Primeiro título estreia ligação entre Guerrero e Zé com Flamengo.

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Guerrero erguendo troféu de campeão Carioca 2017 com a torcida do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

O
GLOBO
: Por Carlos Eduardo Mansur

A discussão sobre o futuro dos Estaduais, sobre a necessidade de
reduzi-los, não deixou de ser urgente. Mas após jornadas como a que o Maracanã
viveu ontem, pode esperar um dia mais — e não mais do que isso, se quisermos
mesmo cuidar do futebol brasileiro. Ocorre que só um insensível incurável
atravessou a tarde deste domingo sem sentir algo, fosse apreensão, angústia,
tristeza ou euforia. Ou um pouco de tudo, enquanto se construía a vitória do
Flamengo sobre o Fluminense, de virada, por 2 a 1, dando ao clube o seu 34º
título estadual, o sexto invicto.

Jogos
assim, a todo risco, produzem memórias e heróis. Moldam a relação entre jogador
e clube. Já era impraticável negar a influência de Guerrero neste Flamengo.
Diante do que via no campo, a arquibancada já lhe dava devido valor. Mas quando
à produção esportiva, à influência e à fama se juntam conquistas, gol de
título, a coisa muda de patamar.
Guerrero
tem sido um homem assoberbado de trabalho neste Flamengo, em especial no
pós-lesão de Diego. Segura defensores, ajuda a abrir espaços fora da área,
passa e é dos raros que finaliza num time que sofre para ser incisivo, mesmo
quando domina. Ontem, a seis minutos do fim, quando os pênaltis pareciam o
destino do Fla-Flu, tirou da cartola o gol de empate que, no fim das contas,
foi o do título. O lance teve uma irregularidade: Réver fez falta em Henrique
antes de cabecear para Diego Cavalieri dar rebote.
Sai da
final um Fluminense que, durante o Estadual, entregou mais do que se esperava
no início da temporada. Mas que, nas finais, jogou menos do que nas muitas
partidas em que praticou um jogo atraente. Dirá o futuro se a juventude pesou,
se o elenco precisa se enriquecer. O recurso a Maranhão no segundo tempo pode
ser um sintoma. Para crescer na temporada, terá que ampliar repertório. Aliás,
até os campeões estaduais do país terão. O fato é que, nos 180 minutos da
decisão, o Flamengo teve mais tempo de predomínio.
Coisas
de final, por boa parte do primeiro tempo o Fla-Flu foi mais emoção e menos
razão, mais eletricidade e menos cadência, muita negação de espaços, bolas
ganhas e perdidas. Não era grande jogo, mas era o Flamengo o time mais presente
no campo rival, como no primeiro jogo. Curiosamente, desta vez, era o
Fluminense quem vencia, com gol de Henrique Dourado, aos três minutos. Como se
a decisão recomeçasse, sem vantagem para lado algum.
EXPULSÃO E VIRADA
Com
Trauco e Willian Arão como meias à frente de Márcio Araújo, o Flamengo
bloqueava as tentativas tricolores de sair do seu campo. Pela esquerda, por
onde combinavam Éverton, Trauco e Renê, confundia a marcação. Mas as chances
eram raras num jogo de poucas trocas de passes extensas.
Decisões
também podem mudar personagens de patamar. Na necessidade, Zé Ricardo, o
técnico jovem em quem o Flamengo relutou em acreditar no ano passado, que neste
ano foi questionado, passou a fazer intervenções no jogo. E foi criando
alternativas para o Flamengo. Na segunda metade do primeiro tempo, inverteu
lados de Éverton e Berrío. Pela direita, Éverton teve a melhor chance do
Flamengo. Mas ofereceu um corredor de contra-ataque ao tricolor. Henrique
Dourado quase ampliou.
O
início do segundo tempo foi o período mais desafiador. O Fluminense era melhor,
Léo e Dourado haviam construído chances. Zé Ricardo, primeiro, trocou Berrío
por Gabriel, mas o jogo mudou mesmo com Rodinei pela direita e Gabriel mais
perto de Guerrero.
O
Flamengo cresceu mas é um time que, mesmo quando domina, agride pouco. A
sensação do gol não era iminente quando surgiu Guerrero, o homem do gol de
empate, já perto do fim, para loucura da maioria rubro-negra no Maracanã.
Como
sempre há espaço para mais personagens em decisões assim, Cavalieri ainda seria
expulso e um contra-ataque com cara de golpe de misericórdia deu a Rodinei, que
já fora decisivo na Libertadores, o gol da virada. Também ele terá suas
lembranças afetivas desta final. Assim como quase todos os presentes naquele
colorido Maracanã. Ao menos durante o domingo, os Estaduais valeram. Convém
cuidar bem deles.

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