Como Diego Alves virou o goleiro do Flamengo

70
Diego Alves, goleiro do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

ESPN: Contratado
pelo Flamengo no meio deste ano, Diego Alves irá estrear com a camisa
rubro-negra na partida contra o Corinthians na arena de Itaquera, neste
domingo, às 16h (de Brasília), pelo Campeonato Brasileiro.

Aos 32
anos, o goleiro nascido no Rio de Janeiro começou no futebol em São José dos
Campos antes de se mudar com a família para Ribeirão Preto. Após jogar por
times amadores, ele foi para as categorias de base do Botafogo-SP.
Nesse
período, ele engordou 20 kg por causa de um tratamento contra paralisia facial
feito com o medicamento cortisona. Com a nova silhueta, ele ganhou o apelido de
“X-Tudo” dos colegas.
Mesmo
assim, Diego não parou com o futebol e conseguiu voltar ao peso normal e a se
destacar na base do time paulista. Aos 16 anos, ele viajou pela primeira vez
para Europa para disputar a Milk Cup na Irlanda do Norte, em 2001.
“Nossos
adversários eram Manchester United, Leeds, seleção do Japão e do Paraguai. Os
paraguaios foram os campeões. Nós perdemos para o Manchester na semifinal por 2
a 1 na malandragem (risos)”, disse o goleiro, ao ESPN.com.br.
O
Botafogo de Ribeirão Preto terminou na terceira posição do torneio.
“Depois
que voltei ao Brasil com a mentalidade de jogar na Europa. Eu gostei do estilo
e do futebol. Foi essa viagem que me despertou essa vontade. Via o gramado
perfeito, gostei do ambiente e pensei: ‘Poxa, eu quero isso para mim’”,
recordou.
O
arqueiro fez seu primeiro contrato e foi promovido para treinar entre os
profissionais. Além disso, fazia algumas partidas nas categorias sub-17 e
sub-20.
“Eu
joguei a Copa São Paulo de futebol júnior 2004 como titular. Saímos na primeira
fase, mas fui muito bem. O Atlético-MG me viu jogando um Come-Fogo [clássico da
cidade de Ribeirão Preto entre Comercial-SP x Botafogo-SP] e me contrataram
junto com o [atacante] Eder Luis, que jogava no Comercial”, relembrou.
Disputa com goleiro Bruno
Diego
Alves assumiu a titularidade do time sub-20 do Galo que antes pertencia ao
goleiro Bruno. Em 2005, ele fez sua estreia como profissional na goleada por 4
a 1 contra a URT-MG pelo Campeonato Mineiro.
“Eu
fiz mais dois jogos antes de ir para a seleção brasileira sub-20. O Bruno ficou
na reserva. Só que o Danrlei pegou uma suspensão de cinco jogos depois de uma
briga com o Tévez. O Bruno jogou e foi bem. Quando eu voltei, virei reserva”,
afirmou.
O
Atlético-MG acabou rebaixado para a segunda divisão nacional.  No ano seguinte, Diego ficou mais oito meses
no banco de reservas. Com a saída de Bruno para o Corinthians, em agosto, a
disputa entre os goleiros acabou.
“O
time estava na 14ª posição da Série B quando chegou o [técnico] Levir Culpi. Me
deram cinco jogos para ver como iria me sair e fui bem. Acabamos sendo
campeões”, comemorou.
Em
2007, Diego Alves manteve a posição durante a conquista do Campeonato Mineiro.
Por ter feito ótimas atuações e possuir passaporte italiano, o goleiro
despertou cobiça do futebol europeu.
“Recebi
uma proposta da Lazio-ITA, mas como o pagamento era muito parcelado o
Atlético-MG recusou. Veio o Bétis-ESP e ofereceu um bom dinheiro, mas com o
mesmo problema e recusou. Já o Almería-ESP iria pagar em apenas duas parcelas e
tudo deu certo”, explicou.
Além
do lado financeiro, a ligação de um futuro companheiro de equipe foi
fundamental para o acerto.
“O
Felipe Melo já estava lá e me ligou: ‘Diego, pode vir que aqui é um clube
correto e tudo mais’. Conversamos bastante. Eu não conhecia o Almería e com o
Felipe tive as primeiras informações. Nos ajudamos muito nesse período na
Espanha”, rememorou.
Após
ter feito 61 partidas pela equipe profissional, Diego Alves saiu do Atlético-MG
na 14ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Monstro das penalidades
Ao
chegar à Espanha, o brasileiro enfrentou desconfiança e precisou esperar por
meses na reserva antes de conseguir uma oportunidade.
“Eu
virei titular porque o goleiro do Almería tinha uma cláusula no contrato de que
não poderia jogar contra o Sevilla. Eu fui bem e não saí mais. Foi um jogo
inesquecível para mim e me fez ganhar muita confiança. Tinham muitas dúvidas
sobre mim. Pude demonstrar que o Brasil tinha bons goleiros”, bradou.
Após
quatro temporadas no pequeno time espanhol, ele foi contratado pelo Valencia.
Virou o maior pegador de pênaltis da história do Campeonato Espanhol, com 22
defesas – incluindo penalidades de Cristiano Ronaldo e Messi.
“Acredito
que seja um dos meus melhores momentos. Estou muito bem fisicamente,
tecnicamente e psicologicamente”, garantiu.
Negociado
com o Flamengo no meio deste ano, Diego Alves volta com objetivo de ser ídolo
da torcida rubro-negra e brigar por uma vaga na Copa do Mundo de 2018.
“Quando
cheguei à Europa era jovem e precisava me adaptar, depois tinha que confirmar.
Eu passei por todas essas etapas e me considero um goleiro feito para poder
aguentar este tipo de situação”.

COMENTÁRIOS: