Para Capelo, grande time faz Flamengo cobrar mais pelo ingresso

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Torcida do Flamengo pedindo ingressos mais baratos na Ilha do Urubu – Foto: Gilvan de Souza

SPORTV:
A discussão sobre a medida tomada em março pelo prefeito de Belo Horizonte,
Alexandre Kalil, ao vetar em março projeto de lei que determinava que 30% dos
ingressos de qualquer evento esportivo fossem vendidos a preços populares, vem
causando polêmica. No “Redação SporTV” desta sexta, Kalil,
ex-presidente do Atlético-MG, voltou a afirmar que o preço das entradas no
estádios da cidade (Mineirão e Independência, principalmente, onde jogam Galo,
Cruzeiro e América-MG) já são acessíveis. 

O
apresentador André Rizek e os comentaristas PC Vasconcellos e Sérgio Xavier
Filho divergiram da opinião de Kalil e ouviram também o jornalista Rodrigo
Capelo, da revista “Época”, acostumado a se debruçar aos números no
futebol no seu dia a dia. Segundo Capelo, os argumentos de Kalil de que os
ingressos no Brasil todo já são baratíssimos – “O futebol não é para quem
não tem dinheiro”, também afirmou – não estão de acordo com a atual
realidade brasileira.
– Se o
Kalil estivesse na Inglaterra, estaria tudo certo. A realidade que ele
comenta… Na Inglaterra, os estádios estão mais de 90% tomados a temporada
inteira. O que acontece? O ingresso sobe o preço, e realmente tem uma
elitização. A camada mais pobre da população está alijada do estádio. Mas por
uma questão mercadológica: o estádio está cheio. Não é assim no Brasil. Aqui a
média de ocupação é de 40 por cento, 30 por cento. Não faz sentido debater
elevar muito o preço do ingresso quando a maior parte do estádio está vazia.
Essa parte vazia do estádio tinha que ser ocupada, sim, pela camada mais pobre
da população. O raciocínio do Kalil não está errado. O que está errada é a
realidade que ele está debatendo.
Capelo
fez questão de enfatizar que nem na Europa inteira se aplica o exemplo citado
por Kalil de elitização dos preços dos ingressos. Na verdade, só na Inglaterra.
Ainda lembrou que no país detentor do último título mundial a situação é bem
diferente.
– O Kalil
estrá falando da Inglaterra. Ele mencionou o mundo inteiro, a Europa inteira…
Os alemães têm uma filosofia diferente. Clubes como o Bayern e o Borussia, que
poderiam cobrar mais caro, têm ingressos mais baratos sim, uma filosofia
diferente da inglesa. O Kalil tem um raciocínio correto para a Inglaterra. E a
gente tem que também dimensionar o preço do ingresso aí: a segurança e a
qualidade do espetáculo são mais importantes que o ingresso. Enquanto nós
tivermos estádios com briga, com morte, isso vai afastar o torcedor mesmo que o
ingresso seja a R$ 5.
 Rizek mostrou alguns dados de ocupação nos
estádios brasileiros. Na Libertadores, por exemplo, torneio mais importante e
badalado, com a média de ingresso a R$ 50, a ocupação dos estádios é de 64%. No
Brasileirão, com média da entrada a R$ 28, cai para 40%; Copa do Brasil, a R$
30, 30%; e Sul-Americana, a R$ 28, também a 30%.

Quanto não custa uma cadeira vazia? De cada 10, seis estão vazias no
Brasileiro, por exemplo. Na Copa do Brasil e Sul-Americana, de cada 10 lugares,
sete estão vazios – afirmou Rizek.
O
comentarista PC Vasconcellos aponta, tal como Capelo, outros entraves para a
elitização do preço dos ingressos .
– A
classe alta não está indo a estádio por uma série de motivos. Os estádios
brasileiros não oferecem conforto e segurança. Outra coisa que não se pode
ignorar é que o Brasil, no momento, tem 12 milhões de desempregados. A imagem
que o futebol tem hoje de chegar e sair dos estádios é uma imagem de violência.
Não é uma imagem de tranquilidade. Basta voltar duas semanas no tempo para ver
o que aconteceu em São Januário, no final de jogo e pós-jogo entre Vasco e
Flamengo.
Rodrigo
Capelo lembra que o preço dos ingressos no futebol brasileiro começou a subir
mais depois da disputa da Copa de 2014 no Brasil, principalmente pelo fato de
terem sido feitos altos investimentos na construção de estádios mais modernos.
O jornalista vê também, no momento, três clubes brasileiros com preços de
ingressos na média considerados altos.
– Logo
depois da Copa do Mundo de 2014, o preço do ingresso teve um aumento
considerável porque as arenas eram novas e as operadoras estavam tentando
fechar a conta.  A realidade hoje é que
pouquíssimos clubes têm um tíquete médio tão alto assim. Palmeiras, Flamengo e
Corinthians têm preços mais caros sim. Os outros clubes não têm ingressos tão
caros. Ingresso na faixa de R$ 20 a R$ 30 não é um ingresso caro. O que impacta
basicamente o preço do ingresso? A qualidade do espetáculo e a quantidade de
lugares dentro do estádio. Um clube como o Flamengo, que tem uma qualidade de
espetáculo muito alta, um time de grande investimento, que tem grande
expectativa, mas tem um estádio pequeno (Arena da Ilha), naturalmente o preço
do ingresso vai aumentar.
O
jornalista citou também dois grandes clubes na linha inversa de Palmeiras,
Flamengo e Corinthians.
– É
diferente do caso do Cruzeiro e do São Paulo, por exemplo, que têm
arquibancadas muito grandes, muito espaço no estádio, mas têm uma qualidade de
espetáculo mais baixa.

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