Kleber Leite fala em perseguição no Flamengo e ameaça processo.

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Kleber Leite, ex-Presidente do Flamengo – Foto: Reprodução

KLEBER
LEITE
: Já passou do limite a covarde perseguição política que venho sofrendo ao
longo de 20 anos no Flamengo.

Os
que, por incompetência, inconsequência e, quem sabe até, má-fé, deram início à
descabida defesa do Flamengo no caso “Consórcio Plaza”, juntamente com os
oportunistas que por mim foram contrariados em seus objetivos, somando-se
ainda, os que sem qualquer conhecimento de causa, irresponsavelmente, agridem
pelo prazer de agredir, que tomarei as medidas judiciais cabíveis contra todos
que denigrem a minha imagem.
Apresento
agora, a contra notificação, por mim encaminhada ao presidente do Conselho
Diretor do Flamengo.
RIO DE JANEIRO, 31 DE MAIO DE 2017.
Ao
Ilmo.
Sr. Presidente do Conselho Diretor do Clube de Regatas do Flamengo
Av.
Borges de Medeiros, nº 997, Lagoa
Prezados
Senhores,
                        KLEBER DA FONSECA DE SOUZA
LEITE, em resposta à notificação encaminhada por V.Sas. em 3.5.17, apresenta a
seguinte contranotificação:
                       V.Sas. exigem, por meio
da referida notificação, que o ora contranotificante efetue o pagamento de R$
61.000.000,00 (sessenta e um milhões de reais), mais acréscimos legais, no
prazo de 30 dias, sob pena de instauração de processo disciplinar pelo Conselho
de Administração do Flamengo, com vistas à aplicação da penalidade de suspensão,
que vigoraria até a quitação integral desse débito.
Desde
logo, em resposta a correspondência datada de 3.5.17, o contranotificante
afirma, aqui e agora, categoricamente que não reconhece a dívida que lhe é
imputada por V.Sas. e que em nenhuma hipótese é de sua responsabilidade o
ressarcimento de tal quantia ao Clube de Regatas do Flamengo.  É, pois, lastimável o expediente adotado por
V.Sas. que demandam o ressarcimento de um alegado prejuízo que o ora
contranotificante não deu causa.
Ressalte-se,
por oportuno, que, conforme atestou o Conselho Deliberativo desta agremiação
desportiva, todas as prestações de contas dos exercícios em que o notificante
funcionou como Presidente do Clube de Regatas do Flamengo foram aprovadas, sem
quaisquer ressalvas, não podendo V.Sas. agora, passados cerca de 20 anos da aprovação
dessas contas, pretender responsabilizar o notificante por atos que já foram
referendados pelo órgão deliberativo competente do clube.
V.Sas.
também certamente sabem que, por força do art. 844 do Código Civil, a transação
celebrada nos autos do processo nº 0077233-03.2002.8.19.0001 apenas opera
efeitos entre as partes contratantes, e, por isto, não é oponível ao
contranotificante, que não participou desse acordo.
Ademais,
ainda que fosse imputável a aludida dívida ao contranotificante ­- o que não se
admite em nenhuma hipótese -, V.Sas. declaram abertamente estar prescrita essa
pretensão de cobrança dos malfadados R$ 61 milhões.
Enfim,
por qualquer ângulo que se analise a questão, fica muito evidente que
notificação ora respondida é um completo despautério cujo propósito não pode
ser o ressarcimento do prejuízo alegado por V.Sas.
A
notificação aqui respondida é, no entanto, reveladora das reais e lamentáveis
intenções de V.Sas. É evidente o manifesto cunho político e persecutório na
conduta adotada por V.Sas. na medida em que ameaçam arbitrariamente o
contranotificante com gravosas sanções administrativas, caso não ocorra o
pagamento pleiteado na notificação. Ora, quando V.Sas. cobram, por meio da
notificação datada de 3.5.17, o ressarcimento de prejuízo daquele não lhe deu
causa, exigindo o pagamento de dívida manifestamente prescrita, relativa a fato
ocorrido há mais de 20 anos, durante uma gestão cujas contas foram aprovadas, é
de se presumir que o ora contranotificante jamais pagará tal valor. Todavia,
mesmo cientes dessa realidade acachapante, V.Sas. formulam uma descabida
cobrança, para constranger e ameaçar o contranotificante com severas sanções
administrativas.
Fica
nítido, portanto, o escuso propósito de V.Sas., que conspiram para fabricar um
“factoide” (consistente no não pagamento da alegada dívida), o que supostamente
legitimaria esse velado caráter político e persecutório, pois criaria um
fundamento (totalmente leviano, diga-se de passagem) para justificar a
imposição de sanção administrativa/disciplinar que, na realidade, é de todo
arbitrária e descabida. Essa conduta de V.Sas. viola os mais comezinhos
princípios da boa-fé na condução de uma respeitada e reconhecida entidade
desportiva. Afinal, não se pode admitir que o clube seja usado como títere de
alguns indivíduos, que, eventualmente, possuam eventuais divergências,
desavenças ou antipatias com o contranotificante.
Assim,
surpreendido com essa evidente retaliação política de V.Sas., revelada nessa
vetusta e descabida pretensão — irremediavelmente prescrita —, na qual se exige
do notificante o pagamento de quantia estratosférica que não lhe pode ser
imputável, o contranotificante reafirma que não deu causa ao débito de R$
61.000.000,00 (sessenta e um milhões de reais), mais acréscimos legais, que lhe
foi cobrado por meio da correspondência de 3.5.17.  Adverte, ainda, o contranotificante que
tomará as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis contra os responsáveis
por essa descabida e constrangedora conduta adotada por V.Sas, caso decidam
prosseguir nesse desiderato.
Atenciosamente,
KLEBER
DA FONSECA DE SOUZA LEITE

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