Ingresso do Flamengo chega a 369,12% mais caro que do Corinthians.

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Torcida do Flamengo na Arena Ilha do Urubu – Foto: Gilvan de Souza

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

Talvez
não da maneira que o torcedor queria ou esperava, mas do jeito que a Nação
precisava: com vitória. O resto é composto por detalhes, que bem podem muito
agradar ou incomodar. Mas detalhes, diante da situação do Flamengo.
Vencemos
a Ponte Preta com um bom Rodinei titular, no lugar de Pará, contrastando com um
péssimo Renê no lado oposto do gramado. Com Vinícius Júnior cheio de ousadia,
como um promissor jogador que sequer completou 17 anos de vida. Incendiou,
criou chances, deu seu primeiro passe para gol; ao mesmo tempo em que se
precipitou, tomando decisões erradas e arriscando jogadas que até podem fluir
no futebol de base; não no profissional. Claramente, está afoito para marcar
entre os marmanjos. Compreensível para um adolescente de R$164 milhões. Cabe ao
grupo e, principalmente, à comissão técnica trabalhar no controle da ansiedade
para que o futebol do garoto siga crescendo. O gol sairá.
O
“parceiro” de Vinícius Júnior, na noite da quarta-feira, foi Leandro Damião. Que
chega atrasado, que erra o pivô, que arrisca a bicicleta até na hora do “shark
ataque”. Mas que tem se esforçado e se antecipou ao fraco Aranha para fazer o 2
a 0. Talvez seja um bom ser humano, mas irrita demais o torcedor. Assim como
Rafael Vaz, que retornou à zaga e realizou uma partida impecável. Ou seja, fora
da curva. Bons jogos do zagueiro não convencerão ninguém de que ele melhorou
e/ou tem condição de ser titular do Flamengo.
A
outra “novidade” esteve no meio de campo. Cuéllar no lugar de Willian Arão, ao
lado do insubstituível Márcio Araújo. Confesso que ainda estou à procura de um
fundamento em que o colombiano seja realmente bom, mas cometeu falhas bem menos
comprometedoras que as últimas do camisa 5. Ronaldo segue parecendo o melhor
volante do elenco.
Darío
Conca – que com otimismo estrearia em abril – teve seus primeiros 10 minutos em
campo com o Manto Sagrado. Pouco fez e desistiu de dar um pique em tabela com
Rodinei, já com a vitória definida. Entrou no lugar de Diego, que voltou de
lesão errando muitos passes e com o velho problema de prender a bola demais.
Ainda assim é o motor do time.
O jogo
da lesão de Diego, inclusive, foi o único no ano em que o Flamengo tinha se
imposto nos minutos iniciais. Só que contra o Atlético-PR, no Maracanã, o
rendimento caiu no segundo tempo. Desta vez, diante da Ponte Preta, o Mengão
pressionou no começo e depois seguiu dono da partida. Futebol no padrão tático
Zé Ricardo, que vem promovendo mudanças boas e justas na equipe titular.
Foi Zé
Ricardo quem botou a faixa de capitão em Réver, foi Réver quem marcou o
primeiro gol da Ilha do Urubu. Finalmente estreamos a nova casa; não atingimos
a lotação máxima. É inadmissível que o Flamengo não consiga esgotar 16.060
ingressos para a inauguração de um estádio que pode chamar de “seu”. Resultado
de um planejamento que botou os preços nas alturas e dificultou a venda a
torcedores comuns. Mais uma vez, o benefício cumulativo da meia-entrada ao de
sócio-torcedor prejudicou. O rubro-negro que paga “inteira”, seja sócio ou não,
teve e terá de desembolsar grande valor para ver o Mengão na Ilha.
Tomando
como exemplo o Corinthians, líder do Campeonato Brasileiro e segundo time mais
popular do país:
Para o
setor Sul da Arena Corinthians (atrás do gol, oposto ao das organizadas), o
sócio-torcedor pagou R$ 388,80 no pacote com ingressos para 18 jogos do
Brasileirão. R$ 21,60 por partida. Tenha ele o direito ao benefício da
meia-entrada ou não.
Para o
setor Sul da Ilha do Urubu (atrás do gol, oposto ao das organizadas), o
sócio-torcedor pagou R$ 304,00 no pacote com ingressos para 3 jogos do
Brasileirão. R$ 101,33 por partida. Esse o torcedor que paga “inteira”. Quem
tem o direito à meia-entrada pôde adquirir o combo por R$152,00 – R$50,67 por
partida.
Os
ingressos do Flamengo são 369,12% mais caros para quem não tem a meia-entrada e
134,58% para quem tem.
Vale
destacar que o setor Leste da Ilha do Urubu tem os mesmos preços do Sul,
enquanto na Arena Corinthians as entradas custam R$33,60 por partida, ou
R$39,20 na área mais central.
O
Corinthians não disponibilizou pacote para o setor Norte, o das organizadas. Na
Arena, cobra-se R$40 a inteira para esse setor. No pacote do setor Norte da
Ilha do Urubu, sai por R$69,34 a inteira, R$34,67 a meia.
Ter uma
casa, no Rio de Janeiro, é fundamental. Se não nos querem no Maracanã,
transformamos o Luso-Brasileiro em Ilha do Urubu. Precisamos dela abarrotada,
mas mais que isso: não podemos passar a vergonha de ver um estádio tão acanhado
não ter lotação máxima em jogos do Flamengo.

quem se esforce mais, há quem se esforce menos para ver o time de perto, é
verdade. A torcida é para que, em pouco tempo, todos se desdobrem ao máximo.

Precisávamos
de uma vitória para voltar a sonhar. Ela veio, nos voos rasantes de Réver e
Leandro Damião. Que a tempestade cesse, que o céu continue a se abrir. O Urubu
lavou a alma. Ainda é tempo de decolar.

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