Início de Éverton Ribeiro no Flamengo contraria histórico de “árabes”

7
Éverton Ribeiro, do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

O
GLOBO
: No Cruzeiro, a chegada de Thiago Neves foi cercada de grande
expectativa, mas uma oscilação chegou a estremecer a relação com a torcida,
hoje restabelecida. No ano passado, Rodrigo Pimpão, contratado pelo Botafogo,
sofreu para se readaptar ao ritmo frenético do futebol brasileiro, sofreu uma
lesão e só foi engrenar no fim da temporada. Em comum entre os dois, um
obstáculo recorrente para reforços que chegam ao futebol brasileiro após
passagem pelo Oriente Médio: adaptar-se a uma realidade competitiva tão
diferente. A mesma dificuldade que, ao menos no início, o rubro-negro Éverton
Ribeiro parece vencer com muito mais rapidez.

Quem
viveu a experiência descreve como “um mundo diferente”. E o impacto
na sequência da carreira depende de fatores como a escolha do clube e, em
especial, o investimento do próprio jogador para tentar se manter em alto nível
competitivo.

Montamos uma academia na casa do Thiago Neves, com todos os aparelhos para
treinos funcionais, trabalhos de core (que envolve músculos abdominais e
lombares, por exemplo). Se o jogador não montar uma estrutura, pode perder na
parte física e na técnica. É fácil deixar de ter rotina de atleta – conta
Leandro Lima, que gerencia a carreira do meia do Cruzeiro.
Thiago
jogou na Arábia Saudita, onde os campeonatos têm mais público e cobrança.
Depois, ao chegar aos Emirados Árabes, deparou com uma realidade esportivamente
ainda menos desenvolvida. Éverton Ribeiro conta que seu clube, o Al Ahli,
também dos Emirados, tinha uma curiosa vantagem.
– A
gente podia usar a casa do xeque, que tinha um ginásio climatizado. Então,
especialmente no verão, treinávamos à noite no campo e, uma vez por semana, no
ginásio. Mas eu fazia um treino à parte, com um preparador de outro clube. Por
sorte, a comissão técnica do meu time tinha um técnico romeno e um preparador
italiano, que davam atenção à preparação – diz o jogador do Flamengo.
Quem
viveu a experiência no mundo árabe conta que, se o jogador se entregar aos
hábitos locais, o normal é perder uma rotina de atleta. Como a maioria dos
treinos é à noite e em um só período, torna-se comum acordar tarde, fazer
refeições e manter-se distante de atividades atléticas até o horário do
treinamento.
Outra
questão é a qualidade técnica das competições. Além do calor, os treinos
noturnos têm ligação com o fato de muitos jogadores locais terem outros
empregos. No Al Jazira, Thigo Neves tinha um policial como zagueiro em seu
time. Também era da polícia o goleiro da equipe de Éverton Ribeiro. Com uma
diferença.
– Como
muitos dos árabes do meu time, o goleiro era da seleção. Então, ele recebia o
salário de policial, mas não precisava exercer. Mas em muitos outros times
havia jogadores com outras atividades. Dava para sentir a diferença entre jogar
a Liga dos Campeões da Ásia e o campeonato local. Uma diferença física, de
força. Os times até conseguiam ter 11 titulares bons, mas caíam demais com
qualquer substituição – conta Éverton.
E, é
claro, pesam na volta ao Brasil os extremos dos calendários daqui e de lá.
Éverton Ribeiro fez, pelo Al Hilal, 100 partidas em dois anos e meio. No
Brasil, é possível ultrapassar os 70 jogos numa temporada em que o time tenha
bom desempenho. Em 2015, ele fez 46 jogos e, em 2016, o número caiu para 33. Só
no que resta de 2017, o Flamengo pode entrar em campo mais 44 vezes. Já Thiago
Neves fez 25 partidas em todo o ano de 2016. Só nos primeiros seis meses de
Cruzeiro na atual temporada, já jogou 29 vezes.
– A
gente se preocupou muito no Flamengo. Temos muitas avaliações. Em alguns jogos,
o rendimento pode ser mais abaixo, espero que não. Senti bastante as primeiras
partidas, o ritmo. Mas acho que vou me adaptando – disse Éverton.

COMENTÁRIOS:

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here