A mentira do momento: ‘O Flamengo cria muito e perde muitos gols’

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Guerrero durante Cruzeiro x Flamengo – Foto: Staff Images

ESPN
FC
: Por Marcos Almeida

O
Flamengo disputou 6 pontos na semana que passou, conquistou 1. Perdeu em casa
para o Grêmio, empatou fora com o Cruzeiro. Viu o Corinthians abrir 12 de
vantagem e retomou o discurso que nos eliminou da Libertadores, há alguns
meses: “O time tá criando, falta converter as chances em gol”.
Hora
de acabar com a mentira. E a verdade é que o Flamengo tem criado muito pouco.
Diante do Cruzeiro, chegou duas vezes à área: No primeiro tempo, em tabela de
Éverton com Guerrero; e no segundo, no lance do gol. Ainda gerou alguma
expectativa no arremate de Diego, de longe, também na etapa final. Fora isso,
em nada ameaçou o rival.

contra o Grêmio, assustou em 3 chutes de fora da área, com Trauco, Cuéllar e
Éverton – todos no primeiro tempo. Na segunda metade, em escanteio cabeceado
por Rafael Vaz e na jogada espetacular de Éverton, que poderia ter obtido
resultado mais positivo não fosse o destinatário da bola Leandro Damião.
Analfabeto funcional em futebol.
A
gente volta um tanto mais; encontra as vitórias sobre Vasco, Bahia e São Paulo.
Em São Januário, um lance cirúrgico de Everton Ribeiro nos abriu as portas; e
só a partir do gol o Mengo teve como criar, nos contra-ataques. Na Fonte Nova,
um chute que deu errado resultou em passe para Berrío garantir a vitória a um
Flamengo que mais defendeu do que atacou, mesmo em vantagem numérica desde os
minutos iniciais. Contra o São Paulo, uma cobrança de falta de Guerrero e, aí
sim, uma jogada trabalhada; uma chance verdadeiramente criada. Parou por aí.
A
reação pós-jogo tem sido baseada mais em estatística do que no futebol futebol.
Se o time finaliza 20 vezes por jogo, não significa que tenha criado sequer uma
oportunidade de gol. Na sexta-feira, após a derrota para o Grêmio, Diego disse
que o adversário foi mais eficiente, e ressaltou a quantidade de finalizações:
23 a 4. Sinceramente, dessas 23 bolas, quantas despertaram aquele “uuuuh” do
torcedor? Talvez só a paulada de Éverton no travessão. O Flamengo não esteve
perto de botar uma bola na rede.
Sou fã
de chutes de média e longa distância. Decidem, trocam rumos, derrubam
retrancas; mas jamais poderão ditar uma partida. “O Flamengo que cria muito e
desperdiça a maioria das oportunidades” vem tendo expressiva parte de suas
chances em chutes de longe. Bater de fora da área não é criar nada. É recurso
(um baita de um recurso, aliás); não pode ser a regra.
Compramos
a verdade inverídica de que o Flamengo muito cria e pouco converte as chances
que tem. Talvez tenhamos comprado porque o time sempre está com a posse da
bola. Por ter a bola, acabam havendo finalizações, por mais que pífias. Aí lá
aparece a estatística para corroborar com Zé Ricardo, com os jogadores, e com
parte da imprensa: ’14 milhões’ de chutes a gol por jogo. Tá vendo como o
Flamengo cria, cria, e não consegue marcar?
André
Kfouri bem destaca, em sua coluna no LANCE!, a maneira de jogar do Flamengo:
“O
Flamengo é o único time brasileiro que tem a intenção – e a capacidade – de
controlar todas as partidas negando a bola ao adversário.”
Falta
dar o passo adiante. Hoje, os bons times do país sabem neutralizar o Flamengo.
Aguardam, no campo de defesa, armam firmes linhas de marcação e “apenas esperam
pela oportunidade”, já que o Mengo vai rodar a bola de um lado para o outro,
provavelmente sem produzir nada extraordinário. Temos a posse e controlamos o
ritmo do jogo, o desafio passa a ser não controlar, mas sim impor tal ritmo.
Seguimos
dependendo de adversários que saem para o jogo e do brilho esporádico de nossos
atletas. A genialidade de Diego, o talento dos Évertons, o bom pivô de Paolo
Guerrero. Individualidades. Falta ao Flamengo encaixar as qualidades de seus
jogadores em uma forma coletiva de atuar. Mudanças só ocorrerão na hora em que
Zé Ricardo e companhia admitirem as carências do time. O maior problema não
está na finalização, no último passe. Está no penúltimo, no antepenúltimo.
Se o
Flamengo entender que peca – e muito – na criação, talvez possa enfim praticar
o futebol sonhado pela Nação Rubro-Negra. Esse time foi montado para dar
títulos, não falsas desculpas.

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