Como é o curso de treinadores da CBF que custa até R$ 40 mil.

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Eduardo Baptista, Milton Cruz e Zé Ricardo, do Flamengo, em curso na CBF – Foto: Guilherme Pallesi‏

ESPN: Fábio
Carille é o técnico sensação do Brasil em 2017. Campeão paulista, líder isolado
do Brasileirão com 89% de aproveitamento após 13 rodadas e ainda invicto, o
jovem treinador de apenas 43 anos está no seu primeiro ano como treinador
efetivo. Justamente por isso, ainda é aluno no curso promovido pela CBF
Academy.

O
comandante corintiano está no último ano da graduação para obter a licença
profissional de técnico da CBF, em curso promovido pela entidade a todos os
treinadores do país.
A
formação apresenta quatro módulos: licença C, B, A e PRO. Carille já passou
pelas etapas anteriores, inclusive tendo lecionado no penúltimo estágio. Além
dele, também foram professores no curso da CBF Academy outros nomes renomados
do futebol brasileiro.
“Temos
vários instrutores no Brasil. Parreira, Lazaroni, Mahseredjian, Micale,
Eutrópio e outros foram alguns que deram aula nas licenças A e PRO”, disse
Maurício Marques, coordenador do curso, em conversa com o ESPN.com.br. 

“É
um curso de qualificação e especialização”, continuou.

Para
se candidatar, é necessário ser profissional de educação física ou ex-atleta.
Assim, começa na etapa C, destinada a quem trabalha em escolas de futebol. O
estágio posterior, o B, é destinado a quem está em categorias de base de
clubes, enquanto o seguinte é para quem se encontra em etapa mais avançada na
carreira. O último nível é para trabalhos internacionais ou convidados.
“E
necessário mil horas de atuação e experiência profissional comprovada, que
domine o nível que está. A licença PRO só entra por convite, quem tem atuado em
séries A e B, ou que vem do exterior ou em clubes das principais
divisões”, detalhou o coordenador do curso. A promessa é que um renomado técnico
alemão e outro holandês venham dar aulas ainda em 2017.
Ao
todo, o investimento total para quem passar por todos os degraus do curso
supera R$ 40 mil. Os valores exatos são R$ 5.267,50 pelo nível C, R$ 7.250,80
pelo B, R$ 9.926,00 pelo A e mais R$ 18 mil no estágio profissional, o último.
Além de Carille, também estão cursando este último nível do curso Vinicius
Eutrópio, da Chapecoense, e Doriva, do Atlético-GO.

Ricardo, do Flamengo, está na turma A, assim como Alexandre Gallo, do Vitória,
Claudinei Oliveira, do Avaí, Roger Machado, do Atlético-MG, Jorginho, do Bahia,
e Jair Ventura, do Botafogo. Eduardo Baptista recentemente terminou esta etapa
e, segundo a CBF, será convidado agora ao último nível.
Apesar
do investimento de R$ 40 mil, a entidade disponibiliza diversos fundos e bolsas
aos profissionais que não têm condições de pagar, além de descontos de até 50%,
segundo Maurício Marques. 

“Estamos no 10º curso esse ano e temos uma
proposta para regionalizar, fazer em todos os estados do Brasil. São, no
máximo, 50 alunos por turma”, explicou.

A CBF
informou à reportagem que, até o fim do ano passado, já emitiu 1,7 mil
certificações. A meta, agora, é alcançar mais de 5 mil certificados nos
próximos três anos. Além do que, a entidade já entrou em contato com a Fifa
para obter a mesma equiparação que as licenças da Uefa, e recebeu o apoio da
Conmebol.
“De
acordo com o protocolo da FIFA, a CBF por ser uma confederação nacional não
pode fazer encaminhamentos à Uefa, confederação continental. Então, a
solicitação foi feita à Conmebol que já iniciou as tratativas para que as
licenças da CBF possam ser reconhecidas pela Uefa”, informou a CBF ao
ESPN.com.br.
O
licenciamento do curso da CBF prevê que a partir de 2019 os técnicos da Série A
devem possuir a licença A ou PRO para estarem trabalhando. Mas esse estudo está
sendo feito pela diretoria de registro e patrimônio, e esse cronograma será
escalonado conforme indicado nesse diagnóstico, conforme disse a confederação.
No
total, as licenças da CBF possuem mais carga horária que os cursos oferecidos
pela Uefa e Conmebol. No nível PRO, por exemplo, são 370 horas, contra 369 da
entidade europeia e 360 da sul-americana. Nos estágios B e A, são 270 e 200
horas, respectivamente, bem mais também do que nas federações continentais. Na
C, são mais 140 horas/aula.
A CBF
Academy também oferece oito cursos técnicos, alheios aos já citados. Esses são
especificamente voltados a coordenação técnica, análise de desempenho,
identificação de talentos nas categorias de base, treinamento de goleiros,
preparação física, entre outros.
Todos
os cursos e licenças acontecem pelo menos uma vez ao ano na CBF, nas sedes da
Barra da Tijuca e Granja Comary. 

“Os acréscimos ao calendário de cursos e
licenças variam de acordo com as demandas que chegam de cada região do
país”, disse a CBF.

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