André Rocha critica Flamengo: “Dinheiro não garante boas escolhas”

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Técnico do Flamengo, Zé Ricardo, falando com Éverton Ribeiro – Foto: Gilvan de Souza

ANDRÉ
ROCHA
: O Grêmio vive um dilema na temporada. A alma de ”copero y peleador”
tende a privilegiar Libertadores e Copa do Brasil, mas o desempenho no
Brasileiro mostra que é possível fazer ótima campanha e ainda buscar o título.

A
derrota para o líder Corinthians em casa na décima rodada abalou a convicção e
veio o revés em São Paulo, com os reservas, para o Palmeiras. Na sequência, a
atuação espetacular do goleiro Douglas do Avaí que combinada com dois
contragolpes dos visitantes impôs mais um jogo em sua arena sem pontuar.
Ainda
assim, parecia claro que em meio às tantas oscilações dos candidatos a
”anti-Corinthians” o time de Renato Portaluppi ainda era o mais qualificado.
Provou isso na Arena da Ilha do Governador.
Sofrendo,
sim. Porque enquanto teve um mínimo de organização o Flamengo pressionou,
rondou a área. Terminou com 56% de posse e finalizou 21 vezes, nove no alvo.
Ainda a bomba de Everton no travessão. Mas sem a chance cristalina. Também pela
falta de Guerrero, mais como o pivô que dá sequência aos ataques do que
propriamente como finalizador. Leandro Damião novamente decepcionou entrando de
início.
O
Grêmio cometeu 19 faltas contra onze da equipe mandante. Finalizou apenas
quatro vezes, três no alvo. Teve no goleiro Léo, substituto de Marcelo Grohe,
um dos destaques na disputa.
Mas
não o maior. Porque Luan fez a diferença no gol único da partida. Quinto dele
no campeonato. Ganhou dos volantes Márcio Araújo e Cuéllar, ”tabelou” com
Trauco e bateu fraco, no canto do jovem goleiro Thiago que não defendeu. O
camisa sete desequilibrou, mesmo perdendo chance cristalina de matar o jogo na
segunda etapa.
Contragolpe
iniciado por um erro grosseiro de Diego, que cumpriu sua pior atuação com a
camisa do Flamengo. Além da falta dos passes criativos que este blog tanto
cobra do meia, também falhou em lances bobos, simples. Atrapalhou ainda mais
com a vontade de ajudar e moral que tem no elenco. Continuou sendo o
responsável pelas bolas paradas e não foi substituído.
Erro
de Zé Ricardo, que repetiu as ”soluções” de Cuca no dérbi paulista de ontem.
Empilhou atacantes e esvaziou o meio-campo com as entradas de Filipe Vizeu,
Mancuello e do estreante Geuvânio nas vagas de Cuéllar, Márcio Araújo e Trauco.
Levantou 23 bolas na área na segunda etapa, 35 no total. De novo os cruzamentos
quando não há espaços. Faltam ideias, fica tudo entregue às individualidades.
Desorganização
controlada pelo time gaúcho. Renato, que usou essa prática costumeira no
futebol brasileiro contra o Corinthians, desta vez reoxigenou o meio-campo com
Jailson no lugar do extenuado Arthur e depois trocou Barrios por Everton para
acelerar os contragolpes. Nem foi preciso.
Porque
o Flamengo, assim como o Palmeiras, tem poder de investimento, mas o dinheiro
não garante boas escolhas dentro de campo. Cai da vice-liderança porque não
consegue dar o salto de desempenho. Sobrecarregado na criação, Everton Ribeiro
desta vez não rendeu. Também errou muito no time que pecou coletivamente por
falhas individuais.
O
Grêmio restabelece a verdade do Brasileiro. Ainda que mais à frente priorize
outras competições e perca a segunda colocação. Hoje é mais time que o Flamengo
e só fica abaixo do líder absoluto.

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