Falta de vitórias é apenas um dos problemas do Flamengo.

9
Protesto da torcida do Flamengo pedindo raça e saídas de Rodrigo Caetano e Fred Luz – Foto: Divulgação

UOL: Quatro
jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro e uma eliminação vexatória na Copa
Libertadores. O caminho do Flamengo na temporada segue turbulento e tem no
comandante Zé Ricardo o principal responsável por tentar colocar o Rubro-negro
novamente nos trilhos. Balançando no cargo desde a queda na principal
competição sul-Americana, o técnico precisa vencer de qualquer forma para ao
menos amenizar o ambiente.

Triunfar,
no entanto, está longe de ser o único problema de Zé Ricardo no Ninho do Urubu.
Como se não bastasse a necessidade de alcançar resultados emergenciais, ele
precisa resolver uma série de questões que influenciam diretamente no
desempenho diário e na sequência do trabalho. É como o treinador afirmou após o
empate por 1 a 1 com o Avaí: “Sob pressão, as coisas tendem a ser
piores”.
Insatisfação de Conca
Darío
Conca foi liberado pelo departamento médico e relacionado pela primeira vez por
Zé Ricardo para o confronto contra o Avaí. O argentino nem sequer teve a
oportunidade de entrar em campo e a demora em ser utilizado o deixa
insatisfeito. Soma-se a isso o fato de que o Flamengo contratou Everton Ribeiro
e está próximo de anunciar Geuvânio, jogadores capazes de realizar a função do
camisa 19. Se levar em conta que Diego tem vaga cativa no time, como referência
para os torcedores, a situação fica ainda pior.
“Se
fosse o caso de tirar o Diego [contra o Avaí], utilizaríamos o Conca na
condição dele. É muito difícil usar os dois juntos, pois não os temos com 100%
de ritmo. Achamos um risco colocá-los em conjunto. Como optamos por continuar
com o Diego, não fizemos a estreia do Conca. Assim que acharmos a
possibilidade, vamos utilizá-lo também”, explicou o técnico.
Insegurança dos goleiros
O lema
“todo time começa por um bom goleiro” é outra busca de Zé Ricardo na
Gávea. Não que Alex Muralha e Thiago sejam profissionais sem qualidade, mas a
má fase do time contribui de forma determinante no trabalho dos jogadores. O
ex-titular Muralha perdeu a posição pela sequência de falhas e insegurança
demonstrada no momento mais delicado da equipe na temporada. Thiago, no
entanto, tem apenas 21 anos e entrou no time com um considerável problema para
resolver. Retomar a segurança defensiva é fundamental para vencer. Técnico e
goleiros sabem bem disso.
“O
Muralha é um jogador com personalidade e trabalha demais. O momento não era
muito favorável e achamos por bem colocar o Thiago. Ele apoiou o atleta.
Continuará se preparando. Por meritocracia, se precisar, ele volta. O Thiago
tem personalidade e também vem treinando forte. Não tenho dúvida de que será um
dos melhores goleiros do futebol brasileiro. A avaliação é positiva”,
disse o comandante.
Clamor por Vinicius Júnior
Em um
momento de crise e com urgência de vitórias, Zé Ricardo precisa lidar com o
clamor da torcida por Vinicius Júnior. Aos 16 anos, o jovem tem nas costas uma
responsabilidade bem maior do que a natural. Negociado por R$ 164 milhões ao
Real Madrid, ele precisa jogar para chegar com a maior bagagem possível aos
Merengues. No entanto, forçar a barra pode não ser o melhor dos caminhos
durante a má fase.
“O
Vinicius tem a confiança para jogar, mas a cobrança deve ser proporcional à
idade. Quanto mais jogar, mais tende a desenvolver, pois tem muito
potencial”, avaliou o treinador.
Time perdido após o vexame na Libertadores

Ricardo sabe que precisa de vitórias, mas como triunfar com um time bem longe
da performance demonstrada em outras ocasiões? A eliminação na Copa
Libertadores foi uma espécie de divisor de águas na temporada. Desde então, a
equipe ainda não se reencontrou e venceu apenas o Atlético-GO no Campeonato
Brasileiro. A organização de outrora deu lugar a um time bagunçado e que tem
dificuldades para criar o mínimo de jogadas. O empate com o Avaí foi mais uma
prova do momento difícil.
“A
verdade é que o nosso momento não é bom. Falta um pouco mais de confiança para
buscarmos o resultado dentro de campo. Acho que não está faltando empenho. A
confiança precisa retornar. Só com as vitórias teremos tranquilidade para
jogar”, ponderou Zé.
Pressão interna e nas arquibancadas
Apesar
de referendado pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello, Zé Ricardo sabe que
está em situação delicada no Flamengo. É preciso uma sequência de triunfos para
mudar o panorama. O técnico não é mais consenso no clube desde a queda
vexatória na Libertadores. Existe pressão interna por uma troca no comando –
conselheiros e integrantes da administração – e também de boa parte da torcida
nas arquibancadas e nas redes sociais. Os protestos se tornaram quase diários
no Rubro-negro, o que demonstra o ambiente de total instabilidade que o clube
de maior torcida do país atravessa.
“A
relação é de empregador para empregado, mas temos a confiança de que vamos sair
disso juntos, com o apoio da torcida e da direção. Nos colocamos nessa
situação. Sabemos que conviver com resultados ruins nos deixa pressionados.
Estou consciente da minha responsabilidade e trabalho 24 horas para o Flamengo.
O dia no qual entendermos, em comum acordo ou de forma unilateral, que as
coisas não devem continuar, vou encarar de forma natural, pois sou
profissional. Sei que passarei por momentos assim”, encerrou Zé Ricardo.

COMENTÁRIOS:

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here