O Flamengo precisa parar de vacilar.

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Gazeta Press

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

Independente
da fórmula de disputa do Campeonato Brasileiro que você preferir – alguns
valorizam o mata-mata pela emoção, algumas pessoas defendem um torneio regionalizado
em nome dos clássicos, outros preferem um jogador de cada time preso numa selva
lutando até a morte porque viram Jogos Vorazes recentemente –, é complicado
negar que a disputa em pontos corridos é a que mais privilegia a regularidade.
Isso
porque, se no mata-mata um time que teve vários tropeços durante a temporada
regular tem a oportunidade de se recuperar nos momentos “decisivos”, deixando
pra trás toda a bagagem negativa daqueles resultados, nos pontos corridos isso
não existe, já que toda rodada é, num grau ou em outro, decisiva. Aquela virada
tomada num momento de desconcentração na segunda rodada pode ser instrumental
pro seu rebaixamento, aquele empate cedido na bobeira pode te deixar fora da
Libertadores, aquele gol feito que o seu atacante deixou de fazer pode custar
caro numa futura disputa de título.
Em
suma: nos pontos corridos, assim como no jogo Tetris e na vida, os vacilos
nunca somem, eles apenas se acumulam e esperam o momento certo de te dar “Game
Over”.
E se
tem um pecado que o Flamengo vem cometendo sistematicamente desde o Brasileirão
2016, esse pecado é vacilar. Um time que várias vezes se mostrou incapaz de
matar um jogo mesmo quando os médicos já sinalizaram a morte cerebral da
partida e a família já autorizou desligar os aparelhos, o Flamengo vem se
apresentando cada vez mais como um especialista em complicar resultados fáceis,
trazer de volta pra partida times abatidos, perder pontos que normalmente já
eram tão dados como ganhos que o próprio adversário fica meio “eeeita”.
Contra
o Atlético-MG, sábado, tivemos apenas mais um exemplo disso. Num jogo dentro de
casa, com o apoio da torcida, enfrentando uma equipe que tem grandes chances de
ser nossa rival direta numa eventual disputa pelo título, o Flamengo abriu o
placar e seguiu pressionando durante o primeiro tempo. Tivemos então uma chance
clara com Guerrero, dentro da área. Gol perdido. Foi a vez então de Berrío,
também dentro da área, entrar com a bola dominada e escolher a jogada errada.
Gol perdido. Poderíamos ter descido para o vestiário com uma vantagem de 2×0,
talvez até 3×0, mas descemos com a vantagem mínima e, no segundo tempo, acuados
pelo Atlético, tomamos o empate – sem esquecer, claro, que depois do empate
ainda perdemos mais algumas chances claras de gol.
Enfrentávamos
um time forte? Claro. Poderíamos talvez até ter perdido, já que Rafael Vaz –
que atuou bem e não tentou cobrar faltas – salvou duas bolas em cima da linha?
Verdade. Mas também poderíamos ter saído do Maracanã com uma vitória confortável,
se o time soubesse aproveitar as chances que cria e decidir a partida quando as
chances surgem. E essa é uma lição que o time precisa realmente aprender o
quanto antes.
Isso
porque o Flamengo já tem um bom time, um grande elenco. Diego está se recuperando
de lesão, Conca deve estrear nos próximos meses, Vinícius Junior estreou pelos
profissionais, notícias dizem que Éverton Ribeiro pode chegar, deixando claro
que vamos ter peças de sobra pra brigar por coisas grandes esse ano. E quando
você tem os jogadores, tem o treinador, tem o esquema, o grande desafio se
torna ter o quê? A eficiência. A capacidade de resolver os jogos nos momentos
de fragilidade do adversário, de decidir a partida complicada em uma jogada, de
saber dosar a intensidade de maneira a vencer correndo o mínimo possível de
riscos.
E
vamos precisar muito disso esse ano. No imenso Campeonato Brasileiro, em que
pontos perdidos vão cobrar seu preço na reta final; na imprevisível
Libertadores, em que um gol pode ser a diferença entre conquistar a América ou
precisar remarcar aquela passagem na Decolar.com e ir mais cedo pra casa. Se
temos hoje um Flamengo forte, já passou da hora de termos um Flamengo
eficiente.

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