Mansur destaca protagonismo do Flamengo em São Januário

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Everton Ribeiro durante Vasco x Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

CARLOS
EDUARDO MANSUR
: Além de questões técnicas e táticas, o futebol também envolve
os papéis que cada time, que cada clube decide assumir. O Flamengo tem melhor
time do que o Vasco e, embora ainda tenha bastante a melhorar no seu desempenho
coletivo, assumiu este compromisso com o protagonismo. Foi o que o conduziu à
vitória por 1 a 0 num jogo distante de ser brilhante do ponto de vista técnico.

O que
preocupa no Vasco é justamente o oposto. Em campo, pela forma como se assumiu
uma equipe de ambições menores num clássico e contra um rival tradicional,
dentro de sua casa. Especulou com o jogo todo o tempo, quase não arriscou,
parecia preferir que o tempo passasse. Mas acabou que o comportamento do time
foi só um detalhe.
No
fim, veio a parte mais feia deste Vasco atual. O presidente Eurico Miranda
falou em fazer de São Januário o grande aliado do clube, uma espécie de
fortaleza. Não haveria nada de errado, se São Januário se diferenciasse apenas
pela influência técnica, esportiva, a favor do time da casa. Mas virou uma
espécie de território com lei própria, onde nem toda manifestação é possível e
onde a reação à derrota, ontem, desafiou qualquer noção de bom-senso.
O
Vasco tem todo o direito de pretender que seus jogos sejam disputados em sua
casa. Mas não a qualquer preço, sob quaisquer condições de segurança. Encerrado
o jogo, foram 15 minutos de um Flamengo acuado no campo enquanto bombas eram
arremessadas e a correria tomava conta da arquibancada. A última imagem, o time
rubro-negro e a equipe de arbitragem correndo rumo ao vestiário enquanto  bombas estouravam ao redor, dava a
demonstração final de que se ultrapassara o limite do tolerável. Uma punição
rigorosa é o mínimo. Repensar o tipo de clube que se criou, hoje território
conflagrado, armado, intimidatório, é outro dever de casa.
Antes
disso, houve um jogo. Nem sempre bom. Claro que uma série de dificuldades
técnicas dos dois times contribuíram para o espetáculo pobre do primeiro tempo.
No entanto, parece ter sido criado um senso comum de que um Vasco x Flamengo
precisa ser ganho, antes de na bola e na técnica, através da imposição pela
valentia e pel atruculência. O resultado foram 18 faltas, quatro cartões e só
uma finalização na direção do gol. O que minou a possibilidade de um jogo
bonito.
A
previsão de um Flamengo com controle da bola e um Vasco de contragolpe ficou
mais no terreno das intenções do que das realizações. Porque o rubro-negro até
ficou mais com a bola, mas teve raríssimos momentos de trocas de passes, de
aproximação entre jogadores, sucumbindo a bolas forçadas, esforços individuais
e cruzamentos.
O
Vasco, deliberadamente, fazia pouco esforço para jogar no campo rival. Buscava
iniciar os lances pela direita tentando achar Nenê numa inversão para o lado
contrário. Não teve sucesso, porque a bola saía mal tocada de trás. O primeiro
tempo ainda teve duas lesões: pelo Vasco, a de Bruno Paulista, cruel pelo longo
tempo de espera pela estreia; no Flamengo, de Rhodolfo, outro recém-chegado.
Se
alvo havia de intenção clara de construir jogadas era o lado direito do
Flamengo, quando Rodinei, Diego e Éverton Ribeiro se juntavam para jogar. Dali
surgiu a triangulação e o arremate de Diego, desviado pela zaga. Foi o que se
aproveitou.
O
segundo tempo teve um Flamengo assumindo, de vez, a condição de time disposto a
ganhar. E o jogo aconteceu no campo defensivo do Vasco. E o que sustenta esta
postura rubro-negra é, acima de tudo, a certeza de ter ampliado sua qualidade
técnica nos últimos tempos. E o toque final é Éverton Ribeiro. Seu impacto é
notável e acabou refletido no lance do gol que definiu o clássico. O drible em
Henrique é para ser repetido, como uma forma de amenizar a angústia que todos
que gostam de futebol sentiram diante de tantas cenas tristes neste sábado. E o
cruzamento milimétrico para Éverton terminou de iluminar um jogo carente de
grandes lances.
O
Flamengo era dominante a esta altura, mesmo sem ter uma grande noite de Diego,
por exemplo, e tendo perdido Guerrero após choque de cabeça. Num contra-ataque,
Leandro Damião e Éverton Ribeiro perderam ótima chance.
O
cansaço dos meias do Flamengo e a decisão de dar um pouco de campo ao Vasco
levou certa incerteza ao fim do jogo. Mas os vascaínos não chegaram a ameaçar,
de fato, o resultado que faz do Flamengo o vice-líder, ao menos até o fim da
rodada.

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