É hora do Flamengo aprender com seus erros

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Leandro Damião e Felipe Vizeu, do Flamengo, contra o Grêmio – Foto: Buda Mendes/Getty Images

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

Não
que tenha sido um jogo absolutamente horrível. O Flamengo dominou as ações, o
Flamengo criou chances, o Flamengo poderia, com um pouco mais de capricho e
tranquilidade (e um pouco menos de afobação e vontade de chutar a bola no
centro geométrico da camisa do goleiro gremista), ter chegado ao final da
partida com um resultado diferente. Mas não chegou. E não chegou pelos mesmos
motivos que já fizeram, tanto esse ano quanto ano passado, que o Flamengo
perdesse pontos importantes contra equipes que sabem ao menos minimamente se
postar na defesa.
Primeiro
pelo fato de que o Flamengo só sabe jogar de um jeito. Não existe variação, não
existe plano B, se Zé Ricardo tivesse um armário onde guarda seus esquemas
táticos ele iria parecer o guarda-roupa do Cebolinha, apenas shortinhos pretos
e camisetinhas verdes onde tá escrito “4-3-3 com atacantes abertos”. Existem
jogos em que isso encaixa maravilhosamente? Claro. Mas existem outras partidas
em que o 4-3-3 apenas não funciona, o jogo não flui, e o Flamengo precisa ser
capaz de oferecer algo além de “bem, vamos continuar tentando desse mesmo jeito
até eles cansarem, não sei?”.
Depois
pelo fato de que Zé precisa aceitar que os jogadores devem ser utilizados de
acordo com o que são capazes, não de acordo com o que ele espera. Damião sabe
finalizar, Damião é um jogador raçudo, Damião até mesmo sabe dar hadouken. Mas
sabe fazer pivô? Não sabe. Tem capacidade para armar uma jogada? Não tem.
Consegue se posicionar e achar espaços? Se consegue não demonstrou até hoje. Então
manter com ele o mesmo formato de jogo que era usado com Guerrero, um atacante
talvez menos finalizador mas que tem todas essas outras aptidões, é o tipo de
aposta que mostra que ou o treinador desconhece as capacidades dos seus atletas
ou acha que está numa série de super-heróis do canal CW onde qualquer desafio
pode ser superado com um bom discurso motivacional.
Por
fim, é preciso abordar a questão do Flamengo e seus volantes, que, ainda que
tímidos na armação das nossas jogadas se mostraram mortais na criação de
chances para o adversário. É mesmo aceitável que o Flamengo, um clube que tem
um meia de seleção como Diego, um atacante reconhecido internacionalmente como
Guerrero, que está negociando com um goleiro do nível de Diego Alves, não conte
com opções melhores para a posição que Cuellar, um jogador bem disposto mas no
máximo mediano e Márcio Araújo, um volante tão limitado que as limitações dele
tem as próprias limitações, todas bem limitadas? Não existem nomes na base, não
existem opções no mercado, não existe realmente a possibilidade de termos uma
dupla de volantes que não pareça menos preparada para o jogo do que os
torcedores que participam daquelas brincadeiras de chutar bola no campo durante
o intervalo da partida?
Mas
por mais que a derrota tenha sido sim um grande tropeço nas ambições do
Flamengo nesse Campeonato Brasileiro, acho que ainda é cedo para qualquer papo
de que “o ano acabou”, mesmo porque, se o ano acabasse sempre que a torcida
rubro-negra diz, já teríamos alcançado o calendário judaico e estaríamos no ano
5777. O Flamengo perdeu? Perdeu. Os líderes se distanciaram? Bastante. Mas isso
não é sinal de que o ano acabou, é sinal de que vamos ter que jogar mais bola,
ganhar mais jogos, fazer mais gols.
Mais
do que nunca é hora do Flamengo aprender com seus erros, quase sempre os
mesmos, e se tornar o time que ele pode ser e que a torcida espera que ele
seja. Não vamos deixar o ano acabar antes mesmo dos supermercados começarem a
vender panetone, Flamengo.

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