“Bandeira precisa ser menos urubu e mais dirigente”, diz Menon

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Eduardo Bandeira de Mello, Presidente do Flamengo, tirando selfie com torcedor – Foto: GIlvan de Souza

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DO MENON
: Torcida tem um papel importante na vida de um clube. Os dirigentes
usam os números na casa de dezenas de milhões para pressionar por mais verba da
televisão. E há demonstrações de carinho impressionantes. A torcida do São
Paulo está abraçando seu time na luta contra o rebaixamento. A torcida da
Portuguesa está acompanhado seu time na Copa Paulista. Corintianos e
palmeirenses mantém taxa de ocupação em suas arenas comparáveis às dos hotéis
cariocas no tríduo momesco.

A
torcida do Flamengo deu uma prova maravilhosa de paixão no ano passado, quando
criou o ”cheirinho”, dizendo que o clube estava se aproximando do hepta. Não
deu, mas tenho certeza que a movimentação – só se falava nisso – deu muita
força ao time. Não deu e os rivais espezinharam, tiraram sarrro, mas foi com
alívio. Todos sentiram medo do tal cheirinho.
O problema
é quando a torcida começa a se achar a solução de tudo. E comece a raciocinar
em um outro nível, em um universo paralelo em que o seu Mengão é melhor e maior
que todos, dentro e fora de campo. Ela é tão forte que o time também é. Se ela
se acha invencível, o Flamengo também tem de ser invencível. E não é. Ninguém
é. Por mais que a Urubuzada se ache a maior e mais forte torcida do mundo, isso
não significa que o Flamengo, mesmo com 400 milhões de torcedores na Ilha do
Urubu, tenha obrigação de vencer o Palmeiras. Empatar com o Palmeiras por 2 a 2
é normal, é necessário repetir, como um mantra.
Não dá
para entender que um empate contra o Palmeiras, resultado perfeitamente normal
em qualquer campo do planeta Terra, seja o rastilho de pólvora contra um descontentamento
latente. O time foi eliminado na Libertadores? Foi? O time joga menos do que
deveria jogar? Sim. Mas o presidente Bandeira de Melo tem culpa de Diego errar
um pênalti? Ou melhor, tem culpa de Jaílson, a Pantera Negra, ter voltado ao
gol do Palmeiras e ter vivido um momento épico em sua carreira irregular?
E o
presidente vai discutir com torcedor? Que besteira, que coisa imbecil. Mesmo
que ele também seja torcedor –  e eu acho
saudável que seja – é hora de ter um pouco de calma e não se envolver. Basta
lembrar que contratou recentemente Geuvânio, Everton Ribeiro, Berrio, Rhodolfo
e Diego Alves, que nem estreou. Em vez de argumentar, foi aos palavrões, como
já havia feito antes.
E,
pior, foi contestar o Palmeiras. Foi discutir com Cuca.
Por mais
fanático que seja, Bandeira de Melo precisa se convencer que pode ajudar mais o
Flamengo, se for menos urubu e mais dirigente.

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