Seis acertos de Zé Ricardo que explicam o título do Flamengo.

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Jogadores dando banho de água em Zé Ricardo, técnico do Flamengo, após título – Foto: Gilvan de Souza

RODRIGO
MATTOS
: Quatro horas após o título do Flamengo, Muricy Ramalho, penúltimo
técnico do time, entra ao vivo para falar no Sportv sobre o trabalho de Zé
Ricardo: ”Pegou um time que não estava bem comigo e fez um excelente trabalho.”

A
sinceridade e correção de Muricy, que ressalte-se passava por um problema de
saúde na época, mostram o tamanho do trabalho de Zé Ricardo durante um ano.
Sim, o Flamengo tem um dos melhores elencos do país. Mas seu jogo de dominante
sobre o adversário, com passes constantes, opções de jogo, é mérito do
treinador.
Isso
não significa que o Flamengo seja um esquadrão, imbatível. Não é. Mas é um time
que hoje tem mais qualidades do que defeito, uma cara e jogadores conscientes
do que têm de fazer. Isso é mais importante do que um título do Estadual.  Veja como ele mudou o time em um ano.
Organização
Com
Muricy, no início do Brasileiro-2016, o Flamengo jogava com uma linha avançada
de quatro jogadores, o que deixava o time excessivamente exposto e sem jogo de
meio-campo. O primeiro passo de Zé Ricardo foi recuar Arão para jogar ao lado
de Márcio Araújo que foi mantido na principal formação.
O
esquema com ponteiros foi mantido, mas Cirino foi trocado por Gabriel que
voltava mais e dava consistência no meio e na defesa. De time sem padrão para
se proteger, o Flamengo passou a se fechar com duas linhas de quatro quando se
defendia, bem mais difícil de ser furado.
Jogo de passes

Ricardo passou a dar ênfase na troca de passes e posse de bola para o Flamengo.
O predomínio no número de jogadores no meio de campo foi uma chave para isso.
Para isso, os jogadores de lado apareciam constantemente no setor para dar
vantagem ao time.
Os
laterais Jorge e Pará fechavam para o meio para se tornarem armadores em
determinados momentos. Em outras situações, Gabriel e Éverton ocupavam esse espaço.
Não ficavam alinhados e a ideia era ter três jogadores de cada lado, lateral,
meio-campista e ponteiro. O time passou a ser dominante na posse de bola na
maior parte dos jogos.
O fator Diego
Quando
chegou o jogador mais cerebral no Flamengo, no meio da temporada, Zé Ricardo
tinha que encaixa-lo no time. Ele deu menos obrigações defensivas (ele marcava,
mas em menor intensidade) ao meia que podia sobrar das duas linhas de quatro
jogadores, juntamente com Guerrero. O jogador ainda flutua também para trás
para dar todo o ritmo ao jogo do time.
Entende a natureza do Flamengo
Por
ter sido formado no Flamengo, Zé Ricardo tem a percepção de que não é possível
para o clube fazer um jogo de contra-ataque, nem fora, nem especialmente em
casa. A torcida rubro-negra pressiona o time a jogar sempre para frente. Por
seguidas vezes, ele repetiu que respeitaria essa realidade e faria sua equipe
atuar de acordo com a natureza do clube. Na Libertadores, até fora o Flamengo
tem sido ofensivo.
Não tem medo de contrariar a torcida
Em
vários momentos, Zé Ricardo contrariou opiniões quase majoritárias da torcida
do Flamengo. O maior exemplo é Márcio Araújo, que é um jogador com limitações
ofensivas e que marca com eficiência. O treinador não só insistiu com ele como
pediu a renovação do contrato baseado nos seus números positivos de desarmes, e
o jogador tem sido eficiente nesta temporada inclusive na saída de bola.
Um
outro exemplo é que trocou jogadores de renome como Juan pelo reserva Rafael
Vaz por entender que este estava melhor. Independentemente de acertar ou errar,
Zé Ricardo toma suas decisões baseado em suas convicções e nos números que
dispõe para avaliar seus jogadores.
Inovações táticas
Após
um fim de ano com queda de rendimento em 2016, Zé Ricardo precisava de alternativas
para dar um salto no padrão de jogo do Flamengo. E não tem cansado de inovar em
busca desse formato ideal que, diga-se, ainda não está consolidado.
Primeiro,
botou Macuello do lado do campo – não deu certo. Depois, criou como alternativa
a formação com três ”volantes” no jogo contra a Universidade Católica, e
aumentou seu domínio da posse de bola, tornando o time mais ofensivo. Em
seguida, criou a alternativa com dois laterais para dar velocidade e reforçar a
marcação, seja na direta com Pará e Rodinei, seja na esquerda com Trauco e
René. Assim, supera desfalques e cria desequilíbrio nos adversários.

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