O empate é um mau resultado

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Diego e jogadores do Flamengo comemorando gol – Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images

FUTEBOLZINHO:
Por Arthur Muhlenberg

Que
momento especial vive o Flamengo. Depois de anos intermináveis de meia-boquismo
em contratações hoje temos um time em condições de brigar pelos títulos no
papel, sem precisar entrar na conta torcida e camisa, entre outros itens do
nosso patrimônio intangível. A chegada do Diego Alves, goleiro de primeira
linha, é um forte indício de que construiremos, enfim, um time forte em todas
as posições. E olha que a torcida do Flamengo nem é muito exigente quando o
assunto é goleiro. Não tomando gol nunca e tratando a bem a namorada já ficamos
satisfeitos.
Mas é
claro que não podemos estar 100% satisfeitos, principalmente porque o
Departamento de Contratassão de Jogadô do Flamengo continua operando de acordo
com o calendário europeu. Nosso time, mais uma vez, foi montado enquanto o
campeonato tá rolando. Nem acho que o Flamengo está errado. Errado está o
calendário brasileiro, isolacionista. De que adianta trazer altos craques em
dezembro e janeiro? Pra em fevereiro colocar na roda suas multimilionárias
canelas no prestigioso Carioqueta jogando contra Foguinhos, Bangus e Art-Suls?
É melhor deixar os caras virem só no meio do ano mesmo, pelo menos economiza-se
salário e vale-transporte. Mas não dá pra deixar de imaginar o quanto se
ganharia em entrosamento se o Flamengo inovasse e começasse a ter seus times completos
no início das temporadas.
Com o
CT em pleno funcionamento e um estádio alugado pra chamar de seu, o Flamengo,
agora finalmente de acordo com as pirâmides estruturais dos manuais de gestão
de futebol business, pode começar a sonhar de verdade com a tão temida
germanização do futebol brasileiro. Demoreaux! Claro que para isso ser verdade
verdadeira o Mengão precisa parar de perder ponto na Ilha. Já vi isso acontecer
uma vez e não gostei.
O
Flamengo vinha começando a fazer valer a vantagem da qual estava proibido de
desfrutar nos últimos anos que é jogar em casa. A Ilha do Urubu, onde
supostamente estariam estatutariamente proibidos os gols feios, começava a
funcionar do jeito kosher até que veio o jogo com os norte-uruguaios pra acabar
com a castidade de nossa pristina estatística. Nos venceram com gol escroto
mesmo, vitória que, injustamente, vale os mesmos 3 pontos dos nossos triunfos
com golaços.
Essa
frescura de invencibilidade local, que com o passar do tempo acaba se tornado
um peso, felizmente acabou. O Flamengo, como todo mundo já sabe, não é muito
afeito à manutenção deste tipo de condição que implica obrigatoriamente em
defensivismo. Aqui é Flamengo, agimos mais de acordo com a nossa natureza
quando jogamos pra frente, fazendo do ataque a melhor defesa.
Hoje
retornaremos ao local do recente desvirginamento para enfrentar um neo-rival,
cuja atual proeminência se deve em parte ao mecenato semiprofissionalizado sob
o qual opera (em pleno século XXI! Tsc, tsc, tsc.) E em parte aos esforços
anabolizantes da imprensa d’álém Dutra, que força a barra até onde os cânones
da pós-verdade permitem pra convencer a patuléia de que o Palestra, malgrado
suas frequentes incursões pela lama pestilenta e mefítica das divisões
subalternas do futebol pátrio, é uma grande equipe. Só se for pras negas deles,
no cotejo com o Mengão, divisionalmente incorrupto, os Série B da Turiaçu não
dão nem pra saída.
Resguardadas
as desproporções, de nada adianta a superioridade ontológica do Flamengo se não
ganhar dos caras hoje. Por favor, você que é um torcedor ponderado e racional,
me poupe da platitude de que o empate é bom resultado. No atual nível de
desenvolvimento do Flamengo o empate não nos serve. Para não repetir a
frustrante campanha de 2016 e subir ao Olimpo nacional o Flamengo precisa ser
radical apenas num ponto: ganhar os jogos que realmente importam. Só o cume
interessa.
Claro
que é legal ganhar da São Paulo e demitir o Rogério Ceni. Assim como é uma
delícia golear a Chape, esculachar a Vasca e interditar a pocilga até o fim dos
tempos. Mas esse ano o jogo que o Flamengo tinha que ganhar, para não citar o
San Lorenzo no macabro Gasómetro, era o do Grêmio. Não ganhou, beleza, é do
jogo, na Gávea é terminantemente proibido o chororô. Pro nosso Hepta ser mais
do que uma agradável fragrância, percebida unicamente pelos nossos neurônios
olfatórios, temos que passar por cima dos porcos. Hoje.
Flamengo,
atende nosso último apelo, seja fod*! De mais ou menos basta a vida.
Mengão
Sempre

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