“Flamengo tem potencial para render muito mais”, diz André Rocha

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Márcio Araújo e Rodriguinho durante Corinthians x Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

ANDRÉ
ROCHA
: Antes de qualquer análise da disputa em si, é dever ressaltar o erro
grotesco, imperdoável da equipe de arbitragem liderada por Ricardo Marques
Ribeiro no gol absurdamente mal anulado do Corinthians. Jô recebe passe de
Maycon três metros (!) atrás da linha da bola.

Ainda
que o mesmo Jô tenha aberto o placar logo em seguida aproveitando passe de
Balbuena, o crônico erro de posicionamento da defesa rubro-negra permitindo a
infiltração e o estreante Diego Alves mal colocado, não dá para dizer que o
mandante não foi prejudicado.
Porque
o Flamengo se abateu tanto por ter permitido a finalização na primeira jogada
bem coordenada pelo adversário que teria se desmanchado se o gol tivesse sido
validado. Difícil prever o que aconteceria na sequência.
Mas
também não dá para descartar a hipótese do líder do campeonato ter antecipado a
postura conservadora, confiando na capacidade de controlar os espaços e de
negar as finalizações com os movimentos perfeitos da última linha de defesa.
Futebol
é louco e apaixonante pelas surpresas que reserva conforme o jogo anda. O
Flamengo sem ideias e evolução, com Márcio Araújo inoperante na fase ofensiva,
com direito a uma finalização bizarra com total liberdade, e Diego girando,
prendendo a bola e travando o jogo novamente.
O
Corinthians repousou no resultado, acomodado pelas fragilidades do oponente,
perdendo força na saída para os contragolpes depois da troca de Marquinhos
Gabriel, lesionado, por Giovanni Augusto. Especialmente sentindo falta de
Romero, que ataca os espaços certos em velocidade. Clayson se esforçou, mas não
conseguiu manter o desempenho. Rodriguinho, o meia central atrás do
centroavante no 4-2-3-1, novamente ficou devendo.
No
segundo tempo, as entradas de Willian Arão e Berrío nas vagas de Cuéllar e
Trauco distribuíram melhor o Flamengo em campo. Everton ocupava todo flanco
esquerdo e seu xará, o Ribeiro, se juntava a Diego e Guerrero no centro para
articular e rondar a área corintiana.
Sim,
mais uma vez o time de Zé Ricardo exagerou nos cruzamentos. Foram 41 no total.
No 30º saiu o belo gol de Rever com assistência de Juan, que antes obrigara
Cássio a uma defesaça. Mas a grande oportunidade foi em jogada bem trabalhada
com bola no chão, em velocidade, passando por Berrío, Guerrero e Arão. Diego,
porém, errou feio na finalização, perdendo gol feito. Mais uma atuação bem
abaixo da média do meia. Mas só saiu com dores na mão para a entrada de Vinicius
Júnior.
O
jogo ficou aberto com o Corinthians tentando atacar para sair do sufoco. Mas
desta vez a descoordenação dos setores não permitiu que os substitutos Pedrinho
e Camacho fizessem subir o desempenho pelo aspecto físico. Ainda assim, a
chance da vitória caiu nos pés de Jô em novo chute cruzado, mas desta vez Diego
Alves estava bem posicionado. Na sequência, pixotada de Pedro Henrique, o elo
fraco na defesa corintiana, e bola no travessão.
O
empate deixa a impressão, mais uma vez, de que o Flamengo tem potencial para
render muito mais em termos coletivos. Na segunda etapa, foi quem fez o melhor
time da competição mais sofrer e ver sua invencibilidade de fato em risco. Teve
55% de posse e finalizou 15 vezes, mas só duas no alvo contra nove do Corinthians,
três na direção da meta de Diego Alves.
Porque
os desfalques pesaram na equipe de Fabio Carille e os problemas rubro-negros
nitidamente desconcentraram os donos da casa em Itaquera. Jogo maluco, com
altos e baixos. Ações e respostas inesperadas. Um erro capital da arbitragem.
Um ponto para cada lado que não satisfaz ninguém.

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