Flamengo e Palmeiras veem rivalidade diminuir

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Árbitro arbitro André Luiz de Castro expulsou Márcio Araújo durante Palmeiras x Flamengo – Foto: Divulgação

UOL: O
Flamengo recebe o Palmeiras nesta quarta-feira (19) em jogo que teve ar de
final do Campeonato Brasileiro de 2016. Um ano depois, as equipes voltam a se
encontrar com uma rivalidade bem menos latente. O jogo das 21h45 (de Brasília),
na Ilha do Urubu, coloca frente a frente dois times que são muito pressionados
por imprensa, conselho e torcida por causa do alto investimento.

Lado a
lado na pressão, as equipes também deixam de lado o ar de “cheirinho”
que ficou em 2016 para serem usados como referências de reestruturação da
gestão. Ambos os times gostam de exaltar que conseguiram equalizar as dívidas e
caminham firme para se distanciar dos outros clubes na administração de suas
finanças.
Os
cariocas agora também se orgulham em ter uma casa própria. Após considerar o
Maracanã caro, o Flamengo mostra que achou um caminho sustentável ao apostar as
suas fichas na Ilha do Urubu, assim como o Palmeiras se orgulha em ter o
Allianz Parque. E as coincidências não param por aí.
Protagonistas
do mercado
O
clube rubro-negro e a equipe alviverde “perderam contato” e
aparentemente deixaram de se preocupar com os respectivos rendimentos. No
mercado da bola, no entanto, a concorrência permanece e os rivais polarizam as
principais contratações do país, mesmo sem concorrer diretamente pela maioria
dos nomes – as exceções foram Felipe Melo e Everton Ribeiro.
Na
atual temporada, o Flamengo gastou pelo menos R$ 41 milhões na aquisição dos
direitos de jogadores. Everton Ribeiro (R$ 22 milhões), Berrío (R$ 11 milhões),
Rhodolfo (R$ 4 milhões), Renê (R$ 3 milhões) e Diego Alves (R$ 1,1 milhão)
estão nesta conta. Mas existem pagamentos parcelados de atletas comprados em
2016 e luvas que deixam os gastos na casa dos R$ 60 milhões.
Apesar
de muito a disputar ainda em 2017, os investimentos do Flamengo já se baseiam
no próximo ano. O clube se planejou para ter o quanto antes um grupo capacitado
e fechado, sem a necessidade de que os principais reforços apareçam apenas na
janela do meio do ano, fato ocorrido nas contratações de Guerrero, Diego, Everton
Ribeiro e do próprio Diego Alves.
O
Palmeiras, para suprir a saída de mais de 15 campeões brasileiros, investiu
pesado no mercado em 2017. Com apoio da patrocinadora na compra de reforços, o
clube orçou mais de R$ 100 milhões em contratações, como os R$ 35 milhões
direcionados somente para trazer Miguel Borja, hoje reserva sob o comando do
técnico Cuca.
Flamengo
e Palmeiras são considerados – ao menos no papel – os donos dos principais
elencos do país. Os paulistas são os atuais campeões brasileiros, enquanto os
cariocas venceram o campeonato estadual e lutam por títulos de expressão, o que
ainda falta para consagrar a gestão comandada pelo presidente Eduardo Bandeira
de Mello.
O dois
times também são considerados referências no aspecto financeiro. Embora sejam
pressionados constantemente por causa do alto investimento, eles também são
sempre elogiados por encaminharem um futuro tranquilo, sem antecipação das
receitas e apostando no sócio-torcedor e nos parceiros de marketing. Agora, os
flamenguistas também se orgulham em ter uma casa própria que dá renda, ainda
distante dos milhões acumulados no Allianz Parque.
A
grande diferença é que o Palmeiras consegue acelerar um pouco essa recuperação
financeira porque contou com empréstimo a juros abaixo do mercado concedido
pelo ex-presidente, Paulo Nobre, e pelo suporte da parceira na hora do
investimento. Assim, o clube só precisa mexer nas contas para pagar salários e
dívidas, que têm a projeção de serem encerradas no fim de 2018.
Felipe Melo e Everton Ribeiro ameaçam
esquentar rivalidade…
Os
dois clubes protagonizaram uma rivalidade que transcendeu os gramados na última
temporada. Palmeiras e Flamengo polarizaram durante a maior parte do ano a
disputa pelo título brasileiro. Em 2017, no entanto, a irregularidade esportiva
das duas partes amenizou a disputa regional. Não teve “cheirinho”,
nem farpas públicas.
Foram
raros os momentos de embate dos dois clubes até esta quarta-feira. Hoje camisa
7 e já destaque do Flamengo, Everton Ribeiro teve o nome vinculado ao Palmeiras
durante os meses de negociação. Pelo lado alviverde, a diretoria nega
veementemente qualquer movimentação para contratar o meia-atacante comprado
pelo Fla.
Titular
para o confronto desta quarta, Everton Ribeiro possui relação próxima ao
diretor de futebol palmeirense Alexandre Mattos – o cartola é padrinho de
casamento do meia; os dois se tornaram amigos durante as passagens de ambos
pelo Cruzeiro, clube no qual se sagraram bicampeões nacionais.
Antes
de Everton Ribeiro, o clima se mostrava mais tenso entre as duas partes. Logo
na apresentação, Felipe Melo criticou o modo com o qual o Flamengo conduzira a
negociação para o seu retorno. A resposta veio por meio das redes sociais de
Antônio Tabet, vice do Flamengo.
“Eu
fico lisonjeado por ele falar que gosta de mim como comediante. Agora, o fato
de ele achar que eu não posso ser vice-presidente de comunicação de um clube…
Ele está usando do mesmo preconceito que as pessoas têm em relação a ele de ser
um jogador violento, de ter provocado a eliminação do Brasil na Copa de
2010”, opinou o Kibe Loco sobre o volante, desfalque nesta quarta.
…que esfria com com queda do Fla e
Corinthians disparado
Meses
depois, no entanto, o desempenho esportivo dos dois times afastou o resquício
dos embates de grande repercussão do ano passado. Dois fatores prejudicam a
recente rivalidade: a eliminação precoce do Flamengo na Copa Libertadores da
América e a campanha acima da média do líder Corinthians no Brasileirão.
O time
carioca surgia, ao lado do próprio Palmeiras, como um dos favoritos ao título
da principal competição continental. No entanto, ainda na etapa de grupos, o
Flamengo acabou eliminado, o que evitou a chance de um reencontro esperado no
mata-mata da Libertadores. A queda flamenguista gerou comemoração no Allianz
Parque.
No
Campeonato Brasileiro, os dois clubes também entraram com o peso do
favoritismo, assim como o Atlético-MG. O alto investimento na montagem dos
elencos de Zé Ricardo e Cuca auxiliaram para a previsão otimista na campanha
dos dois times. No entanto, quase no fim do primeiro turno, ambos se encontram
longe da ponta.
“Muitas
vezes o que planejamos não acontece. Flamengo e Palmeiras falharam em alguns
momentos, mas temos que buscar a nossa recuperação. O início ruim fez com que
não tivéssemos na posição que gostaríamos. A sequência não é fácil, mas
trabalhamos para pontuar dentro e fora de casa”, comentou o técnico
rubro-negro.
O
Palmeiras entra em campo na Ilha do Urubu como o quinto colocado, com 22 pontos
– apenas dois atrás do próprio Flamengo, que fecha o G-4 da competição após 14
jogos. O líder Corinthians, único invicto, soma 36 e disparou na liderança do
grande campeonato do país.

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