Os trunfos de Flamengo e Fluminense na final Carioca.

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Foto: Divulgação

O
GLOBO
: Não há mais margem para erro quando se chega aos 90 minutos definitivos
de um campeonato. O Fla-Flu deste domingo, às 16h, num Maracanã com mais de 60
mil pessoas, começou há alguns dias na cabeça dos treinadores.

Abel
Braga, comandante do Fluminense, talvez tenha tido mais motivos para refletir.
Taticamente, encontrou um Flamengo diferente do que imaginava no clássico que
abriu a decisão, no último domingo. Viu algumas de suas armas bloqueadas e sofreu
a derrota por 1 a 0 que, hoje, obriga o tricolor a vencer por dois gols de
vantagem para encerrar a disputa no tempo regulamentar.
Mas o
rubro-negro Zé Ricardo sabe que um Fluminense que empolgou durante o Estadual
deverá apresentar novas armas hoje. Um empate dará o título estadual ao
Flamengo. Em caso de vitória tricolor por um gol, a decisão será nos pênaltis.
— No
último jogo, nós não fomos nós mesmos. Estou esperançoso — afirmou Abel, certo
de que o time, que exibia futebol vistoso no Estadual, dificilmente repetirá a
atuação do último domingo. — Nas Laranjeiras, não teria como treinar algo
diferente. Por isso a gente fecha (o treino no CT).
Decifrar
o que se passa na cabeça do técnico rival não é tão simples desta vez. Abel
Braga anunciou que o Fluminense jogará com a mesma equipe do primeiro jogo da
final. O que deve mudar é o posicionamento em momentos do duelo. Surpreendido
com a marcação do Flamengo em sua saída de bola, o tricolor perdeu a fluência e
raramente acionou em velocidade os seus homens de frente.
A
estratégia de, por vezes, ter os três atacantes e os dois laterais na linha de
ataque desde a saída de bola reduziu as opções de passe na armação das jogadas.
No segundo tempo, quando cresceu no jogo, embora tenha encontrado um Flamengo
com sua marcação mais recuada, o tricolor trabalhou com os laterais mais
próximos aos meias. No entanto, recorreu a muitas bolas pelo alto.
DESGASTE RUBRO-NEGRO
Decifrar
este Flamengo é ainda mais desafiador. O jogo da última quarta-feira, pela
Libertadores, além de permitir a Zé Ricardo conclusões, tem influência física
no duelo de hoje.
— O
jogo exigiu muito de nós, tanto no físico quanto no psicológico. Agora é virar
o canhão para domingo (hoje) — disse o técnico do Flamengo.
É
quase certo que o Flamengo não abrirá mão do 4-1-4-1, esquema tático de suas
últimas partidas. Outra certeza: deverá ter pelos lados homens capazes de
repetir a marcação aos laterais do Fluminense. Éverton deverá jogar pela
esquerda; na direita, as opções são Gabriel e Berrío. Este último está mais
descansado, já que cumpriu suspensão pela Libertadores.
A
escolha dos dois meias centrais também ajuda a moldar alguns duelos do jogo.
Afinal, é natural que o Fluminense tente ocupar mais o setor e exija mais
trabalho destes homens. Se perder o controle desta zona, o Flamengo pode
permitir as jogadas em velocidade do tricolor.
Um
destes meias será Willian Arão. A dúvida é sobre qual será seu companheiro.
Rômulo iniciou o primeiro Fla-Flu, mas logo saiu machucado. Enquanto jogou, deu
pouca velocidade e pouca profundidade ao setor, já que a busca da infiltração
na área é um movimento menos natural para ele. Mancuello, que entrou no último
domingo e foi titular contra a Universidad Católica, não teve grandes atuações.
Demorou a encontrar o posicionamento e raramente participou ativamente da
construção de jogadas.
A
outra opção é Trauco. Não jogou tantos minutos como meia interior mas, quando o
fez, deixou boa impressão. Além disso, mesmo em partidas em que foi escalado na
lateral, exibiu bom passe em jogadas pelo meio. Se jogar, deixa aberta a
lateral esquerda para Renê, um jogador mais marcador. O que também pode ampliar
o bloqueio aos laterais rivais.

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