Ex-técnicos do Flamengo comentam pressão em Zé Ricardo.

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Andrade, ex-treinador do Flamengo – Foto: Divulgação

EXTRA
GLOBO
: Ligar a televisão e ver comentaristas discutindo se você deve ou não ser
demitido; abrir o jornal e ler uma reportagem sobre seu mau desempenho no
trabalho; encontrar um grupo de manifestantes pedindo sua demissão ao chegar no
serviço. Para treinadores de times grandes, tudo isso é rotina. Hoje, às 16h,
contra o Avaí, na Ressacada, o iniciante Zé Ricardo vive uma situação inédita
para ele, mas comum para os experientes: após uma má sequência, perder pode lhe
custar o cargo.

O
segredo para lidar com a situação, segundo técnicos com mais estrada, é não se
deixar abalar — até porque essa pressão sempre existirá.

Quando você é técnico de um time como Flamengo ou Corinthians, qualquer
sequência de duas ou três derrotas vai te deixar balançado, então é preciso
saber lidar. Como eu passei a vida inteira no Flamengo, me acostumei a lidar
com isso — afirmou Andrade, ex-jogador do Fla e campeão brasileiro como
treinador em 2009. 

— Quando eu tive sequências negativas, por estar acostumado
a passar por isso, não senti nada e nem mudei minha vida.

Nem
todos, no entanto, têm essa experiência. Valdir Espinosa, por exemplo, que
começou a carreira de treinador jovem, aprendeu na marra como superar os males:

Muito no início eu sentia uma pequena ansiedade, que não me alterava muito.
Depois, por meio de leituras e reflexões, me toquei: não tem porque sofrer
antes do fato. Se eu for mandado embora, ficarei triste só no dia.
Apoio da direção é decisivo
Os
resultados são o principal motivo de apreensão de qualquer treinador. No
entanto, não são os únicos. Dois ex-técnicos do Flamengo, Andrade e Oswaldo de
Oliveira, lembram que fatores políticos também têm sua importância. No caso de
Zé Ricardo, o presidente Eduardo Bandeira de Mello dá respaldo ao trabalho. E
voz final hoje é dele e dos diretores Fred Luz e Rodrigo Caetano.
— A
questão da demissão depende muito de quem está te apoiando dentro do clube. Os
dirigentes têm suas opiniões sobre o trabalho do técnico. Isso depende muito de
quem está dentro do clube, por trás. E aí você sabe se tem apoio ou não — disse
Andrade. — No caso do Zé, eu acho que ele tem crédito com a diretoria. Mas,
claro, isso só leva até certo ponto — lembra.
Oswaldo
afirma ter sentido na pele que os resultados por si só podem ser insuficientes
para garantir um treinador no cargo. Sobre sua demissão do Flamengo, em 2015,
ele afirma que foi preterido por outras questões, já que a diretoria lhe
garantiu a continuidade naquele ano:

Fiquei muito surpreso (quando fui demitido), porque não foi por causa dos
resultados. Alguma outra coisa motivou a minha demissão. Aí eles usaram isso
como desculpa. Antes dos jogos, eu não sinto pressão por poder ser demitido,
penso só em como melhorar o time — conta.
Do
novato e um experiente, a cadeira elétrica que é o cargo de técnico no Brasil
requer equilíbrio, e isso Zé Ricardo tem de sobra.

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