Pés no chão, Flamengo.

27
Guerrero, Gabriel e Márcio Araújo saudando a torcida do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

Pés no chão, Flamengo, pés no chão. É a melhor maneira para vivermos mais
noites de alegria, como a dessa quarta-feira. Vencemos a Universidad Católica,
no Maracanã e nos aproximamos da vaga às oitavas de final da Copa Libertadores
da América. Um empate com o San Lorenzo, na Argentina, garante a classificação.
Até o revés pode nos manter na disputa, mas o Flamengo ainda não pontuou fora
de casa. O Atlético-PR já; venceu, inclusive. Derrota nossa, vitória deles e
estamos fora. Portanto, nada de dizer que o Mengão está “com um pé na próxima
fase” ou vive “situação confortável”. Vamos precisar, sim, jogar bola e sair de
campo com ao menos 1 ponto no dia 17. Isto posto, falemos do jogo que nos
deixou na liderança do grupo.

Desde
que vestiu o Manto Sagrado, Guerrero jamais havia incorporado tanto o espírito
do “acabou o caô” como no jogo de ontem. Queria, realmente acabar com o caô. Por
um fim na história de que o Flamengo tenta, cria, mas não consegue fazer gols.
Chamou para si a responsabilidade, saiu da área, fez o pivô, buscou a bola
visando ultrapassagens dos companheiros. Se ela pintasse sorrindo – macia,
banguela, ou quadrada –, ele arriscava. Guerrero não estava à procura do gol
dele, próprio. O objetivo era marcar um gol para o Flamengo, pelo Flamengo.
Isso foi fundamental na partida e é imprescindível a um time que almeja ser
campeão.
Guerrero
foi o responsável por todas as nossas finalizações no primeiro tempo. Perdeu
uma oportunidade clara; não mais clara que a desperdiçada por Fuenzalida. Que
bom que o chileno errou! Mudaria a história de uma partida em que o Flamengo
começou melhor, para cima, e não conseguiu estabelecer um padrão de jogo. A
Católica deu suas cartadas, assustando e afligindo a Nação.
Sem
Diego, Rômulo e Berrío, Zé Ricardo atendeu a 2 apelos constantemente feitos
pelo blogueiro aqui. O primeiro deles: Mancuello no meio-campo. Nada de ponta,
nada de armador. O argentino foi contratado como segundo volante e,
aparentemente, essa seria a única maneira de ele render no Flamengo. Mancu não
foi bem. Errou, pouco apareceu e chegou a ser vaiado por parte da torcida após
falhar no domínio da bola, em passe irresponsável – na fogueira – de Willian
Arão. Mal em campo, sentiu o joelho, não retornando para o segundo tempo. E aí
Zé Ricardo cumpriu o segundo desejo do blogueiro: “Paradinei”.
Rodinei
voltou no lugar de Mancuello, fazendo a dobradinha com Pará – pela direita –, e
o Flamengo começou a etapa final mais agressivo. Guerrero, nosso único
finalizador até então, sofreu falta perto da área. Ele mesmo cobrou, mas dessa
vez não finalizou. A bola bateu em Arão e sobrou para o pé ruim de Rodinei, que
não quis nem saber. Chute forte, de primeira: 1 a 0 Flamengo.
Terceiro
elemento da ala de “Paradinei”, Willian Arão meio que cruzou, meio que chutou;
e nem Éverton, nem Guerrero conseguiram ampliar a vantagem. Pelo lado oposto do
campo, a Universidad Católica empatou, na bola aérea que nem foi tão aérea
assim. Falha da zaga, mais de Vaz do que de Réver.
A
resposta veio no grito da massa, pelo “setor Paradinei”, e acabando com o tal
caô. Esticada de Pará para Guerrero, que girou em cima do marcador e bateu
cruzado. Gol do Flamengo em jogada trabalhada, sem ser resultante de cruzamento
ou de bola parada. O Mengo seguiu melhor – sofreu um pouco, é verdade – e
passou a régua com Trauco.
Vale o alerta
Ao
próprio Trauco. O cara que encantou a Nação no começo do ano vem fazendo má
sequencia de jogos. Pecando na defesa, perdido no ataque e se equivocando demais.
Errou tudo nessa quarta-feira. Mesmo no lance do gol ele errou. Aí acertou,
errou de novo e – se bobear – até o chute não saiu como gostaria. Que o gol o
ajude a recuperar o bom futebol.
Vale o reconhecimento
A
Márcio Araújo. De longe, entre os 3 melhores jogadores do Flamengo em 2017, ao
lado de Diego e Guerrero. Mais uma partida aguerrida, de entrega,
comprometimento e forte marcação.
Vale investir
“Paradinei”.
Terceira vez no ano em que Pará e Rodinei jogam juntos pelo mesmo lado do
campo, terceira vez que dá bem certo. A dupla tem de ser tratada como real
opção e não como alternativa a eventuais desfalques. Não precisa sair sempre
jogando com os 2, mas o duo pode servir como trunfo na busca pelo gol. Diante
do San Lorenzo, Paradinei será impossível, já que Pará estará suspenso pelo 3°
cartão amarelo.
Valendo o investimento
Paolo
Guerrero. Depois de turbulências, mais baixos que altos e inúmeros cartões, o
peruano tem feito valer a contratação. Imponente, decisivo, cascudo e brigador.
Vale o elogio
A Zé
Ricardo. Por mais que insista no mesmo padrão de jogo e não abra mão de Gabriel
– que às vezes parece não saber a diferença entre um motel e o Parque da Mônica
–, o treinador foi inegavelmente bem contra a Católica. Acertou em cheio nas
substituições e chegou a armar um time com 4 laterais de ofício para sair da
mesmice, sem abrir mão da marcação e da ofensividade. Também comemorou os gols.
Técnico tem de vibrar.
Não vale nunca
Vaiar
um atleta durante o jogo. Depois do apito, cada um faz o que quer; mas durante
a partida o cara tá lá vestindo as cores do Clube de Regatas do Flamengo. Pode
estar mal ou ser um perna de pau, mas precisa do nosso incentivo. Vaias não
ajudam. Pelo contrário, apenas prejudicam o Flamengo. Felizmente, não foram
muitos que vaiaram Mancuello, e a maior parte da torcida logo tratou de abafar
os apupos. Torcida, aliás, que tem cumprido muito bem o seu papel nessa
Libertadores. Como nos outros 2 jogos em casa, como na Arena da Baixada, a
Nação está de parabéns.
Falta
uma partida, duas semanas, 1 ponto. Lutemos pelos 3. A sina da eliminação na
fase de grupos há de chegar ao fim. Há de acabar pelos pés de um time que entra
em fascinante sinergia com a torcida, quando joga em casa. Que coisa fabulosa
tem sido esse Flamengo no Maracanã! Inspira, anima, aflora os melhores
sentimentos. Faz com que não apenas sonhemos, mas acreditemos no nosso sonho. E
para que ele deixe o imaginário, será necessário despertar esse Flamengo longe
do Rio. O jogo contra o San Lorenzo está um tanto distante; não podemos tirar o
sonho de perto.
Sem
repetir os erros do passado, vamos fortes, Flamengo! Sonhar é bom, acreditar em
ti é ainda melhor.

COMENTÁRIOS: