o Fluminense – Foto: Gilvan de Souza

RODRIGO
MATTOS
: Há vinganças no futebol que demoram. Em uma rivalidade que já dura mais
de um século: o Flamengo esperou 22 anos para se vingar do Fluminense pelo gol
de barriga de Renato Gaúcho. E devolveu a derrota na final com uma virada
suada, e com gols nos últimos minutos, como naquela decisão de 1995. Uma
reviravolta que, diga-se, fez justiça ao domínio rubro-negro nas duas decisões.

A
vantagem de empate do Flamengo se esvaiu tão cedo que foi como se não tivesse
existido. Mais uma falha da defesa rubro-negra na bola permitiu o desvio no
primeiro pau e a conclusão de Henrique Dourado para o gol. Seria um novo
Fluminense nesta segunda final em relação ao dominado no primeiro jogo?
Bem, a
postura tricolor era mais agressiva com marcação na saída de bola e mais
presença na frente. Mas a verdade é que, logo em seguida, o Flamengo se tornou
dominante como ocorrera no primeiro encontro. A armação escolhida por Zé
Ricardo com Trauco no meio e Renê na lateral dava superioridade ao time
rubro-negro tanto ao bloquear os ponteiros rivais quanto por ter três homens no
setor esquerdo do ataque.
O
Flamengo, no entanto, não era tão incisivo quanto no primeiro jogo, e nem a
zaga do Fluminense era tão vacilante. Como resultado, o time tricolor manteve a
vantagem na etapa apesar de ser ver ameaçado pelo menos em uma chance clara de
Éverton.
De
volta, as armações dos times eram iguais, mas o jogo mudou. Além da bola aérea,
o Flamengo passou a se expor também aos contra-ataques tricolores. Wellington
Silva e Richarlison tinham um espaço que antes não lhes era permitido, e o
Fluminense voltou a desenvolver seu jogo de passes rápidos. A partir daí, a
partida era mais aberta e equilibrada.
A
arquibancada inflamava dos dois lados, com a predominância grande de presença
rubro-negra, mas o gol não saía. E os dois técnicos procuraram novas soluções.
Zé Ricardo tirou o Berrío, que não encontrava espaço para sua velocidade, e pôs
Gabriel. Para compensar, buscou na arrancada de Rodinei, que dera certo contra
a Católica, sua jogada incisiva pela direita. Abel Braga apostou em Maranhão
para jogar o que Wellignton não conseguiu.
O
ritmo frenético do início do segundo tempo cobrou seu preço e a velocidade
reduziu-se. A aposta rubro-negra era nas triangulações para achar Guerrero. O
peruano não era brilhante como nos dois últimos jogos, mas mantinha o seu alto
padrão de atuações desse ano. Era dele o pivô que dava jogo ao Fla, mas lhe
faltava espaço para a conclusão diante da boa marcação da zaga tricolor.
Até
que, por uma das ironias do destino, a bola aérea que era mais perigosa na
outra área rendeu o gol rubro-negro. Réver ganhou a disputa pelo alto, Diego
Cavalieri rebateu e Guerrero meteu a bola para dentro. Na minha opinião, houve
falta de Réver em Henrique ao subir no lance.
A
poucos minutos do final do jogo, o gol rubro-negro foi praticamente uma morte
súbita. Não restavam forças ao tricolor para reagir, o que ocorreu de forma
atabalhoada na base de um abafa improdutivo. Duas arrancadas de Rodinei com a
defesa rival aberta levaram à expulsão de Diego Cavalieri e depois ao gol da
virada já com Orejuela embaixo das traves, e perdido.
A
corrida de Rodinei para chegar ao último gol lembrou aquela de Renato Gaúcho,
então rubro-negro, para fazer o gol decisivo sobre o Atlético-MG na semifinal
do Brasileiro de 1987. Um lance que o rubro-negro poderá guardar na memória
para substituir o de 1995, um capítulo a seu favor nesta que é a rivalidade
mais tradicional do país.

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