Maurício Prado diz que Flamengo precisa buscar novo técnico

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Zé Ricardo, técnico do Flamengo, e Renê – Foto: Pedro Vilela/Getty Image

RENATO
MAURÍCIO PRADO
: Empatar com o Cruzeiro, no Mineirão, em condições normais, nem
deve ser considerado mau resultado. Mas pelo que se viu em campo, mais uma vez,
a torcida do Flamengo tem motivos de sobra para reclamar. Rodada após rodada,
apesar da chegada de reforços de qualidade, o time de Zé Ricardo continua a ter
como principal (e praticamente única) opção de ataque o manjadíssimo e pouco
eficiente chuveirinho.

Com
seu estilo de privilegiar, acima de tudo, a posse de bola, o Fla domina o
meio-campo, cisca, cisca e tome de bola alta sobre a área. Cruzamentos
sucessivos e extremamente mal-feitos. Em 99% das vezes, não dão em nada. E
surgem, então, perguntas daquelas que não querem calar:
Por
que os jogadores não chutam mais de fora da área?
Por
que TODAS as faltas laterais têm de ser cobradas altas, no  medíocre chuveirinho?
Por
que, contando com jogadores habilidosos, como Diego, Éverton Ribeiro, Guerrero
e Éverton, não há triangulações, jogadas de ultrapassagem e tabelas?
Por
fim: se o treinador considera os cruzamentos tão importantes assim, por que,
pelo menos, não são aprimorados? Os rubro-negros não acertam praticamente uma
bola na cabeça de seus jogadores!
O fato
é que o que mais irrita o torcedor é a impressão, que se fortalece na medida em
que o elenco se reforça, de que Zé Ricardo parece incapaz de fazer o time jogar
um futebol à altura dos jogadores que tem.
Essa
tática do “cisca-cisca”, por exemplo, pode até ser razoável em determinadas
circunstâncias. Mas hoje, contra o Cruzeiro, matou as possibilidades de
contra-ataque, dando tempo à defesa mineira de se rearrumar e se fechar em
várias oportunidades. Resultado? Bola alta a esmo na área rival.
Se no
ataque o impasse continua, na defesa, viu-se também, há muita coisa a acertar.
O gol do Cruzeiro só foi possível graças a uma bobeada de Réver
(principalmente) e Rafael Vaz que, em linha, não perceberam a infiltração de
Sassá. E no primeiro tempo, no espaço entre os dois, Thiago Neves só não marcou
porque o goleiro Tiago fez grande defesa. Ou seja, há falhas na marcação –
individuais e de posicionamento…
Depois
de perder em casa (para o Grêmio) e deixar escapar a vitória no Mineirão, o
Flamengo ficou a 12 pontos do líder Corinthians. Ainda falta muita coisa, mas
começa a ficar difícil crer nas possibilidades de título brasileiro.
Com a
desclassificação vexatória na Libertadores, restam a Copa do Brasil e a
Sul-Americana. Com o investimento que está fazendo e os jogadores que tem ao
menos um desses títulos passa a ser obrigação.
A par
disso, já está na hora do presidente Eduardo Bandeira de Mello e o comando do
futebol começaram a olhar, com atenção e carinho, o mercado de técnicos (quem
sabe no exterior). Não adianta nada juntar um punhado de bons jogadores e
continuar com um técnico que aposta todas as suas fichas no prosaico
chuveirinho.

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