Os desafios do Flamengo para entrar no E-Sport

49
Meia Diego, do Flamengo, ao lado de GuiFera, campeão de Pro Evolution Soccer (PES) – Foto: Kin Saito/CBF

SPORTV:
O ano de 2017 tem sido marcado pela entrada de gigantes do futebol brasileiro
nos esportes eletrônicos. Depois de Ronaldo Fenômeno virar sócio da CNB – uma
das maiores organizações do setor no país -, o Flamengo anunciou no início do
mês que passará a investir no cenário daqui para frente. O clube terá uma
equipe própria de League of Legends no próximo ano e ainda estuda a entrada no
competitivo de Pro Evolution Soccer, o PES.

– A
gente começa com o LoL. Não vou dizer por qual circuito a gente começa, qual a
nossa estratégia, porque não quero entregar o jogo antes do lançamento, mas é
por aí. É LoL, é time próprio, é estrutura própria, é Flamengo. Isso que acho
que é importante. A gente quer ajudar o cenário e obviamente aprender com esse
cenário que é fantástico que já venho acompanhando há algum tempo – disse
Daniel Orlean, vice-presidente de marketing do Fla.
O
Flamengo anunciou a intenção de ter times de e-sports sem parcerias com
organizações já existentes. Assim, o desafio aumenta, e o clube vai precisar
vencer barreiras para se tornar vitorioso também no esporte eletrônico, assim
como já conseguiu em outras áreas longe do futebol. O SporTV.com aponta os
principais desafios.
GAMING HOUSE
Um
grande passo para a inauguração de uma equipe de League of Legends é a abertura
de uma gaming house, espécie de concentração em tempo integral para treino e
moradia dos jogadores. O LoL é um game disputado por cinco jogadores – times
profissionais contam também com pelo menos dois reservas e comissão técnica.
O
SporTV.com apurou que o custo para a construção ou adaptação de um local para
funcionar como gaming house pode ultrapassar a marca de R$ 1 milhão. Esse é o
valor médio gasto por organizações da elite do CBLoL (Campeonato Brasileiro de
League of Legends), a principal competição nacional do game. Considerando folha
salarial, o impacto mensal de um time de LoL pode ultrapassar facilmente R$ 150
mil.
É
claro que o Flamengo já conta com uma grande estrutura, pensada para diversas
modalidades esportivas no Rio de Janeiro. Isso poderia diminuir os custos,
sobretudo com pessoal – o e-sport em alto rendimento conta com profissionais
como nutricionistas, psicólogos e educadores físicos, atividades comuns a
outros esportes. Porém, uma estrutura na capital carioca traria uma barreira
importante que veremos a seguir.
CENÁRIO PAUTADO EM SÃO PAULO
O
cenário competitivo do League of Legends nacional é composto por duas divisões
atualmente: o Circuito Desafiante (espécie de Série B) e o CBLoL (elite). Em um
caminho normal, o clube teria que pleitear uma vaga no Circuito Desafiante, que
tem a fase regular disputada em formato não presencial. Há também a
possibilidade de compra de uma das franquias que possuem vaga garantida no
CBLoL.
Entretanto,
no caso de acesso para a principal divisão do LoL, a barreira física aparece
como um novo desafio. Os jogos do CBLoL são disputados todos os fins de semana
em São Paulo, nos estúdios da Riot Games. Todas as oito equipes que disputam a
elite da competição são baseadas na cidade de São Paulo. Montar estrutura no
Rio de Janeiro forçaria viagens semanais para a capital paulista – e aumentaria
os custos.
– O
time é próprio. Não é o uso do nome do Flamengo por um time já existente, o que
não impede que a gente faça parcerias no futuro. A nossa estrutura conta com
profissionais que já conhecem bastante o marketing esportivo, que nos dá uma
alavanca para trazer patrocinadores atuais e futuros. O mais legal disso tudo é
que conseguimos juntar profissionais fantásticos, para que a gente tenha
cabeças diferentes, ideias diferentes, trabalhando num mesmo objetivo, que é
fazer o Flamengo forte em esportes eletrônicos – afirmou Orlean.
PES AINDA EM DESENVOLVIMENTO
O
Flamengo mantém contrato de exclusividade com a Konami para utilização da marca
no Pro Evolution Soccer, um dos maiores simuladores de futebol do mundo. Por
conta disso, o clube também estuda entrada no competitivo do game. Forte no
cenário competitivo mundial, o PES League, principal torneio do game,
distribuiu premiação superior a R$ 1 milhão neste ano. A competição também é o
evento oficial de e-sport da Liga dos Campeões da Europa. No Brasil, o
principal campeonato é o e-Brasileirão, organizado pela CBF.
Apesar
disso, o Brasil não possui ainda profissionais com dedicação exclusiva para o
PES, diferente do que já acontece no LoL. Por outro lado, o país é uma potência
no game. O atual campeão mundial é o paulista Guilherme “GuiFera”
Fonseca, de 18 anos. Ele foi campeão do e-Brasileirão pelo Santos no ano
passado, mas não possui contrato com nenhuma organização.
CORRESPONDER À EXPECTATIVA
Quando
um clube de esporte tradicional decide investir nos e-sports, os fãs do esporte
eletrônico e os torcedores daquele time ficam na expectativa para saber como
que o projeto vai caminhar ao longo dos meses. Quando se trata de Flamengo, um
dos clubes de maior torcida do país, eleve isso à máxima potência.
Exemplo
recente, nesse sentido, é o do Paris Saint-Germain. Em outubro do ano passado,
o clube francês anunciou a contratação de jogadores de Fifa e a formação de uma
equipe de League of Legends. No simulador de futebol, o PSG até que vai bem, já
que terá um representante no Mundial da modalidade (o brasileiro Rafael
“Rafifa” Fortes”), mas o time de LoL desanimou a comunidade por
não ter grandes jogadores no elenco e ainda não conseguiu chegar à primeira
divisão da região da Europa.

COMENTÁRIOS: