Clássico opõe Vasco ‘barato’ ao Flamengo, acusado de inflacionar

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Foto: Divulgação

O
GLOBO
: Existe uma diferença entre ser popular e ser do povo. O torcedor do
Flamengo, por exemplo, tem sentido isso na pele, ao pagar R$ 200 para assistir
a um jogo do time na Ilha do Urubu. Já o do Vasco não sofre do mesmo problema.
Um lugar na arquibancada de São Januário no clássico de hoje, às 18h, contra o
arquirrival, custou R$ 80, já com aumento de 33% em relação ao preço cobrado em
jogos de menor apelo. A diferença nos valores gera discussão sobre qual caminho
é o melhor.


muitos fatores que interferem na definição do valor de um ingresso. Quem deseja
o maior lucro, e isso cabe tanto ao dirigente de futebol quanto ao dono do
mercado, cobra pelo seu produto o preço máximo que o consumidor está disposto a
pagar. O Flamengo tem feito isso. Apesar das acusações de praticar preços
impopulares nos ingressos na Ilha do Urubu, há quatro jogos seguidos que seu
público aumenta no estádio. Fred Luz, diretor geral rubro-negro, sintetiza: o
time de astros que entrará em campo na Colina tem um preço, e ele precisa ser
pago.

Acreditamos que, acima de tudo, o que torcedor quer é um time forte. É ter
Diego, Guerrero, Márcio Araújo, Éverton Ribeiro. Já tivemos uma linha mais
populista que não levou o Flamengo ao lugar onde tinha que ir, de construir
times robustos — justificou o dirigente.
Quem
cruza essa linha tênue que separa o preço caro, mas ainda assim acessível para
parte de sua torcida, do valor que de fato afasta seus torcedores, acaba tendo
duplo prejuízo: além do financeiro, perde no aspecto técnico, sem a motivação extra
de um estádio lotado a seu favor. O Vasco, por exemplo, não abre mão da Colina
cheia. Com cinco vitórias em seis partidas em casa, tem feito do mando de campo
uma arma, e a ótima presença da torcida ajuda nisso. Os preços mais acessíveis
de ingressos facilitam o vascaíno a comprar a ideia que, financeiramente, não
traz grandes retornos para o clube: contra o Atlético Goianiense, jogo de
melhor público em São Januário este ano, a renda líquida foi de discretos R$
329 mil.

— O
ingresso para o clássico foi mais caro, mas colocamos menos mil entradas à
venda. Faltam poucos lugares na social e, no fim, imagino que a renda líquida
nesse clássico será perto dos R$ 400 mil — explicou o vice de marketing do
Vasco, Marco Antônio Monteiro.
Duelo socioesportivo
Uma
pena para a torcida do Flamengo que em São Januário não caibam mais visitantes.
Apenas 1.125 rubro-negros aproveitaram a bagatela de R$ 80, menos da metade do
que já foi cobrado na Ilha do Urubu. Com estádios distantes de oferecer grande
conforto, Vasco e Flamengo parecem estipular o preço do evento naquilo que
supostamente são capazes de apresentar em campo. Resta ver hoje quem se sairá
melhor: o inflacionado espetáculo rubro-negro ou o show popular vascaíno.

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