Flamengo e Fluminense encontram razões para lamentar empate.

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Márcio Araújo em Flamengo x Fluminense – Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images

CARLOS
EDUARDO MANSUR
: O clássico foi mais dramático e tenso, em especial nos minutos
finais, do que propriamente bem jogado, técnico. Mas também é impossível
desprezar um Fla-Flu cujo desfecho só é conhecido com um gol aos 49 minutos do
segundo tempo.

É
curioso que, vivendo realidades tão distintas, Flamengo e Fluminense saiam de
um empate com sensações similares: de que deixaram pontos pelo caminho, de que
têm motivos para lamentar. O 2 a 2 deste domingo, no Maracanã, não foi bom para
ninguém.
Porque,
em relação ao Flamengo, é natural e justo esperar mais rendimento. O
investimento é alto e o elenco apresenta mais opções com a volta de titulares.
Teve algum crescimento na segunda etapa, com uma formação mais leve, embora
mais exposta, após um péssimo primeiro tempo. Mas, nos momentos de domínio,
sofre para decidir. Pressionado para vencer logo, acrescentar títulos à reforma
feita no clube, parece instável em momentos difíceis dos jogos.

este Fluminense é um exercício de resistência, como se jogasse um campeonato
diferente do Flamengo. Ao menos, o bom senso indica que a exigência seja outra,
embora seja difícil, em clubes grandes, convencer o torcedor disso. Tanto que
eram raros os tricolores dentre os 37 mil presentes, ontem. O Fluminense
iniciou e terminou o jogo com sete jogadores de 24 anos ou menos. Aponta para o
futuro. Se a sua travessia no Campeonato Brasileiro já anunciava uma aposta em
jovens, o que dizer da lista de lesões que reduziu ainda mais as opções e a
carga de experiência do time? No contexto, o empate não seria ruim, ainda mais
tendo achado o gol do 2 a 1 quando já produzia muito pouco, apostava num
contra-ataque no segundo tempo. Mas é difícil digerir o empate sofrido tão
tarde.
JOGO SEM CONTROLE

jogos em que os erros técnicos comprometem a parte tática. Há aqueles em que
ocorre o contrário. O primeiro tempo do Fla-Flu era uma terrível mistura das
duas coisas. A sensação era de uma produção em série de contragolpes, idas e
vindas, num jogo sem controle, sem pausa. Mas também sem inspiração. Um pouco
por característica, um pouco para evitar riscos pela falta de velocidade, as
duas defesas jogavam muito próximas às suas áreas. Vastos espaços se abriam,
especialmente no meio-campo. Num jogo de mais pressa do que ordem, havia mais
iniciativas individuais do que coletivas. E jorravam erros técnicos, perdas de
bola. O jogo não parava, mas as chances de gol também não surgiam. Era um
Fla-Flu em permanente transição de uma área à outra, sem nunca chegar à
conclusão.
O
Fluminense, que pressionara nos minutos iniciais, parecia um pouco mais
assentado. Em meio a tantos erros, era do tricolor o jogador que iluminava a
partida: Wendel, em nova exibição típica do meio-campista que cumpre uma
infinidade de funções no campo. Se era para existir um gol no primeiro tempo,
que fosse dele, em lance iniciado por ele. E bem assessorado por Gustavo
Scarpa.
O
Flamengo tinha Diego sofrendo para cobrir a imensa porção de campo por onde se
movia e Vinícius Junior, outra vez, com dificuldades para dar sequência aos
lances. Seus inícios de partida são sempre mais participativos, indício de que
o físico o consome. É uma natural transição para um jovem de 16 anos. Resta
saber se Zé Ricardo continuará a usá-lo de início ou voltará a aproveitar rivais
desgastados no fim dos jogos. Neste domingo, tirou o jovem no intervalo, dando
lugar a Berrío.
O
treinador, aliás, acertou ao mandar a campo um meio-campo mais leve no segundo
tempo, com Willian Arão no lugar de Márcio Araújo. Ficou claro o quanto a bola
mais bem tocada desde trás, com mais acerto nos passes, pode fazer diferença
para quem pretende construir o jogo. Havia mais controle em campo, de um
Flamengo que se aproximava mais para trocar passes. Assim surgiu o gol de
Diego, que crescera no jogo, em lance originado de um impedimento de Éverton.
Em seguida, o mesmo Éverton quase marcou em rebote de Júlio César.
DESGASTE TRICOLOR
Na
medida em que crescia o Flamengo, lidava com um drama o Fluminense. O desgaste
físico de seu jovem time, que jogara na quinta-feira, pesava. Havia pouca saída
a não ser marcar atrás e esperar uma estocada. Para piorar, perdeu o jovem
lateral Mascarenhas, que estreou bem, e Wendel, ambos esgotados.
O que
faltou ao Flamengo para definir o jogo? Primeiro que, aos poucos, com o rival
mais posicionado atrás, voltaram a minguar as alternativas de criação. E também
ressurgiu a velha falta de precisão, como no contra-ataque interrompido por
passe errado de Arão. E ao jogar mais adiantado, o Flamengo sempre corre o
risco de ser pego num contragolpe. Juan não conseguiu correr atrás de
Richarlison e cometeu o pênalti: no gol de Henrique Dourado, a vantagem se
oferecia ao tricolor a dez minutos do fim.
O
Fluminense entregou o que tinha. Ainda perdeu Orejuela e, nos acréscimos, viu
Richarlison ter que ser atendido à beira do campo. Foi o exato momento em que
Trauco, em sua especialidade, acertou ótimo chute. Um alívio para a maioria
rubro-negra no estádio.
Acabava
em empate um clássico de contrastes. O Flamengo ainda espera por mais estreias
de reforços embora, tanto quanto nomes, precise evoluir coletivamente. No
Fluminense, que anunciou que não vai contratar, a urgência é por recuperar seus
titulares ainda ausentes. E reencontrar uma travessia tranquila com sua jovem e
aguerrida equipe.

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