André Fufucaassistiu até jogo do Flamengo com Eduardo Cunha

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Eduardo Cunha e André Fufuca em jogo do Flamengo – Foto: Jorge William/O Globo

O
GLOBO
: O “Menudo” do Maranhão chegou lá. Alçado ao posto de
presidente da Câmara pelos próximos oito dias devido à viagem à China do
presidente Michel Temer e do primeiro vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho
(PMDB-MG), André Fufuca (PP-MA) ganhou o cargo de segundo vice-presidente da
Câmara depois de vencer duas disputas: uma dentro do próprio partido e outra em
plenário, quando derrotou o correligionário Dudu da Fonte (PE). E, claro, sua
projeção na Casa se deve também ao “padrinho” Eduardo Cunha.

Enquanto
assume o lugar de Rodrigo Maia (DEM-RJ), que substituirá Temer no Planalto,
Fufuca, com apenas 28 anos, terá que dar conta de conduzir três votações tão
polêmicas quanto importantes: Refis,a nova taxa de juros do BNDES( TLP) e duas
Propostas de Emenda à Constituição (PECs) da reforma política. Colegas do
deputado não estão nada confiantes de que ele terá êxito na missão.
– O
ideal é que fosse o Rodrigo (Maia) – pontuou o presidente da Comissão de
Constituição e Justiça, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG).
– Se o
Rodrigo (Maia), que conseguiu fazer uma grande coalizão, não conseguiu concluir
a votação da reforma, imagina o Fufuca – concordou Júlio Delgado (PSB-MG).
Eleito
para o primeiro mandato de deputado federal em 2014, Fufuca respirava política
na família desde pequeno. O pai, Fufuca Dantas, é o atual prefeito de Alto
Alegre do Pindaré. Foi do pai, cujo nome de batismo é Francisco, que o deputado
herdou o apelido. No Maranhão este é um apelido comum para Francisco.
Fufuca
filho militou no movimento estudantil e, ainda como aluno do 6º ano de Medicina
em São Luis, disputou e foi eleito para o primeiro mandato de deputado estadual,
pelo PSDB. Assumiu como o deputado estadual mais novo do país com 21 anos.
Depois passou pelo PEN e em seguida se filiou ao PP, um dos principais partidos
do centrão.
PELAS MÃOS DE CUNHA
Quando
foi eleito deputado estadual, integrou um grupo de jovens deputados apelidado
de “Menudos”. Ele era o Menudo mais novo. Como não tem um grupo forte
que servisse de guarda-chuva no Maranhão, assim que chegou à Câmara procurou o
apadrinhamento do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, com quem manteve uma
relação bastante próxima. No início do ano, chegou ao cobiçado posto de segundo
vice-presidente, mesmo sendo novato, pelas mãos do padrinho.
Já com
Cunha fora da Câmara, ele se beneficiou de um acordo entre vários partidos pela
reeleição de Maia à presidência. Por esse arranjo, o PMDB ficou com a primeira
vice-presidência e o PP teria o direito do terceiro cargo mais importante da
Mesa Diretora. Apesar de novo, no meio político é visto como um parlamentar
estudioso e aplicado.
– É um
político agregador, transita bem entre os diferentes partidos. Foi por isso que
conseguiu se eleger para um cargo na Mesa em seu terceiro ano de mandato –
elogia Efraim Filho, líder do DEM na Câmara.
A
intimidade com Cunha, no entanto, o fez protagonizar um momento de embaraço
diante dos colegas. Durante um acalorado debate sobre a cassação de Cunha no
Conselho de Ética, no ano passado, Júlio Delgado tornou público o apelido pelo
qual Fufuca chamaria Cunha: “Papi”, provocando uma reação furiosa do
colega. Chamando Delgado de “moleque”, Fufuca respondeu:
– Não
queira macular minha imagem pela minha juventude. Vossa Excelência é o exemplo
de que até os canalhas envelhecem. Nesta Casa ninguém me viu usar de ato de
bajulice, até porque venho de um estado em que usar esse termo “papi”
é até afeminado – reagiu indignado o deputado maranhense.
O fato
é que ele deu um jeito de não votar no dia em que a cassação de Cunha foi
votada no plenário da Câmara. Não bastassem as espinhosas votações que terá de
presidir, uma segunda denúncia do procurador geral da República, Rodrigo Janot,
contra Temer pode aterrissar na Câmara justamente durante a interinidade de
Fufuca. Caso isso aconteça, ele promete não repetir a polêmica atuação do
conterrâneo Waldir Maranhão (PT do B), que na presidência, chegou a anular por
algumas horas o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Espero não ser instrumento de instabilidade nem para o Congresso nem para a
nação. A gente precisa de estabilidade nesse momento. Se a segunda denúncia
vier enquanto estiver na presidência da Câmara, vou seguir o regimento, sem
causar qualquer tipo de embaraço – disse ao GLOBO.
Sobre
os que desconfiam de seu desempenho na presidência da Casa por ter só 28 anos,
pede:

Tenham paciência e me julguem ao final do nono dia, não pela minha idade, mas
pelo meu trabalho. Já presidi sessões em outras vezes e sempre tive um
relacionamento cordial com todos, sempre me trataram com respeito, nunca
encontrei má vontade contra minha pessoa na presidência. Diálogo é sempre a
melhor saída.
Dono
de bochechas rosadas e fartos cabelos pretos, estilizados com uma franja,
Fufuca superou a alcunha de “Menudo”, mas na Câmara Federal também é
alvo de brincadeiras de colegas.
– Essa
bochecha dele com o cabelo de índio chamam a atenção. Vira e mexe alguém manda
um meme no grupo – zomba Efraim.

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