Por Estádio, Flamengo faz as pazes até com Patrícia Amorim.

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Pedro Ivo Almeida/UOL

UOL: O
Flamengo assinou, na manhã da última sexta-feira (12), junto com a Prefeitura
do Rio de Janeiro, um protocolo de intenção de reforma que dará vida a um novo
estádio na Gávea. O inédito apoio do poder público para o sonho de uma casa
reformada em sua sede foi obra de um acordo que envolveu diversas partes,
incluindo uma ex-presidente do Rubro-negro: Patricia Amorim.

Inimiga
política do grupo de Eduardo Bandeira de Mello desde as eleições de 2012 (antes
do primeiro mandato do novo presidente), Patricia viu o cenário mudar agora. 

“Respeito muito a Patricia. E sei que, no fim, queremos apenas o bem do
Flamengo. Nunca fiz ataques a ela. Era apenas uma questão de democracia,
disputa em eleição”, minimizou o mandatário do Flamengo.

Atual
subsecretária de Esporte e Lazer da cidade, a ex-comandante foi peça
fundamental no acordo final. Enquanto o secretário de Urbanismo, Infraestrutura
e Habitação, Índio da Costa, fazia jogo duro na negociação com o Flamengo – nem
sequer foi à cerimônia de sexta -, Patricia Amorim foi acionada e costurou o
aval da Prefeitura.
Índio
não topava aceitar um projeto que imaginava uma capacidade superior a 20 mil
torcedores. O Flamengo, por sua vez, queria ao menos 25 mil lugares no novo
estádio. Patricia, junto ao prefeito Marcelo Crivella, articulou o plano
desejado pelo Rubro-negro.
A
ideia de 25 mil lugares, aliás, já é menor que a anterior pretendida pelo
Flamengo. O clube chegou a protocolar um projeto de estádio com capacidade para
40 mil torcedores, mas teve de recuar para ver o plano andar. Crivella e Índio,
bem como antigos gestores, não aceitavam a capacidade maior.
Além
da negociação pelo número de lugares, o Flamengo teve de conversar sobre outra
situação, um jogo solidário – com renda revertida para compra de 70 mil cestas
básicas que irão reabrir restaurantes populares na cidade.
Em
conversa com a reportagem, pessoas ligadas à gestão de Crivella foram
categóricas: “Sem esse jogo, não tinha nada de protocolo assinado”. E
o Flamengo não se opôs, especialmente pelo lado social.
Patricia
entrou no circuito novamente. Enquanto Marcelo Crivella conversava com a
Odebrecht para isentar a taxa de utilização do estádio (aluguel), a
subsecretária negociava com a Ferj para que a cota da Federação de Futebol do
Rio de Janeiro fosse abolida neste caso. Tudo resolvido. Ambos os gastos não
aparecerão no borderô no jogo deste sábado, contra o Atlético-MG (13).
Inicialmente,
o clube queria a partida na Arena da Ilha. O local, porém, ainda não contém
todos os laudos para ser utilizado. A Prefeitura, por sua vez, queria o jogo no
Maracanã – gerando maior renda – e, claro, acabou fazendo jogo duro pelos
alvarás da Ilha do Governador.
Por
fim, jogo no Maracanã confirmado, protocolo de intenção de obra na Gávea
assinado e laudos para a Arena da Ilha sendo providenciados em poucos dias.
Estádio “acústico” e sem
estacionamento
O
projeto do novo estádio da Gávea ainda teve de reunir algumas condições
específicas para ganhar a simpatia da Prefeitura. Uma delas é ter uma acústica
que minimize o barulho nos arredores – a Associação de moradores do bairro
local (Leblon) sempre questionou a obra ali.
Além
disso, o Flamengo se comprometeu a não disponibilizar vagas de estacionamento,
estimulando que o público dos jogos no novo estádio utilize transporte público
e impacte o mínimo possível o trânsito da região.
“Pensamos
em tudo. Teremos uma solução pelo ruído no nosso estádio acústico, utilizaremos
as estações de metrô próximas e pensaremos em tudo sempre”, comentou o
presidente Bandeira de Mello.

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