Maurício Prado vê Zé Ricardo perdido com elenco do Flamengo

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Médico Márcio Tannure e Zé Ricardo, treinador do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

RENATO
MAURÍCIO PRADO:
Como é possível um time levar quatro gols em bolas nas costas
de sua defesa, em três jogos seguidos? Como admitir que o treinador não perceba
as falhas de posicionamento de seus zagueiros e volantes e as corrija?

Essa é
a grande questão rubro-negra no momento. Tais espaços gigantescos na zaga
comprometem qualquer atuação, qualquer campanha, qualquer sonho de título. E
eles continuam a existir, autênticos buracos negros numa equipe que, agora,
está cheia de bons jogadores, mas não consegue se acertar.
A
vitória sobre o Coritiba foi sofrida e sofrível. Uma vez mais, após um bom
início (abrindo 1 a 0, logo cedo, numa jogada que começou com Geuvânio, passou
por Éverton Ribeiro e terminou com Berrio tocando para o fundo da rede), o
Flamengo foi se complicando sozinho, não conseguiu marcar o segundo gol e, no
primeiro minuto do segundo tempo, sofreu um empate, em mais uma bola nas costas
de seus zagueiros. Parêntesis: como se leva uma bola nas costas com um minuto
do segundo tempo?!?
Com 1
a 1 no placar, bateu o desespero e, de novo, a síndrome do chuveirinho. E nada
mais funcionava. É verdade que houve um gol anulado de Guerrero (pra mim, na
mesma linha) e um pênalti não marcado em Vinícius Jr (que substituiu Berrio).
Mas mesmo assim, não dá pra esconder a péssima atuação do time todo no segundo
tempo.
A
substituição do colombiano, aliás, foi absolutamente incompreensível – ele era
um dos melhores em campo! Colocar o menino prodígio do Real Madrid, tudo bem.
Mas no lugar do Berrio? Enfim…
A
salvação rubro-negra (e de Zé Ricardo) veio já nos acréscimos num pênalti (aí,
sim, marcado) indiscutível e tolo, em cima do moleque talentoso. Éverton
Ribeiro bateu devagarzinho, no canto oposto ao do goleiro e garantiu os três
pontos.
Como
explicou na coletiva, após a partida, com as entradas de Vinícius Jr, Vizeu (no
lugar de Geuvânio) e Paquetá (no de Rômulo), o Flamengo foi do 4-3-3 para o
4-1-4-1 e, posteriormente, para o 4-2-4! Salada total.
A
sensação que tenho é que Zé Ricardo está perdido com tantos bons jogadores
chegando. E ai me lembro das rodadas de biriba com a família quando havia um
dito cruel, mas verdadeiro: “Curinga demais, na mão de bobo, atrapalha”.
Será o
caso? A conferir na próxima quarta-feira, quando o Flamengo vai enfrentar o
Santos, como visitante, e leva a boa vantagem de 2 a 0, da primeira partida. O
Mais Querido tem tudo para se classificar para a próxima etapa da Copa do
Brasil, um dos títulos importantes que pode salvar sua temporada (o outro é o
da Sul-Americana).
Se der
zebra, até para o presidente Bandeira de Melo ficará difícil continuar a
defender seu inexperiente treinador. Dirigir as divisões de base é uma coisa;
os profissionais, outra, diferente e bem mais difícil. Daí, senão souber usar
bem os muitos curingas que lhe foram colocados nas mãos, adeus!

Em
tempo
: gostei da camisa amarela e azul. Eram essas as cores originais do
Flamengo e achei o uniforme atual moderno e bonito.

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