Análise: Flamengo começa bem, repete oscilação e Arão muda cara

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Willian Arão e Fagner em Corinthians x Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

GLOBO
ESPORTE
: O Flamengo jogou melhor do que o Corinthians durante o segundo tempo
do empate em 1 a 1, na arena, mas oscilou bastante no primeiro tempo. Apesar do
bom começo, o time comandado pelo técnico Zé Ricardo caiu muito de rendimento
depois do gol marcado por Jô, que acabou anulado, antes mesmo de os donos da
casa abrirem o placar.

Até o
assistente Pablo Almeida da Costa anular o gol legal do atacante corintiano, o
Flamengo praticamente dominava o adversário. Tocava bem a bola, não era
ameaçado. Bastaram uma boa chance para o Corinthians e uma saída de bola ruim
do zagueiro Juan para o Rubro-Negro sentir.
Depois
disso tudo, os visitantes apresentaram os mesmos erros da última quarta-feira,
quando perderam por 4 a 2 para o Santos, na Vila Belmiro, mas avançaram à semifinal
da Copa do Brasil. O Flamengo não conseguia mais colocar em prática a proposta
de tocar a bola e pressionar o Corinthians.

Quanto antes conseguirmos controlar essa oscilação, vai ser melhor. Sabemos que
nos 90 minutes é muito difícil controlar isso. E prova disso foi o jogo de
hoje: começamos bem e depois o Corinthians conseguiu ter um bom domínio. Isso
mostra que nenhuma equipe vai ter o domínio durante os 90 minutos – analisou o
capitão Réver após a partida.
Os
toques, antes certeiros, começaram a não ser tão de pé em pé neste momento em
que Réver admite que o Fla oscilou. Lançamentos passaram a ser recursos. E o
Corinthians cresceu. Tanto que, alguns minutos depois, os donos da casa abriram
o placar com Jô, numa jogada muito parecida com a que terminou com o gol de
William, do Palmeiras, na Ilha do Urubu.
Neste
domingo, o lateral-esquerdo Trauco tentou tocar para Guerrero no meio da zaga
do Corinthians, que antecipou com Balbuena. O defensor avançou e tocou para Jô,
entre Réver e Pará. O atacante corintiano ganhou na corrida e abriu o placar.
Pelo Palmeiras, William havia aproveitado um lance muito parecido para empatar
o jogo.
A
diferença é que na Ilha do Urubu o Flamengo dominava o Palmeiras. Na Arena
Corinthians, o time comandado pelo técnico Zé Ricardo já havia passado a errar
muitos passes e a apostar em cruzamentos – parecia que a confiança tinha ido
embora depois do gol mal anulado de Jô. O gol adversário parecia questão de
tempo só serviu para o Rubro-Negro se perder ainda mais na partida, mas o
Corinthians não pressionou.
Até o
intervalo, o Flamengo tinha sido dois: um time seguro, que começou praticamente
controlando o adversário, líder do Campeonato Brasileiro, e um time
visivelmente inseguro que não conseguia colocar em prática as jogadas pensadas.
Os 15 minutos entre os tempos e o dedo de Zé Ricardo foram importantes.
Willian Arão e a mudança de postura
Depois
do intervalo, o Flamengo voltou com uma alteração: Willian Arão no lugar de
Cuéllar. Zé não costuma mexer entre os tempos, mas o fez contra o Corinthians.
E deu certo. O camisa 5 entrou bem, fazendo com qualidade a função de quebrar
as linhas defensivas adversárias – mais aberto pela direita.
O
Flamengo voltou a ser o mesmo time organizado do início da etapa inicial – e sem
oscilar. Com Éverton Ribeiro em tarde inspirada e Diego tentando a todo momento
se livrar da forte marcação de Gabriel (que deixou marcas na mão direita do
meia rubro-negro por causa de um pisão), os visitantes passaram a dominar o
Corinthians.
– O
importante é, na maior parte do tempo, estar bem, sabendo o que quer, o que
fazer, como aconteceu hoje. Mas esse é um fator que devemos, sim, melhorar.
Ainda falta um pouco para que possamos ser constantes e conseguir as vitórias –
completou o meia Diego.
Depois
de algumas tentativas de jogadas pelo alto, Réver empatou com um golaço após
desvio de Juan. Com Berrío e Vinicius Junior em campo, outras duas alterações
do segundo tempo, o Flamengo teve outras chances de marcar. A mais clara foi
com Diego, que recebeu de Arão dentro da área, depois de boa jogada trabalhada,
e desperdiçou.
O
segundo tempo do empate em 1 a 1 com o Corinthians serviu para Willian Arão
mostrar que ainda pode ajudar – e muito – o Flamengo. O volante, antes titular
absoluto, perdeu espaço para Cuéllar, mas deu criatividade ao meio de campo
rubro-negro, com Márcio Araújo mais recuado.

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