O Flamengo merece mais do que o Rafael Vaz.

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Foto: Gazetapress

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

Flamengo
x Atlético-GO foi um daqueles jogos que dificilmente irão ficar na memória do
torcedor rubro-negro. Apesar de ter articulado algumas jogadas interessantes, o
Flamengo não conseguiu tirar o zero do placar e vai para o jogo de volta apenas
com a “vantagem” se de classificar empatando por 1×1, 2×2 e por aí vai, o
típico placar que não é tão negativo, mas também não é nada positivo, como
diria Caio Ribeiro.
Dentro
de campo não tivemos grandes surpresas. Juan, nosso veterano cometa Halley, nos
encantou com a beleza de seu futebol para agora descansar durante mais 10
rodadas. Paquetá e Ronaldo buscaram jogo e mostraram que são opções melhores do
que vários atletas mais velhos do grupo. Cuellar segue praticando um futebol
tão burocrático que faz Márcio Araújo parecer um Frank Zappa da volância de tão
experimental, e Damião continua entrando como titular, confirmando a teoria de
que Vizeu cometeu algum crime hediondo na concentração ou ele existe apenas em
nossas mentes e Zé Ricardo vê apenas um espaço vazio no banco.
Também
tivemos o retorno de Éderson, finalmente recuperado após 10 meses no
departamento médico, vítima daquele lamentável incidente em que o atleta Fágner
usou nele um golpe banido não apenas no circuito de lutas clandestinas, mas
também nas versões mais atuais do jogo King Of Fighters – e o árbitro Héber
Roberto Lopes, além de não marcar a falta, achou por bem expulsar nosso
treinador por questionar a marcação e esquecer que a primeira regra do clube da
luta é não questionar o juiz no clube da luta.
Diante
da ausência de gols e grandes lances de perigo, o momento mais marcante do jogo
acabou sendo um não-lance. Sim, a hora em que Rafael Vaz, após uma falta
sofrida pela equipe no ataque, tirou, até um tanto quanto rispidamente, a bola
das mãos de Lucas Paquetá, chamando a responsabilidade, apenas para logo depois
realizar mais uma de suas terríveis cobranças de falta, que em 99% das ocasiões
não conseguem chegar nem no mesmo CEP do endereço do gol.
E não
que eu esteja duvidando que Rafael Vaz já tenha feito algum gol de falta em sua
vida ou mesmo negando a realidade estatística de que se ele realizar cobranças
o bastante ele inevitavelmente irá acertar uma dentro do gol, mas com certeza
seria bom, tanto para o zagueiro quanto para a equipe, se ele, ao menos por um
tempo, deixasse as cobranças para outra pessoa. Qualquer outra pessoa, no caso.
Seria
bom para Rafael Vaz porque ele, que não estava em boa fase, vem tentando
recuperar a confiança da torcida e, mesmo quando atua bem defensivamente, acaba
jogando toda essa simpatia adquirida fora ao cobrar faltas que, existisse ainda
o antigo programa Gol Show, não apenas não lhe renderiam um real como lhe
fariam provavelmente ter que indenizar Sílvio Santos.
E bom
para a equipe porque um time que quer ser campeão, brigar por títulos, não pode
abrir mão de um tipo tão perigoso de jogada em nome da vaidade de um zagueiro
que acredita jogar mais bola do que realmente joga. Lucas Paquetá é um novo
Zico? Rodinei colocaria todas na gaveta? Muralha já cobrou alguma falta na
vida? Se um torcedor sorteado durante a partida fizer um gol, ele vale? A
resposta pra todas essas perguntas provavelmente é não, mas ainda assim seriam
apostas com mais potencial de sucesso nas cobranças do que Rafael Vaz.
Então
cabe agora possivelmente a Zé Ricardo, Réver, Guerrero ou a alguma das
lideranças do grupo chamar o Vaz de lado e explicar a situação. Não precisa
parar de treinar faltas, não quer dizer que nunca mais vá poder cobrar, não
signfica que sempre que o time sofrer falta no ataque o Pará deveria amarrar o
Vaz na trave usando algum tipo de corda e só soltá-lo quando terminar a jogada.
É apenas que, durante uma partida decisiva, nos minutos finais de um jogo
valendo título, o Flamengo merece mais do que o Rafael Vaz tentando roubar a
bola do Diego pra cobrar uma falta.

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