A falácia de que Diego é o meia criativo do Flamengo.

25
Diego comemorando gol com jogadores do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

ANDRÉ
ROCHA
: Diego Ribas chegou ao Flamengo em julho do ano passado. Recebido com
festa no aeroporto, alcançou rapidamente a condição de ídolo com gol na estreia
contra o Grêmio, mais cinco bolas nas redes adversárias, três passes para gols
e participação importante na campanha que levou o time ao terceiro lugar,
disputando o topo da tabela em bola parte do Brasileiro.

Com a
camisa dez na Libertadores, foi fundamental nas duas vitórias em casa, contra
San Lorenzo e Atlético-PR, e fez muita falta no fatídico jogo da eliminação no
Nuevo Gasometro. Quando se lesionou era considerado o melhor jogador do torneio
continental. No seu retorno de lesão, continua contribuindo com liderança
positiva e técnica nas conclusões e nas bolas paradas em uma equipe que peca
pela pouca contundência.
Desde
que surgiu no Santos, Diego é um meia habilidoso e bom finalizador. Já foi
criativo também, mas agora dentro de um cenário de jogo mais intenso, com
pressão constante sobre quem tem a bola, linhas compactas e marcação por zona
na maior parte do tempo, vem enfrentando problemas.
Porque
tem o hábito de dominar, girar, dar mais um toque e só depois tomar a decisão
do que fazer com a bola. Normalmente gasta segundos preciosos para a fluência
do jogo. Por isso perdeu espaço na Europa e acabou retornando. Mas mesmo por
aqui, com a evolução tática gradual, especialmente no trabalho sem a bola, ele
sofre na construção de jogadas.
Compensa
com experiência, muita preparação física e mental, entrega absoluta e
inteligência para procurar os flancos e fugir do bloqueio mais forte. Ainda
assim, são raros os passes de primeira. Mais ainda as bolas que os portugueses
costumam chamar de ”passes de morte”. Ou seja, aqueles que furam as linhas de
marcação e encontram os companheiros nas melhores condições para finalizar.
Como
Scarpa achou Wendel no gol que abriu o placar do Fla-Flu e na enfiada para
Richarlison infiltrar e sofrer pênalti de Juan nos 2 a 2 no Maracanã. Diego foi
às redes em um gol de ”abafa”, com Everton impedido na origem do lance. Nos
acréscimos, Trauco empatou em chute forte que contou com uma irregularidade no
gramado para sair do alcance do goleiro Julio César.
Dentro
das propostas de jogo, o Fluminense foi superior. Porque joga mais fácil e o
Fla faz muita força para atacar. Normalmente a bola gira, roda de um lado para
o outro até encontrar espaço num flanco para fazer o cruzamento. Um estilo
monocórdico.
As
tabelas e infiltrações que marcaram a equipe rubro-negra comandada por Zé
Ricardo nos seus melhores momentos desapareceram com a queda de produção do
meio-campista que tem o passe mais vertical: Willian Arão. Confirmado pelo
próprio treinador. Tite convoca Diego para a seleção, porém admite que ele tem
características diferentes das de Lucas Lima, seu concorrente, agora junto com
Rodriguinho, por uma vaga no meio-campo.
O Santos
empatou sem gols com a Ponte Preta no Pacaembu no sábado. Mas criou
oportunidades mais cristalinas que o Flamengo na vitória sobre o mesmo
adversário na estreia da Arena da Ilha no meio da semana. Porque Lucas Lima
acertou passes verticais que Bruno Henrique, Kayke e Copete não aproveitaram.
Já o Fla viveu de bolas alçadas e marcou seus gols em cruzamentos de Diego e
Vinicius Júnior para Rever e Leandro Damião.
É
pouco. O repertório empobreceu. Por isso a busca desde o ano passado de um meia
que parta da ponta e auxilie na articulação. Alan Patrick e Mancuello não
funcionaram, o clube trouxe Conca, uma incógnita no aspecto físico, e agora
espera ter encontrado a solução em Everton Ribeiro. Este, sim, um meia da
linhagem de Jadson, Scarpa, Lucas Lima. Do toque surpreendente.
É
inegável o valor de Diego, que deve seguir no time que pena tanto para fazer
gols. Mas parte da responsabilidade do Fla só ficar atrás do Atlético-MG como o
time que mais cruza na competição – média de quase 28 por partida, cinco de
Diego – é de seu meia mais valioso. Mesmo com a atenuante do período de
inatividade e estar disputando apenas a sua quarta partida desde o início após
o seu retorno, e reconhecendo que ele fica sobrecarregado pela indigência de
ideias de seus companheiros no setor.
A
questão central é que o problema não é recente. Como Diego consegue ser
decisivo de outras formas acaba passando despercebido e alimenta a falácia de
que é um meia criativo. Mas Zé Ricardo espera o melhor condicionamento de Conca
e a estreia de Everton Ribeiro para tornar o Flamengo menos previsível e mais
eficiente no restante da temporada.

COMENTÁRIOS:

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here