Tostão exalta entrosamento de Diego e Éverton Ribeiro no Flamengo

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Diego e Éverton Ribeiro, no Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

FOLHA
DE SÃO PAULO
: Por Tostão

Com
exceções do Corinthians, de quem se esperava, no início da competição, estar
hoje entre os primeiros, em vez de disparado na frente, e do São Paulo, de quem
era previsto estar hoje no meio da tabela, e não no penúltimo lugar, as outras
equipes estão próximas ou no caminho de onde deveriam ficar. O perigo é o
Corinthians se distanciar ainda mais. Aí, acaba o campeonato. Vira cinzas.
Em um
campeonato tão longo, o mais importante são o tamanho e a qualidade do elenco e
o talento dos principais jogadores, seguidos pela competência dos técnicos.
Esses são importantes, mas não fazem mágicas, embora muitos achem que sejam
milagreiros, capazes de ganhar um jogo por uma mudança tática, uma
substituição. De vez em quando, isso ocorre.
O
Corinthians tem um conjunto melhor que o do Palmeiras, mas corre muitos riscos
de perder a invencibilidade de 26 partidas por causa, principalmente, dos 31
jogos sem perder do Palmeiras em seu estádio. Individualmente, o elenco do Palmeiras
é maior e com mais opções, mas a equipe titular do Corinthians é do mesmo
nível. O time do Palmeiras foi supervalorizado e o do Corinthians, subestimado.
No ano
passado, quando foi campeão, até a marcação individual do Palmeiras, abandonada
há muito tempo em todo o mundo, era bastante elogiada. Agora, como o time tem
sofrido muitos gols, os fãs de Cuca colocam a culpa nos jogadores, que não
estariam acostumados a essa marcação. Cuca é muito bom treinador, por outros
méritos, como a inquietação por buscar soluções diferentes.
O
Santos começou a jogar bem e a vencer, com Levir Culpi, que volta hoje ao
Independência, onde conhece bem o Galo Doido, agora mais sereno e irregular.
Jogo seguro não é garantia de regularidade. Roger tem tido dificuldades para
escalar juntos Robinho e Cazares, pois os dois gostam de atuar livres, pelo
meio e próximos a Fred. Um tem de marcar pela esquerda. Robinho tem tido essa
função, sem executá-la bem.
O
Sport, dirigido por Luxemburgo, que joga nesta quarta contra a Chapecoense,
evoluiu e já está em sexto lugar. O time atuou muito bem contra o Coritiba, sem
Diego Souza e o experiente zagueiro Durval e com o lateral Mena de meia, pela
esquerda. Luxemburgo, após a derrota para o Vitória, em casa, corrigiu a
principal deficiência coletiva, a de deixar enormes espaços entre os zagueiros
e o meio-campo.
Na
quinta, o Flamengo, encantado com o alçapão da Ilha do Urubu, disputa com o
Grêmio a vice-liderança. A maior deficiência do Flamengo não era Márcio Araújo.
Era jogar com dois pontas abertos, um centroavante, dois volantes, os zagueiros
colados à grande área e um enorme espaço no meio, para só um jogador, Diego.
Havia pouca aproximação, pouca troca de passe, pouca infiltração e o time se
limitava a cruzar bola na área para Guerrero.
Com o
habilidoso e criativo Éverton Ribeiro, o time tende a evoluir bastante. Ele
volta para marcar pela direita e, a partir daí, se movimenta por todo o ataque.
Será o elo que faltava, além de ajudar Diego na armação das jogadas.
Diego
é mais técnico, e Éverton Ribeiro mais habilidoso. Têm tudo para se completar e
se entrosar. Essas ótimas parcerias costumam se dar de repente, sem treino, sem
pensar, pelo olhar, pelos movimentos do corpo, um encanto à primeira vista.

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