A caçada só está começando…

21
Diego, do Flamengo, comemorando gol – Foto: Armando Paiva/AGIF

KLEBER
LEITE
: Alguém ouviu alguma autoridade, seja ela esportiva, estadual, municipal
ou federal, sobre os tristes acontecimentos de sábado, em São Januário?

Li, no
Globo, uma declaração do procurador Rodrigo Terra, dando conta de que pediria a
interdição do estádio. De lá para cá, mais nada. Na esfera esportiva, claro que
haverá um julgamento e, alguma punição, provavelmente ao Vasco da Gama, deve
ocorrer.
Este é
o tipo de situação que, como adora o brasileiro, achar o culpado é a missão. Na
realidade, foram vários os culpados, pois não é possível que no mundo de
violência gratuita em que vivemos, não tenha havido uma única voz, com
autoridade e poder de decisão, que se levantasse para defender a tese de que estávamos
diante de uma tragédia anunciada.
Aqui
no blog, não pecamos, não cometemos este grosseiro erro, até porque, muito além
do futebol, estava em jogo a segurança de seres humanos. Inúmeros companheiros
chamaram a atenção para o que poderia ocorrer.
No Estado
do Rio de Janeiro, só há um lugar para um jogo “à vera”, entre Flamengo e
Vasco, que é o Maracanã. Que me desculpem os botafoguenses, mas o Engenhão, com
aquela enorme dificuldade de acesso de locomoção e, de ruas estreitas, também
não dá. E, para piorar a situação, o conturbado momento político do Vasco, onde
qualquer fósforo aceso se transforma em paiol, foi o ingrediente que faltava
para tanta violência.
Se o
jogo for analisado de forma lúcida, a conclusão é a de que, com a diferença de
investimentos, onde o do Flamengo é brutalmente superior ao do Vasco e,
consequentemente, em função disso tem um time muito superior, o resultado de 1
a 0 para o Flamengo, nestas condições, deveria ser analisado como absolutamente
normal.
Como as recentes vitórias do Vasco sobre o Flamengo, mesmo com equipes inferiores no papel, foram consideradas dentro do contexto por quem é rubro-negro, mesmo com insatisfação, como normal, até porque, quem conhece um pouquinho de futebol
sabe que um clássico, pela tradição, encurta a distância técnica e, que tudo
pode acontecer. O que se viu no sábado, extrapola o mundo da bola.
Infelizmente, os responsáveis pelos “outros mundos” não estão nem aí. Este
triste episódio, como resumo da ópera, como resultado final, deveria sim, ao invés
de interditar São Januário, interditar todas as autoridades que pecaram, seja
por incompetência ou inconsequência. São Januário é o mordomo…
E,
apesar de inúmeros zagueiros, quis o destino que estivéssemos à míngua neste
setor tão importante. Os únicos “inteiros” são Réver, recuperado da gastrite, e
o combatido – e ao mesmo tempo eficiente – Rafael Vaz. Além de poucos
zagueiros, pra rimar, sem Guerrero, pelo terceiro amarelo recebido no jogo
contra o Vasco. Com tudo isso, o simples fato de ter em campo Diego e Éverton
Ribeiro, não há torcedor rubro-negro que tenha uma gotinha de pessimismo. Tipo
do jogo, pela importância e pela motivação da nossa torcida, programado em
local e horário equivocados. Quinta-feira, 19h30, na Ilha do Governador, em
horário de rush e no transito caótico do Rio, é sinal claro de que está
faltando sensibilidade…
E a
boa notícia é que o Palmeiras vai completinho, no Allianz Parque, pra cima do
Corinthians. A caçada só está começando…

COMENTÁRIOS: