Uma vitória para negar as aparências e disfarçar as evidências

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Berrio comemorando gol pelo Flamengo com o uniforme amarelo – Foto: Buda Mendes/Getty Images

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

Futebol
é resultado, claro. Não existe um grupo de jurados que avalia quem fez as
jogadas mais bonitas, não há um voto popular que premia quem deu os dribles
mais sagazes, não é uma gincana de colégio em que vale ponto ter a torcida mais
animada e juntar alimento não perecível é critério de desempate. No futebol o
que importa é fazer mais gols e não faz absolutamente diferença nenhuma a
maneira como eles forem feitos, o grau de merecimento ou dificuldade, se um
time não fez nenhum mas chutou 56 lindas bolas na trave enquanto o outro nem
passou do meio de campo mas se beneficiou de uma falha tectônica que levou o
campo a desmoronar e começar a jorrar lava na pequena área mas antes que o
árbitro apitasse a bola rolou até o gol adversário e entrou. Vence quem fez o
gol, o que importa são os 3 pontos, futebol é resultado, como eu disse.
Mas
exatamente por isso, por medir apenas o destino e não a jornada até ele, o
resultado muitas vezes não é um indicativo correto de como foi a partida, de
como atuou o time, da direção que aquela equipe está tomando. E a vitória do
Flamengo sobre o Coritiba nesse sábado, que rendeu os mesmos 3 pontos que uma
goleada segura mesmo tendo sido resolvida apenas com um gol de pênalti aos 46
do segundo tempo, é um ótimo exemplo disso.
Afinal,
o placar sinaliza apenas uma vitória mas não demonstra o quão complicado vem
sendo lidar com um time que intercala picos de extrema eficiência ofensiva com
vales de total e completa indigência defensiva, sendo capaz de na mesma partida
fazer um gol antes que o adversário perceba que o jogo começou mas também tomar
um gol antes mesmo que todos os torcedores tenham voltado do banheiro no
intervalo – gol esse fruto de nova falha de cobertura da defesa, comprovando
uma tese ventilada no Twitter de que fosse o Flamengo um time de jogo de
videogame seria vencido por qualquer jogador que soubesse usar o botão
“triângulo”.
O
placar também não demonstra como o Flamengo, mais uma vez colocado diante de
uma equipe que parecia mais interessada em defender do que atacar, novamente
recorreu aos incessantes cruzamentos na área adversária para tentar encontrar o
gol, postura essa que aliada ao custo altíssimo da nossa equipe, possivelmente
transforma a Gávea na fábrica de chuveirinhos com um dos piores custo-benefício
do Brasil hoje, sendo talvez o caso de não mandar o Zé Ricardo fazer cursos na
Europa mas sim na sede da Lorenzetti.
A
verdade é que apesar da vitória, apesar de atenuantes como time misto e mais
uma péssima atuação da arbitragem – que parece ter decidido acabar com qualquer
margem para piadinhas sobre o apito beneficiar o Flamengo – a equipe novamente
não fez jus ao que se espera. Venceu? Venceu, realmente. Mas venceu de uma
maneira que deixa claro que os problemas seguem lá, as falhas continuam, e esse
time que a essa altura já deveria ter evoluído muito no coletivo continua
decidindo as partidas apenas através do talento individual, talento esse que
quando não se sobressai deixa o time num total marasmo de ideias e conceitos.

Quarta
contra o Santos mais uma vez é hora de torcer. Mas não apenas pelo placar, que
é essencial, mas também por um futebol melhor, por uma evolução na equipe, por
uma postura que faça jus ao time vencedor que esperamos ter montado. Afinal, o
resultado nem sempre corresponde ao futebol, mas quando você joga um futebol
que faz jus ao resultado ele costuma chegar com muito mais facilidade.

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