Jornalista sugere que Eric Faria processe o Santos: “Suposições?”

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Erica Faria, repórter da Globo, em amistoso no Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

COSME
RIMOLI
: O resumo é simples.

O Santos
acusa o repórter da TV Globo, Eric Faria, de avisar ao quarto árbitro da
partida de ontem, na Vila Belmiro, que não houve pênalti de Rever em Bruno
Henrique. E que o quarto árbitro, Flávio Rodrigues de Souza, teria revelado a
Leandro Vuaden que não houve a penalidade, que o zagueiro tocou na bola, como a
tevê mostrava.
É
possível?
É
possível.
Foram
71 segundos até Vuaden voltar atrás ao pênalti que marcou.
O
árbitro nega a interferência, a não ser do quarto árbitro.
“Que
fique bem claro que não houve nenhuma interferência externa. Fico muito triste
quando pessoas tentam adicionar alguma coisa ou contestar alguma decisão
dizendo que houve interferência. Deixando bem claro o que aconteceu, no
deslocamento houve um contato, e de forma tardia, acabo assinalando. Não estou
100% convicto, mas optei por tomar a decisão.
“A
partir daí, houve um protesto, também estou com dúvida. Qual recurso que tenho?
Por mais distante que esteja, o ângulo de visão do quarto árbitro é melhor que
o meu. O que eu fiz, o que o futebol espera que seja feito, foi buscar uma
informação no (quarto) árbitro”, diz Vuaden.
O
quarto árbitro, Flávio, se defende.
“Eu
tenho uma carreira a zelar. A gente não chega da noite para o dia em jogos como
esse. Eu jamais colocaria em risco para tentar salvar um jogo. Uma
interferência externa para nós é algo muito grave. Não existe essa hipótese. E
outra coisa: os bancos de reservas na Vila Belmiro ficam muito perto de onde
fica o quarto árbitro. Se eu tivesse tido qualquer conversa com qualquer
repórter, o banco do Santos veria e reclamaria. Pode notar que acabou o jogo e
ninguém tocou no assunto, ninguém reclamou.”
Mas os
dirigentes do Santos tem certeza que Eric interferiu. Só que eles precisam
provar o que afirmam publicamente. O clube não tem o direito de desmoralizar
quem quer que seja, sem ter algo real nas mãos, não suposições.
No ano
passado, quando houve a vergonhosa e proibida interferência do inspetor de
árbitros Sérgio Santos no Fla-Flu. A leitura labial permitiu ter a certeza de
que ele avisou o árbitro Sandro Meira Ricci de que o gol marcado por Henrique
aos 37 minutos do segundo tempo, para o Fluminense, fora impedido.
O jogo
ficou paralisado por 13 minutos. Inicialmente, o assistente Emerson Augusto de
Carvalho havia invalidado o gol, flagrando a posição de impedimento do zagueiro
(correta). Ricci deu gol, porém, após confusão generalizada no gramado do
Raulino de Oliveira voltou atrás e confirmou a invalidação do gol.
A dona
do monopólio do Campeonato Brasileiro, a Globo, fez a revelação no seu programa
Esporte Espetacular. Regis Resing Rosing foi o autor da reportagem. Mas quem
estava na transmissão e no meio da confusão, era Eric Faria.
Depois
da matéria ir ao ar, o vice-presidente do Fluminense, Leonardo Lemos, deixou
claro o que pensava no twitter.
“Parabéns
ao @RegisRosingGE por fazer a matéria q o @ericfaria74 não quis fazer no dia
seguinte para proteger seu clube de coração.”
Sandro
Meira Ricci foi apitar por uns tempos na Índia, o jogo não foi anulado, mesmo
com a leitura labial, nada mudou.
A não
ser para Eric.
Ele
passou a ser policiado.
O
conheço há anos, nos encontramos sempre na cobertura da Seleção Brasileira. O
que vou contar não é nenhum segredo. Ele é flamenguista, como deixa claro nas
suas redes sociais. Como há jornalistas são paulinos, palmeirenses, vascaínos,
corintianos. É o direito de cada um.
Mas
sempre foi muito sério nas coberturas.
Com
informações confiáveis, checadas.
O que
não pode acontecer, em relação a ontem, é leviandade.
O
Santos tem a obrigação de provar que foi Eric quem avisou ao quarto árbitro.
Nunca houve uma ação tão direta, com a exposição de um repórter diante de
milhões de torcedores. Como Eric poderá trabalhar na cobertura de qualquer jogo
na Vila Belmiro ou em outra partida que o Santos estiver envolvido?
Ou
mesmo em jogos do Flamengo?
É a
carreira de um profissional respeitado que está em jogo.
Tudo
vai muito além do assessor de imprensa imaginar algo e colocar no seu twitter.
O Santos Futebol Clube mandou um ofício à CBF acusando oficialmente Eric de
interferir na arbitragem de Leandro Vuaden.
Que se
prove.
E a
partida acabe anulada, os repórteres sejam proibidos de ficar na lateral do
campo, durante os jogos, e se comunicarem com os árbitros.
Que
Eric seja descredenciado.
Mas se
não houver prova, que Eric reaja.
E
processe quem tem de processar.
Não
atacando a ESPN/Brasil por replicar as acusações do Santos, como fez no seu
twitter. Nela há a citação de uma suposta câmera, que teria flagrado o repórter
falando com o quarto árbitro.
“Que
matéria sem vergonha! Não é possível que um jornalista assine uma barbaridade
dessas. Vocês são profissionais mesmo??? Suposta câmera???”
Isso
não leva a nada.
A
situação é grave, não é uma discussão de boteco.
Que a
Globo o ampare judicialmente.
Aliás,
a emissora quer que o Santos prove a interferência.
Há limites
para tudo.
Principalmente
para suposições.
Interferir
junto ao quarto árbitro é criminoso.
Torcer,
gostar de um clube, não.
Que a
verdade venha à tona.
Para o
bem do futebol brasileiro.
E para
a carreira de um profissional de respeito.
Que
não pode ser bode expiatório de uma eliminação…

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