Casa inaugurada.

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Jogadores do Flamengo aplaudindo a torcida na (Arena) Ilha do Urubu – Foto: Gilvan de Souza

CARLOS
EDUARDO MANSUR:
O Campeonato Brasileiro tem uma peculiaridade. As atenções se
dividem entre o time de hoje e o que está por vir. Há sempre um reforço por
estrear. No imaginário do torcedor, há sempre um time que ainda não existe, mas
que pode vir a ser melhor do que aquele que se vê em campo. O Flamengo tem suas
apostas: Conca estreou ontem, ainda há Éverton Ribeiro e Rhodolfo. Só que, mais
do que reforços, o rubro-negro tinha um estádio por estrear. E ter casa sempre
ajuda.

Optou
por uma no estilo alçapão, o que acredita-se ter lá a sua serventia. Na Ilha do
Urubu, venceu a Ponte Preta por 2 a 0 e resolveu a maior das urgências do
momento: ganhar, ainda mais no jogo em que punha á prova sua solução para
encerrar a recente sina de time itinerante. Mas também ficou claro ser
necessário algo além do alçapão. Para ser consistente, a qualidade de jogo do
Flamengo ainda precisa melhorar. Talvez o alívio da vitória crie as condições
para o próximo passo.
Sob o
ponto de vista das chances concedidas a um rival tímido, devotado à defesa e a
esporádicos avanços, o Flamengo fez uma partida segura. Na construção de
jogadas, houve longos momentos de pouca imaginação.
Enquanto
Vinícius Júnior fez a diferença, o que se sentiu notadamente nos 20 minutos
iniciais, o futebol do Flamengo teve algo distinto em relação aos últimos
jogos. Depois, tornou-se previsível, com um domínio da bola que,
invariavelmente, acabava num cruzamento feito da intermediária, facilitando a
defesa.
Sobre
Vinícius Júnior, talvez o jogo indique que o déficit que hoje o separa dos
jogadores já mais “adultos” seja físico. Porque a forma como deslizou pelo
campo no início do jogo chamou atenção. Iluminou o jogo do Flamengo, por vezes
na lateral da área, por vezes mais pelo centro, abrindo a defesa da Ponte
Preta. Em três cruzamentos dele, originados de lances de virtude individual do
jovem, Leandro Damião teve ótimas chances. No último, Aranha evitou o gol.
Aos
poucos, o passar dos minutos fez Vinícius perder precisão na execução das
jogadas e deixar de levar vantagem no drible. Como se tivesse perdido o frescor
do início do jogo. Com a inspiração de sua promessa, foi-se também a
inventividade do Flamengo.
Houve
momentos em que a Ponte Preta passou a ter a bola e enervar o rubro-negro. A
saída de bola com Cuéllar no lugar de Willian Arão não criou mecanismos de
fazer o time chegar com qualidade à frente. Márcio Araújo andou assumindo
funções mais ofensivas, sem sucesso. Diego chegou a recuar para iniciar os
lances, afastando-se da zona ofensiva. A solução só viria num córner, nos
acréscimos da primeira etapa, quando Réver cabeceou para a rede.
O gol
foi um achado porque clareou o segundo tempo, oferecendo espaços. O Flamengo
não chegou a ser uma avalanche de contragolpes, mas como marcava bem e anulava
a Ponte Preta, jamais indicou ter a vitória em risco. E ainda permitiu o
primeiro passe para gol de Vinícius Júnior, aos 14 minutos. Após uma bola longa
que Damião ganhou pelo alto, o menino cruzou na cabeça do centroavante, que fez
o 2 a 0.

Alívio
na Ilha do Urubu, o que permitiu a Zé Ricardo até dar minutos a Conca: os
primeiros 11 minutos do argentino. Não era o Conca habitual, nem poderia. O
quanto vai progredir, o futuro dirá. O que será o Flamengo na Ilha, o Flamengo
de Éverton Ribeiro, o futuro também dirá. No futebol brasileiro, o futuro é
cheio de interrogações.

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