“Jogar no Flamengo é sempre brigar por títulos”, diz Marcelinho.

21
Foto: Divulgação

GARRAFÃO RUBRO-NEGRO: por Rafael Rezende

Toda
história tem seu capítulo final. Não há excessão a esta regra, e o esporte, por
mostrar o lado mais humano, é responsável proporcionar os melhores momentos. Na
última quinta-feira (06), Marcelo Magalhães Machado, o MarceZico da Nação
Rubro-Negra, anunciou que sua carreira chegará ao fim em 2018, no término da
temporada que irá começar em agosto.
São
anos de total dedicação ao basquete. Por esse motivo, Marcelinho se tornou
ídolo, ícone, lenda e referência da modalidade no Brasil. Só no Flamengo, são
dez. Junto com uma ligação fortíssima e inabalável com o clube do coração, além
de títulos expressivos e marcantes. Para explicar melhor a decisão de aposentar
e outros assuntos que todos estão querendo saber, o GRN conversou com o camisa
4 e abordou vários tópicos. Confira a entrevista na íntegra a seguir.
Motivação
ao falar sobre a renovação em termos de disputas
“A
expectativa é de fazer um grande ano. Jogar no Flamengo é estar em um time
competitivo e sempre brigar pelo título de todas as competições. Estamos vindo
de uma temporada que não foi muito boa, e isso nos dá mais ânimo para buscar os
objetivos. Já vamos começar com o Campeonato Carioca, que vai estar forte, e
Liga Sul-Americana. Se vencermos esse torneio, estaremos na Liga das Américas.
Temos desafios e tenho certeza que estaremos preparados.”
Protagonismo
do Fla e satisfação pela união com o grupo de jogadores
“O
Flamengo é sempre protagonista. E é em cima disso que a diretoria está
trabalhando e montando um time bem forte. Fiquei muito feliz por receber
mensagens dos meus companheiros. Eu costumo dizer que ter respeito de todas as
pessoas é bom, mas é melhor ainda ter de quem te conhece no dia a dia e sabe da
sua ética, que pode fazer uma avaliação com profundidade. Eles podem ter
certeza de que tentarei fazer uma temporada especial.”
Relação de amor e cumplicidade com o
torcedor
“Falar
do carinho da torcida comigo é bater na tecla desde o primeiro dia em que
cheguei na Gávea. Eu me senti abraçado na minha coletiva de apresentação como
jogador do Flamengo. Em derrotas e vitórias, os torcedores agem com respeito e
isso não vai mudar. Tanto eu, quanto eles, já estamos naquele sentimento de
saudosismo antecipado. Uma coisa que sentirei saudades é de jogar em frente à
Nação. Ela é especial e toca de forma diferente. Quero vivenciar todas essas
emoções da melhor maneira possível, afinal, depois não vou conseguir
mais.”
Fase pessoal
“Estou
me sentindo muito bem fisicamente e tecnicamente. Em 2016/2017, apesar de todas
as circunstâncias e lesões, acredito que tive um bom desempenho. Mas joguei
mais do que estava programado. Agora, sei que vou atuar por menos tempo, porém,
espero contribuir da melhor forma, assim como ocorreu há dois anos.”
Comparação com a aposentadoria de Kobe
Bryant
“O
Kobe é um exemplo de atleta para mim. Não só por conta da determinação que
sempre teve, mas pela forma que ele encarou o fim da carreira. Naquela época, o
Lakers não tinha projeção de ir ao playoff e, consequentemente, não disputaria
nada. Aqui no Flamengo é diferente, e nesse meu último ano, o foco é igual o de
sempre: conquistar vitórias e ser campeão de tudo.”
Nostalgia ao relembrar um dia marcante
“Foram
muitos momentos especiais e espero viver outros. Me lembro da conquista do
Campeonato Brasileiro de 2008, nem era NBB ainda, e a gente entrou no gramado
do Maracanã com a taça. Fui criado atrás do gol à esquerda, e vi a geração do
Zico jogar. Então, tive meu nome gritado e me marcou, pois era acostumado a ir
no estádio e ficar torcendo. Foi especial e guardo na memória.”
Encerramento de um período
vitorioso/extraordinário na vida e metas futuras
“É
um sonho realizado. Sou rubro-negro e quando retornei ao clube, em 2007, queria
ser campeão nacional. Hoje, quando olho para trás, e vejo que pude contribuir
bastante, fico satisfeito. Poder fechar esse ciclo no Flamengo é tudo o que eu
queria. Estou me sentindo tranquilo, pois foi uma decisão convicta e pensada.
Não foi fácil, porque o basquete representa muito na minha vida, são 33 anos em
quadra. Cheguei nessa conclusão motivado e ciente de que vou encerrar a
carreira em alto nível. É difícil analisar o que virá pela frente, mas venho me
preparando. Quero, sim, continuar ligado ao esporte. É onde tenho conhecimento
e vivência. Pretendo analisar várias funções para perceber em qual delas irei
me sentir produtivo e feliz.”

COMENTÁRIOS: