A primeira queda do Flamengo na Ilha

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Márcio Araújo e Luan disputando a bola em Flamengo x Grêmio – Foto: Buda Mendes/Getty Images

CARLOS
EDUARDO MANSUR
: Nas mais recentes rodadas do Campeonato Brasileiro, o Flamengo
estreou Rhodolfo e viu o impacto da chegada de Éverton Ribeiro, que busca
aperfeiçoar seu entendimento com o restante do time. Ontem, foi a vez de
Geuvânio fazer sua primeira aparição. E aguarda-se a possível chegada de Diego
Alves para o gol.

O
Corinthians, líder do campeonato, tem na estabilidade sua arma: sua equipe
titular inteira iniciou o ano no clube e, junta, evolui coletivamente. É um
ponto, embora não explique sozinho os 12 pontos que agora separam o Flamengo da
liderança, após a derrota de ontem na Ilha do Urubu, por 1 a 0 para o Grêmio.
Afinal,
o time rubro-negro tem uma base mantida da última temporada. E poderia, a esta
altura de 2017, estar um nível acima, especialmente na parte ofensiva. Ontem,
até teve mais finalizações perigosas do que o Grêmio, houve momentos em que o
controle da bola correspondeu à criação de chances. Mas, em muitas passagens,
foi refém de iniciativas individuais e de decisões precipitadas, algumas provocadas
por falta de opções de passe. E, diga-se, houve individualidades rendendo menos
do que o desejável. Quando uma delas é Diego, é natural o jogo se complicar.
Ainda
que com características diferentes, Flamengo e Grêmio valorizam a bola e tentam
progredir no campo através de trocas de passes. E, durante 25 minutos, a bola
até ficou no chão, mas raros eram os passes mais verticais, que atravessavam
defesas. O jogo ficava mais no terreno das intenções, uma guerra fria.
Não é
fácil para o Flamengo substituir Guerrero. E não só pela capacidade goleadora,
mas por ser a referência em torno da qual o ataque gravita. É o alvo mais
seguro dos passes, nem sempre para que conclua, mas para que segure a bola,
aguarde a chegada do time e faça o trabalho de pivô. Leandro Damião não oferece
este recurso com tanta qualidade.
Como o
Grêmio se fechava bem e o Flamengo tinha pouca aproximação entre seus volantes
e meias, não havia a sensação de que o gol estava próximo. O Grêmio é que parecia
à vontade. Tocava a bola, aparentemente reduzindo a marcha do jogo de forma
deliberada. Mesmo quando podia acelerar, não o fazia. Não finalizara com perigo
até Luan passar por Márcio Araújo e, após contar com certa dose de sorte,
chutar no canto de Thiago.
Curiosamente,
a proximidade do intervalo viu o melhor momento do Flamengo no jogo. Com o time
mais próximo, Éverton Ribeiro encontrou mais companhia e finalizou duas vezes
para Léo defender. Depois, Éverton acertou o travessão.

Ricardo foi para o risco no segundo tempo. Primeiro, tirou Márcio Araújo para
colocar Geuvânio. O Grêmio tinha espaços, mas não aproveitava. O Flamengo era
afobado e impreciso. Não havia uma atuação individual capaz de desequilibrar a
boa marcação gaúcha. E com o time que terminaria o jogo, formação talvez
inédita, o entendimento coletivo também não seria o forte.
Saíram
Trauco e Cuéllar, entraram Mancuello e Vizeu. O argentino virou o primeiro
volante, com Diego e Éverton Ribeiro completando o meio. Éverton era o lateral
de um time ultraofensivo no papel, mas que ameaçou pouco na prática, porque
perdera força para retomar rapidamente a bola, e afunilava o jogo. Uma cabeçada
de Rafael Vaz e um chute de virada de Éverton Ribeiro ainda assustaram, mas não
impediram a derrota.

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