Flamengo, Santos, Atlético-MG e Fluminense sonham com Arenas

48
Projeto de estádio do Flamengo – Foto: Divulgação

FUTEBOL
INTERIOR
: O momento econômico favorável por que passava o Brasil e a realização
da Copa do Mundo de 2014 possibilitaram a construção de novos estádios no País.
Além das arenas erguidas para o Mundial, clubes como Palmeiras e Grêmio
aproveitaram a onda para refazer suas casas. Três anos depois, o quadro mudou e
a economia brasileira sofre. Ainda assim, grandes times do futebol nacional
começam a se planejar para construir seus próprios estádios ou reformar os que
já têm.

Flamengo,
Santos, Atlético Mineiro e Fluminense apresentaram publicamente propostas de
nova arena, enquanto que o Coritiba discute internamente alternativas de um
novo estádio.
Os
clubes puderam aprender com os erros cometidos na “primeira onda” de
construções. Assim, apresentam projetos diferentes, com outras maneiras de
financiar e utilizar o espaço. Outra diferença está no tamanho desses estádios:
apenas o Atlético Mineiro deseja uma arena com capacidade superior a 30 mil –
será algo em torno de 50 mil.
Ainda
assim, o consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi se mostra
cético com a empreitada. 

“Depois do fiasco que foi a primeira onda, não
sei por que pensam nisso. Todas as administradoras dos estádios estão tendo
prejuízos”, apontou. 

“E também me surpreende que ainda falem em ‘estádio
multiúso’ como se fosse a salvação. O estádio do Palmeiras é o melhor nessa área
no Brasil porque faz jogos e shows, mas não tem exploração comercial de lojas,
museus, eventos corporativos. Quem administra os estádios da Copa está
apresentando perdas”, acrescentou.

O
especialista diz o que ele considera adequado. 

“O correto seria fazer um
business plan com antecedência, para decidir se vale a pena ter um estádio e
não para ter o estádio. Vendo a viabilidade do plano, discutir com torcedores,
conselheiros e imprensa, com transparência, e só então iniciar algo. Caso
contrário, seria melhor ficar nos estádios que já existem, como o Pacaembu
(caso do Santos) ou Mineirão (para o Atlético)”.

PROJETOS
O
Flamengo apresentou em 11 de maio um compromisso de construir um estádio na
Gávea, em parceria com a prefeitura do Rio. O planejamento está sendo
elaborado. “Há um grupo de arquitetos trabalhando em cima disso. Toda
semana nós temos três ou quatro reuniões para que a gente possa finalizar o
detalhamento do projeto desse estádio”, informou o vice-presidente de
patrimônio do clube, Alexandre Wrobel.
O
dirigente justifica a opção pela Gávea e garante que o clube se preocupa em não
atrapalhar os moradores da região, que iniciaram um abaixo-assinado contra a
construção. 

“O Flamengo entende que é um projeto viável. O clube já teve
conversas (com a associação de moradores do Leblon, bairro da região) num
passado recente, e quando o projeto for detalhado em sua plenitude, voltaremos
a conversar, pois nosso intuito é buscar um meio termo que seja bom para todo
mundo”.

Sobre
a capacidade reduzida (entre 20 e 25 mil pessoas), Wrobel diz que a intenção do
Flamengo é utilizar o estádio próprio em jogos menores. 

“Nosso foco
continua sendo brigar pelo Maracanã e ter um estádio de pequeno porte, um
estádio auxiliar, para jogos de pequeno apelo, de categorias de base”.

Financeiramente,
o Flamengo procura parceiros e confia na torcida para viabilizar a construção.
Serão feitas campanhas direcionadas aos sócios e o clube diz já ter grupos
interessados em investir na futura arena.
OUTRA VILA
O
Santos também já escolheu o terreno ideal: a sede da Associação Atlética dos
Portuários, com quem dividiria a utilização do novo estádio e das áreas sociais
a serem construídas. Entretanto, parte do espaço pertence à União e o clube
negocia para obter o controle. Oferece em troca área no Guarujá (SP), onde o
Governo Federal deseja construir moradias para o programa “Minha Casa,
Minha Vida” e que seria adquirida por investidores que desejam ajudar.
No
projeto, o clube prevê um estádio para 30 mil pessoas, capacidade insuficiente
para sediar finais de torneios da Conmebol. 

“Não podemos construir uma
arena pensando em um único jogo”, diz o presidente Modesto Roma Júnior.
Dessa forma, o Santos levaria jogos para o Pacaembu e Vila Belmiro. O custo do
estádio foi orçado entre R$ 200 milhões e 300 milhões. 

“Não sairá um
centavo do clube, será tudo bancado por investidores”, garantiu Modesto.

Em
Minas Gerais, o Atlético pretende apresentar em 7 de agosto todos os detalhes
do projeto de seu estádio ao Conselho Deliberativo para receber o aval para a
construção da grande obra.
O Fluminense
tem planos de erguer sua arena aproveitando o espaço e materiais do Parque
Olímpico da Barra da Tijuca. O estádio teria capacidade para um público entre
18 mil e 22 mil pessoas e custaria menos de R$ 100 milhões. O local também
interessa ao Flamengo. Por isso, os dois clubes cariocas fizeram manifestação
conjunta garantindo que possuem iniciativas distintas e que uma não interfere
na realização da outra.

COMENTÁRIOS: