Flamengo desequilibrado

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Guerrero reclamando em Flamengo x Palmeiras – Foto: Antonio Marcos/Agência Photopress

BOTECO
DO FLA
: Sorin

Após
sequência interessante de resultados que começaram a fazer a gente olhar mais
pro Corinthians que para o nosso próprio umbigo, os jogos contra Grêmio,
Cruzeiro e Palmeiras acabaram por deixar a distância para os líderes paulistas
em incômodos 12 pontos. E olha que juntando os atabaques da Filial Audiovisual
do Boteco no YouTube com a boca de cemitério do Renato Profeta Gaúcho, a
gambazada deu duas patinadas que a gente nem esperava muito que acontecessem
diante do Atlético-PR e Avaí.
Daí é
aquilo… Quem começou bem tem a tal da gordurinha pra queimar, e quem começou
de forma Modorrenta como nós, desperdiçando pontos contra adversários mais
fracos, tem mais é que correr atrás sem poder se dar ao luxo de olhar para
variáveis como força do oponente e local das partidas. É… Bem… No caso
melhor dizer “seria”, Vencer ou Vencer.
E
convenhamos, mesmo com os desequilíbrios aos quais chegarei em parágrafo mais à
frente, bastava aquele pênalti mal batido do Diego ter estufado as redes, que o
tom desse texto e a voz das arquibancadas (reais ou virtuais) seriam bem
outros. Eufóricos e desmedidos em otimismos exagerados.
Pra
começar, o Flamengo pelos 30 primeiros minutos da partida dava a impressão de
que iria massacrar o adversário e decretar a vitória cedo. É bonito de se
ver… Mas sem querer achar que entendo muito de futebol, e quem frequenta as
Filiais do Boteco sabe que não é exatamente assim, não seria o caso do povo
pensar em campo: “Isso aqui tá legal, mas dá pra manter isso durante 90
minutos?”. E a resposta é não. Não dá. Outro ponto aí é que, talvez empurrados
e empolgados pela proximidade da torcida na Ilha do Urubu, parece que vai todo
mundo lá pra frente, esquecendo que do outro lado também tem gente que sabe
correr, o que torna o nosso sistema defensivo bastante vulnerável na hora de
segurar os ataques contrários.
Note
que usei o termo “sistema defensivo”. Não estou falando aqui do Vaz, do Réver,
ou de qualquer outro zagueiro nosso. No futebol da correria e disposição dos
dias atuais o sistema já começa lá na frente, com o mais avançado dos
atacantes, passando pela meiúca, seja lá a função do cara criador das nossas
jogadas ou destruidor das tentativas alheias.
Outro
ponto que PARECIA resolvido e apresentou um retrocesso de 115% nos últimos
jogos é a importante arma dos chutes de fora da área. Defeito nosso que não vem
nem de hoje e nem da temporada passada, que volta e meia ressurge de forma
útil… Pra em poucas partidas ser relegado outra vez ao mais completo
esquecimento.
Time
desequilibrado em campo… Claro que o descontrole passa para a Nação. Voltamos
mais uma vez a viver o cenário ideal para a Fla-Anti-Fla, aquele do “nada
presta e tem que mandar todo mundo embora”. Apesar do cargo ocupado no momento,
Bandeira também é torcedor… E é arrastado junto na correnteza do
desequilíbrio. Culpa juiz, bate boca na saída do estádio, diz que dá vontade de
desistir. Um sem número de exageros melodramáticos. Aliás… O pobre coitado
foi ofendido de forma “justa” no nosso revés da última quarta. Afinal… Não
resolveu a nossa insegurança no quesito goleiro e não contratou ninguém, deixou
passar a chance de trazer o Everton Ribeiro e, se não bastasse tudo isso, ainda
bateu muito mal na bola na hora de definir a partida com o pênalti. Façam-me o
favor…
É hora
de manter a calma? Mais ou menos. Ainda estamos no turno. A distância é grande,
mas certamente dá pra tirar. Contudo… Porém… Não é só com cabeça no lugar
que o time pode resolver isso em campo. Tem que mudar a postura. Achar um
equilíbrio entre “vaaaamuuu atacá nóis tudo de uma vez e matá esse treco logo”
e “Vamos jogar o nosso futebol de forma consciente, firme e constante que o
resultado é conseqüência”. Um pouco de cada uma dessas coisas há de fazer o
caminho das vitórias ser retomado.
No
mais é aquilo de sempre… Smurfada tem que seguir mitando fora de campo na
área administrativa. Uma hora saporra vai ter que passar a dar certo também nas
quatro linhas. E não é nem uma questão de SE, é uma questão de QUANDO.
E a
torcida… Bem… A torcida é baseada em desequilíbrio mesmo. Se após uma vitória
por um gol magro de diferença sobre o Tigres no Carioqueta a gente quer pegar o
time no colo e levar até o vôo mais próximo para a Final do Mundial… Por
outro lado tem que saber que se empatar com o Barcelona jogando na casa deles
vai ter gente torcendo o bico e achando que nada presta. A Nação é uma força da
natureza. Pro bem ou pro mal.
Bora
torcer…
Isso
aqui é Flamengo.

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