Zé Ricardo pode entregar muito ao Flamengo ainda

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Zé Ricardo, técnico do Flamengo, e Renê – Foto: Pedro Vilela/Getty Image

DOIS
PONTOS
: Por Eduardo Perdigão


Ricardo é um dos novos nomes do futebol brasileiro. Até 2016 era apenas o
técnico de base do Flamengo, apesar de já ter um título da cobiçada Copa São
Paulo, em 2016.
Assumiu
o time principal após uma passagem rápida e sem grandes resultados de Muricy
Ramalho pelo Flamengo. Sua saída por motivos de saúde elevou Zé Ricardo ao
lugar mais cobiçado. O time poderia ter puxado outro para cima, mas, com
histórico da mesma diretoria com Jayme de Almeida, não faria muito sentido. Na
ausência de um nome forte no mercado, Zé Ricardo foi ficando, foi ficando, até
que ficou.
De lá
para cá, foi terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de 2016 (depois de cansar
na reta final. Nunca saberemos se por limitação do elenco, do técnico, do
cansaço de tantas viagens ou se uma combinação disso tudo) e campeão carioca de
2017 (invicto). De lá para cá, perdeu muito pouco, venceu várias, empatou
também outras tantas, mas, diante do investimento feito pela diretoria do
Flamengo, a torcida quer que todo título seja do Flamengo. E não será!

Ricardo é um técnico novo, estudioso e que tem muito para crescer ainda. Talvez
não esteja preparado para ter tantas joias em suas mãos e fazer o time brilhar como
a torcida espera. Talvez seja teimoso em suas convicções. Mas tem muito para
mostrar ainda.
Tirando
a precoce eliminação da Libertadores de 2017 (com 3 vitórias em casa e 3
derrotas fora), Zé Ricardo está entregando bons resultados: 4º lugar no
Campeonato Brasileiro (vindo de uma derrota para o vice-líder, empate com o
Cruzeiro fora de casa e com o Palmeiras em casa), oscilando de fato, mas
brigando pela parte de cima da tabela (tirando o Corinthians que é o ponto fora
da curva, está 4 pontos atrás do vice-líder). Está nas quartas de final da Copa
do Brasil, tendo vencido o Santos por 2 x 0 no jogo de ida. Na Sul-Americana
ganhou de 5 x 2 o primeiro jogo contra o Palestino, fora de casa. Obrigação,
sim, mas concluída com diversos reservas. Ainda na risível Primeira Liga (que
foi um dia a esperança do futebol nacional) está nas quartas de final também.
Calma,
torcida. O time não está jogando tudo que queremos, fato. Tem peças para jogar
muito mais. Mas não vai ganhar tudo. Fora do curva neste momento é o
Corinthians e não sabemos o que o segundo semestre reserva a todos. Ainda
existem títulos que podem chegar este ano, sendo o Brasileiro o mais difícil
deles.

Ricardo pode entregar muito ainda. Tem muito a aprender. Talvez tenha de deixar
algumas convicções de lado, mas tem muitas virtudes. Não tem crise ainda. E
pensem bem: se ele sair, você prefere Roger (que tirando uma boa fase no
Grêmio, não entregou muito), Celso Roth (Flamengo não é Grêmio, nem Inter),
Rogério Ceni (Flamengo não é São Paulo e, se fosse, nosso técnico seria o Zico)
no Flamengo? Muito se fala de Reinaldo Rueda, que deixou o Atlético Nacional em
junho, mas trazer um técnico estrangeiro é outra gigante incógnita que habita o
futebol brasileiro.
Então
se segura, torcedor rubro-negro! Zé Ricardo fica. Bandeira de Mello mandou
avisar. Temos a melhor gestão financeira e administrativa de muitos anos e uma
diretoria de futebol profissional e competente. A gente ainda chega lá. É uma
questão de ter paciência e acreditar que os títulos que o rubro-negro tanto
espera logo virão, ratificando a considerável reestruturação do clube promovida
nos últimos anos.

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