Treinadores cariocas sobrevivem à dança das cadeiras do Brasileiro

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Abel Braga e Zé Ricardo – Foto: Divulgação

O
GLOBO
: Em meio ao tradicional troca-troca desenfreado de técnicos, os clubes do
Rio de Janeiro parecem nadar na contramão. Enquanto nada menos que quatro
treinadores perderam o emprego após a 15ª rodada do Campeonato Brasileiro, pela
primeira vez desde que a competição passou a contar com 20 clubes na era dos
pontos corridos, a partir de 2006, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco
chegam à 16ª rodada sem trocar de técnico.

Nestas
12 temporadas, o Fluminense foi o recordista de mudanças, com 36 trocas de
comando – incluindo as entradas e saídas de interinos. O Flamengo mexeu 29
vezes, seguido por Vasco, com 27, e Botafogo, com 22 trocas. Agora Abel Braga,
Zé Ricardo, Milton Mendes e Jair Ventura – mesmo convivendo com pressões e
cobranças -, conseguem saborear uma rara estabilidade no futebol brasileiro.

Amigos me ligaram para falar sobre o Atlético-MG, e ligaram já sabendo da minha
posição. Tenho contrato com o Fluminense. Talvez digam que eu sempre tenho
mercado por causa dessa conduta. Eu como treinador lamento mais uma demissão no
meio do campeonato – disse Abel Braga, que estava cotado para assumir o clube
mineiro.
Enquanto
isso, a dança das cadeiras segue em ritmo acelerado no Brasileiro. Até o
momento, 13 técnicos já deixaram o cargo em 15 rodadas. Dez foram demitidos,
enquanto Guto Ferreira decidiu trocar o Bahia pelo Internacional, na Série B, e
Paulo Autuori e Petkovic viraram diretores de futebol no Atlético-PR e Vitória,
respectivamente. Contando-se com os interinos, 33 treinadores já comandaram ao
menos uma partida na competição.
Entre
o fim da noite de quarta-feira e a tarde de sexta, Coritiba, Atlético-MG,
Vitória e Atlético-GO resolveram, para usar termos consagrados pelos cartolas,
‘apostar em um fato novo’ e dar uma ‘sacudida no ambiente’. Pior para
Pachequinho, Roger Machado, Alexandre Gallo e Doriva, respectivamente, que
engrossam a lista de treinadores em busca de emprego.
Além
dos quatro cariocas, apenas outros seis clubes seguem com o mesmo técnico desde
a primeira rodada. Ou seja, metade dos participantes do Brasileiro já trocou o
comando antes mesmo do fim do primeiro turno. A média até o momento é de um
técnico caindo a cada 1,15 rodada, superior a do ano passado, que foi de 1,18,
com 32 demissões nas 38 rodadas. Atlético-GO, Atlético-PR e Vitória vão já para
seu terceiro treinador na competição.
Enquantos
uns lamentam, outros comemoram uma nova oportunidade. O Atlético-MG anunciou
Rogério Micale, medalha de ouro com a seleção brasileira no Rio-2016, enquanto
o Coritiba contratou Marcelo Oliveira, que estava desempregado desde que foi
demitido do Atlético-MG em novembro do ano passado.

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