San Lorenzo x Flamengo remete a uma das maiores crises do país.

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Foto: Divulgação

UOL: Quando
pisar o gramado do Nuevo Gasómetro na noite desta quarta-feira (17), o Flamengo
decidirá uma vaga nas oitavas de final da Copa Libertadores, mas o duelo contra
o San Lorenzo-ARG vai além disso. O confronto das 21h45 (de Brasília) remete a
uma das maiores crises da Argentina, que explodiu e tomou Buenos Aires em meio
à última decisão continental do Rubro-negro. Na Copa Mercosul de 2001, o
desfecho não foi positivo para o time brasileiro.

Em 19
de dezembro daquele ano, os times realizariam a segunda partida da final da
competição. O duelo no Maracanã havia terminado em 0 a 0 e Buenos Aires
fervilhava. Não pelo jogo em si, mas por uma Argentina devastada em razão dos
problemas financeiros e das acusações de corrupção ao governo comandado por
Fernando de la Rúa.
O
episódio entrou para a história como “corralito” e começou em 3 de
dezembro, quando o então presidente determinou o bloqueio bancário de quase 70
milhões de dólares em depósitos de poupadores. A iniciativa se transformou em
uma bola de neve. O ápice foi justamente na véspera e no dia de San Lorenzo x
Flamengo.
Milhares
de pessoas tomaram as ruas e derrubaram portas de bancos a golpes de martelo,
enquanto promoviam um panelaço. Entre a noite de 19 de dezembro e a madrugada
do dia 20, mais de 150 mil argentinos se dirigiram ao edifício onde vivia o
ministro da economia Domingo Cavallo, que renunciou horas depois.

O
presidente De la Rúa teve de escapar da Casa Rosada a bordo de um helicóptero,
quando o palácio do governo estava cercado por uma multidão que enfrentava a
polícia. Só no dia do jogo, 18 pessoas morreram – o número total ao fim dos
protestos foi de 33 mortos. Sem garantias de segurança, a Conmebol adiou a
final da Mercosul para 2002. O confronto foi realizado em 24 de janeiro e o San
Lorenzo levou a melhor nos pênaltis após o empate por 1 a 1 no tempo normal.
A
campanha que se misturou com o fato histórico foi a última de destaque do
Flamengo no continente. O clube tentou se reencontrar, mas esbarrou em falhas e
chegou a ser eliminado três vezes ainda na primeira fase da Copa Libertadores
(2002, 2012 e 2014). A melhor performance foi em 2010 – queda nas quartas de
final. O clube persegue o bicampeonato da principal competição do continente há
35 anos e a confiança nos bastidores é a de que 2017 pode findar a longa
espera.
O que o Flamengo precisa para passar de
fase?
O
Rubro-negro garante vaga nas oitavas de final da Copa Libertadores até em caso
de derrota para o San Lorenzo. Neste caso, o Atlético-PR só não pode vencer a
Universidad Católica-CHI, em Santiago. Caso os paranaenses triunfem fora de
casa, os cariocas precisarão de pelo menos um empate no Nuevo Gasómetro. Se
vencer os argentinos, o Flamengo terminará na liderança isolada do Grupo 4.
Como chega o Flamengo para a decisão?
Diante
de um San Lorenzo que foi goleado pelo Rubro-negro por 4 a 0 na estreia e se
reinventou na Copa Libertadores para brigar pela classificação, o Flamengo deve
adotar uma maior proteção ao setor defensivo e explorar os contragolpes com
jogadores velozes pelas pontas. A ideia é conter as principais jogadas dos
donos da casa, principalmente a tradicional pressão no início do jogo. O
técnico Zé Ricardo levou 21 atletas para a Argentina. Pará (suspenso), Diego
(em recuperação de cirurgia), Donatti (lesionado), Mancuello e Felipe Vizeu
ficaram no Rio de Janeiro.

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