Detran fará projeto de biometria para estádios. Flamengo é contra

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Wallpaper da Ilha do Urubu, Estádio do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

UOL: Os
episódios de violência e selvageria no clássico entre Vasco e Flamengo, no
último dia 8, em São Januário, seguem movimentando as autoridades no sentido de
dar mais segurança aos estádios de futebol. Após reunião na semana passada com
o Ministério Público-RJ e o Tribunal de Justiça-RJ, o Detran-RJ ficou
responsável pela elaboração de um projeto que visa implementar um sistema de
biometria para a identificação de torcedores em jogos no Rio de Janeiro com
base no banco de dados do órgão.

A
verificação de torcedores por impressões digitais é, na opinião de
especialistas no assunto, a principal arma no combate à violência no futebol.
Com a biometria, diz o Ministério Público, a Polícia Militar seria capaz de
identificar torcedores com antecedentes na entrada dos estádios, o que poderia
evitar cenas como a do último clássico entre Vasco e Flamengo, que terminou com
a morte de um torcedor.
Como
contou a coluna de De Primeira, o MP tinha decisão favorável à implantação da
biometria no Estado e viu a medida cair por força de liminar expedida pela 15ª
Câmara Cível do Tribunal de Justiça. Os quatro principais clubes do Rio de
Janeiro, a CBF e a Ferj pediram a suspensão da instalação do sistema e foram
atendidos, o que atrasou o processo.
No
último dia 12, depois da barbárie em São Januário, o Ministério Público
requereu a reconsideração da decisão, pedindo mais uma vez a implantação da
biometria nos estádios. Agora, com a entrada do Detran no cenário, a situação
pode ter um outro desfecho. No encontro entre as autoridades, ficou
estabelecido um prazo de 30 dias para a entrega do projeto pelo órgão de
trânsito. Após a aprovação, ele será levado ao conhecimento dos quatro clubes
grandes, mas convencê-los não será uma tarefa fácil.
Num
primeiro momento, o quarteto, além da Federação de Futebol do Rio de Janeiro
(Ferj), têm ressalvas por acreditarem na dificuldade de uma execução ágil do
sistema nos dias de jogos, além de apontarem um alto custo na instalação da
tecnologia.
Os
órgãos, por sua vez, enxergam que, com a biometria, os clubes serão
beneficiados e sofrerão menos sanções oriundas de baderneiros, pois ficará mais
fácil a fiscalização e identificação dos torcedores impedidos pela Justiça de
frequentarem os estádios.
No
Paraná, por exemplo, a medida está avançada e o Atlético-PR já utiliza o
sistema em seu estádio, a Arena da Baixada. O clube já tem todos os membros de
organizadas cadastrados e agora tem ampliado o sistema para os demais
torcedores.
O UOL
Esporte entrou em contato com Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco e Ferj e
ouviu de cada um suas respectivas opiniões sobre a biometria. A CBF não se
posicionou sobre o assunto. Confira abaixo:
BOTAFOGO
“O
preço de como isto seria implantado é um ponto. Além disso, como se faria na
realização do jogo? Se fosse realmente implantado o torcedor teria que chegar
18h para um jogo das 22h. Isso tudo impossibilita. É algo surreal. Ainda não
chegou o pedido de reconsideração do Ministério Público, mas se chegar, faremos
a mesma coisa (tentar uma liminar)”.
Domingos
Fleury, Vice-presidente jurídico do Botafogo de Futebol e Regatas
FLAMENGO
“Avaliamos
que a implementação de um sistema de biometria na Ilha do Urubu é uma medida
bastante complexa. Entre as dificuldades, está o fato de ser necessário haver
no estádio algum sistema ‘backup’ de acesso de público. O que fazer caso o
sistema de biometria sofra uma pane? É preciso pensar nisso”.
Assessoria
de imprensa do Clube de Regatas do Flamengo
FLUMINENSE
“A
segurança nos estádios é de extrema importância para o Fluminense Football
Club. No entanto, o fundo do problema é de segurança pública, o que acarreta
que os investimentos das medidas necessárias são do Poder Público. Em especial,
os custos da biometria são bem altos e de difícil operacionalização. Mas o
Fluminense se disponibiliza a dar qualquer tipo de suporte, desde que seja
dentro das condições atuais do clube, visando garantir a maior segurança para o
torcedor carioca”.
Assessoria
de imprensa do Fluminense Football Club
VASCO
“Todas
as medidas que visam o bem do futebol são úteis. Agora, tem que saber se elas
podem ser aplicadas. Como se aplica esse sistema? Só nos estádios do Rio ou de
todo o Brasil? Eu assisto um jogo fora do Rio, lá eu serei identificado? Na
prática, acho muito bom. Quero ver se funciona. Não sou contra a biometria,
aliás, não sou contra a nada que venha a beneficiar. Mas tem determinadas
medidas que só vêm cada vez mais dificultar que o torcedor venha ao estádio”.
Eurico
Miranda, presidente do Club de Regatas Vasco da Gama
FERJ
“A
Ferj não se opõe a nenhuma medida que possa contribuir para a solução da
violência. Entretanto entende que essas medidas devem ser fundamentadas e
originadas, de estudos e debates, em conjunto, entre Clubes, Federação,
Confederação, Segurança Pública, Poder Judiciário, Ministério Público e Justiça
Desportiva, para que tenham eficácia. Somos a favor de minimizar os problemas,
aumentar os mecanismos de prevenção e punir rigorosamente todo aquele que for
autor de atos de hostilidade, selvageria e vandalismo.
Repito:
não somos contrários à instalação da biometria. Apenas há o entendimento que,
de forma isolada, genérica e não criteriosa, além de onerosa trará pouca
contribuição. Cremos que a prioridade deveria contemplar o rigoroso controle no
cumprimento das decisões proibitivas a que determinados indivíduos frequentem
as praças desportivas e fiquem sob a cautela policial, nos horários
determinados judicialmente, sob pena de agravamento da sanção no caso de
desobediência. Isso, o que se sabe, não está sendo colocado em prática e
relegada à menor importância. Defendemos uma força-tarefa para que cada
segmento, com sua expertise, forme um conjunto sólido e homogêneo. A FERJ
abomina a violência e apoia o real combate, na proporção que se coloca à
disposição para debater, estudar e encontrar soluções”.
Rubens
Lopes, presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj)

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