Orlean projeta receitas com PES e LoL para o Flamengo.

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Guerrero, Diego e Everton, do Flamengo, no Pro Evolution Soccer 2017 (PES) – Foto: Reprodução

EPOCA
EC
: Futebol, basquete, vôlei e… League of Legends. O Flamengo vai aderir a
uma tendência global: criará uma divisão de esportes eletrônicos. Ou eSports.
Paris Saint-Germain, Roma, Bayern de Munique, Real Madrid, Sporting, entre
outros clubes tradicionais do futebol europeu, tomaram o mesmo caminho nos
últimos anos. No Brasil, apesar de haver um público estimado em 66 milhões de
gamers, segundo pesquisa da consultoria Newzoo, o território permanece
inexplorado.

O
intuito flamenguista é o mesmo que motiva europeus: chegar a um público que não
está mais nos estádios, mas nos videogames. O jovem. A estratégia foi aberta a
ÉPOCA por Daniel Orlean, vice-presidente de marketing. O dirigente rubro-negro
detalhou os planos nos eSports para já: fazer seletivas nacionais para League
of Legends (LOL) e Pro Evolution Soccer (PES), montar equipes próprias e captar
patrocinadores para sustentá-las sem sacrificar recursos do futebol.

Jogadores do Flamengo no Pro Evolution Soccer (PES) 2017, na Ilha do Urubu – Foto: Reprodução

Leia,
abaixo, a entrevista na íntegra.
ÉPOCA – Por que o Flamengo decidiu
investir em eSports?
Daniel
Orlean – A gente vem há mais de um ano estudando, no marketing, maneiras não só
de aumentar os ativos que temos a oferecer aos parceiros, mas algumas opções de
médio e longo prazos para o nosso público – o atual e o futuro. Isso significa
montar um time de um determinado esporte, no caso esportes eletrônicos, que
está atraindo bastante a atenção e a audiência para chegar a um público que não
necessariamente curte só futebol.
ÉPOCA – Quais são os parceiros do Flamengo
nessa iniciativa?
Orlean
– Do ponto de vista de estruturação dos times, estamos com a Cursor eSports. É
uma empresa que recebeu investimentos da Go4it, do Cesar Villares e do [Marc]
Lemann. A Go4it trouxe alguns parceiros para a mesa nos últimos anos, como o
Uber, e trouxe essa empresa. Gostamos da pegada da garotada. São gamers de 18,
19, 20 anos.
ÉPOCA – E sobre patrocinadores?
Orlean
– Do ponto de vista dos patrocinadores, entendemos que tanto os atuais como
outros podem se envolver com a gente em diferentes níveis de interesse. Pode
ser interessante para eles o diálogo com esse público mais jovem, que é mais
fácil de ser medido porque tudo está no mundo digital. Não vou divulgar com
quem já estou fechado, porque ainda preciso assinar, mas tenho acordos com
gente da turma atual de patrocinadores e de outras turmas. Além disso tivemos
dez consultas informais sobre ativos que vamos oferecer, valores praticados,
oportunidades.

Réver, Muralha, Rafael Vaz e Rodinei, do Flamengo, no PES (Pro Evolution Soccer) 2017 – Foto: Reprodução

ÉPOCA – O Flamengo fará investimentos com
recursos do clube?
Orlean
– Não vamos tirar valores de outras áreas. Estamos fazendo novas captações. O
plano é tão viável que no primeiro patrocinador já recompõe. O foco é ser autossustentável.
ÉPOCA – O Flamengo vislumbra gerar
receitas com essas modalidades? Em quanto tempo?
Orlean
– É uma área que está crescendo. Até 2020 as projeções são de mais de bilhão em
receitas nessa área na indústria. Não tenho extremo otimismo de já no primeiro
ano ter um saldo positivo. Nos dois primeiros anos o interesse é ser
autossustentável e depois disso gerar recursos além do que vamos gastar. Como o
Flamengo tem sido bastante cauteloso com orçamento e gestão, planejamos gastar
só o que vamos arrecadar com seletiva e patrocínio para montar o time e
divulgar. Em dois anos isso começará a ser rentável.
ÉPOCA – Quais serão os games em que o
Flamengo investirá?
Orlean
– LOL e PES. O LOL pela audiência, pelo crescimento e pelo perfil do público
que está curtindo. O PES, além disso, porque já é um parceiro antigo, a Konami,
que tem contrato conosco até o fim de 2018. Nada mais natural [do que criar um
time profissional].
ÉPOCA – O Flamengo fará parcerias com
equipes tradicionais da comunidade dos eSports? Pensa em se unir a alguma
equipe e apenas batizá-la com o nome do clube?
Orlean
– Não, não vamos fazer. Parcerias, sim, posso fazer diversos tipos. Mas não
naming right. Não é nossa intenção usar uma equipe já existente para colocar o
nome do Flamengo. Queremos uma equipe própria, selecionada por nós.
ÉPOCA – Isso significa que o Flamengo fará
seletivas nacionais para peneirar “eAtletas”? Como no futebol?
Orlean
– Estamos desenvolvendo a estratégia e vamos divulgar no lançamento, mas
basicamente é para o Brasil inteiro. É como uma peneira, mas como posso fazer
isso digitalmente não preciso do deslocamento das pessoas. Posso fazer no
Brasil inteiro, selecionar as melhores e dar sequência com etapas que ainda não
posso abrir.
ÉPOCA – Quais são as próximas instâncias
que precisam aprovar a iniciativa dentro do clube?
Orlean
– Nenhuma. O projeto já foi aprovado em todas as instâncias. Está agora com o
marketing para conseguirmos patrocinadores.

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