Assistente de Rueda, Redin revela que quase jogou no Flamengo

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Reinaldo Rueda, Bernardo Redin e Mozer no Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

GLOBO
ESPORTE
: Sempre ao lado de Reinaldo Rueda, Bernardo Redín Valverde, de 54 anos,
parece um aluno compenetrado do experiente treinador do Flamengo. A relação é
de admiração e contribuição mútua. Para Redín, ex-jogador da seleção
colombiana, Rueda é uma referência em seu país, como era Francisco
“Pacho” Maturana, seu comandante na Copa do Mundo de 1990 na Itália.

– Para
mim, Reinaldo Rueda é o melhor técnico da Colômbia – diz Redín, direto.
Com a
camisa verde do Deportivo Cali, Redín começou a carreira no time aos 18 anos,
com desafio imenso de enfrentar o Flamengo na Libertadores de 1981. Perdeu de 3
a 0 no Maracanã para aquela equipe que seria campeã do mundo com Zico, Leandro,
Mozer e cia.
A
imagem dos craques brasileiros e do Maracanã cheio nunca saiu de sua cabeça.
Aquele time do Flamengo de 1981 e a Seleção de 1982 são suas melhores
recordações do futebol brasileiro.
Em
entrevista ao Globo Esporte e também ao GloboEsporte.com, o auxiliar técnico do
Flamengo lembrou um pouco da carreira, da parceria com Valderrama dentro de
campo, com Rueda fora de “la cancha” e comentou pela primeira vez o
assunto que entrou em pauta no futebol brasileiro mais uma vez: a entrada e a
influência de treinadores estrangeiros no país.
Confira
abaixo o bate-papo com Bernardo Redín.
Chegada ao Flamengo
É uma
honra e um desafio muito grande trabalhar num dos maiores clubes do Brasil.
Tenho muita expectativa de que tudo saía muito bem por aqui. Tínhamos outras
ofertas, mas a verdade é que quando se tem uma chance dessa não se pensa muito.
Se pensa mais nas possibilidades que existem de seguir fazendo coisas grandes.
Só conseguindo coisas grandes se permanece num clube desse tamanho.
Desafio de estrangeiros no Brasil
Primeiro
temos que trabalhar a consciência. Tirar o que tem de melhor dos jogadores.
Vamos apoiá-los, com ótimo material que temos aqui e começar a ganhar. Quem
sabe estamos a 180 minutos de conseguir algo importante aqui. Quem sabe Deus
nos dê esse presente, tenha deixado guardado isso para a gente ir cimentando
nossa trajetória aqui.
A dupla com Valderrama
Eu e
Carlos Valderrama somos muito bons amigos. Excelente amigos dentro e fora do
campo. De 1985 a 1991 jogamos juntos no Deportivo Cali e em seleções de
Colômbia. É um jogador de muito bom “pie” (técnica), jogava muito
bem. E juntos nos completávamos.
Carlos
era mais pensante e estático, eu tinha muito mais mobilidade. Também fazíamos
muitas tabelas ou “paredes” como se diz em Colômbia. E eu chegava
mais ao gol. Carlos não.
A parceria com Rueda
Conheço
Reinaldo desde 1981. Quando cheguei em Cali com 18 anos ele já trabalhava na
base do Deportivo. Somos bons amigos também. O admiro desde sempre, acompanhei
sua carreira toda. Ele é uma pessoa muito estudiosa, muito respeitosa, muito
comprometida com o futebol, é inquieto, um excelente técnico, o
“mister”. Para mim é o melhor técnico da Colômbia.
Ele se
preparou muito bem fora do país e me chamou para trabalhar com ele. Estou muito
feliz de aprender com ele. Somar meu conhecimento tudo que ele conseguiu em sua
carreira esportiva. Estou muito feliz com ele.
Encerrar fama de estrangeiros “pé
frios”
Primeiro
temos que trabalhar a consciência. Tirar o que tem de melhor dos jogadores.
Vamos apoiá-los, com ótimo material que temos aqui e começar a ganhar. Quem
sabe estamos a 180 minutos de conseguir algo importante aqui. Quem sabe Deus
nos dê esse presente. É importante ir cimentando nossa trajetória aqui.
Entrada de técnicos estrangeiros
Na
Colômbia, estamos abertos a aprender de todos, de argentinos, de brasileiros,
de todos lugares do mundo. Todos os dias aprendemos com todos. Em Colômbia, não
há problema se vão chegar técnicos estrangeiros. (Nota da redação: o argentino
José Pekerman é o técnico da seleção colombiana.)
Enfrentar o Fla na Libertadores de 1981
Chego
em Cali em fevereiro de 1981. E me inscrevem na Libertadores. Eu era o mais
jovem do grupo, tinha 18 anos. Tínhamos uma partida importante em Cali, um
clássico local, então mandaram um grupo misto para o Rio. Eu vim. Íamos jogar,
primeiro, no Maracanã, depois contra o melhor time daquele momento, o Flamengo,
que era base da seleção brasileira. Uma recordação linda que ainda guardo. São
coisas que a gente nunca esquece.
A transferência frustrada
Em
1987, tinha ido muito bem no pré-olímpico na Bolívia, depois na Copa América da
Argentina, que a Colômbia ficou em 3º lugar. Houve oferta de jogar no Flamengo
e também outra do Independiente de Avellaneda, mas o Cali não queria perder
seus jogadores. Na época não se podia fazer uma pressão para sair. Os clubes
eram donos dos direitos esportivos dos jogadores.
Mas
fiquei encantado. Seria lindo jogar no futebol brasileiro. Eu era um torcedor
da seleção. Só Deus sabe o que faz, que depois de tanto tempo eu esteja aqui.
Formação fora do campo
Temos
grandes referências no futebol colombiano. Francisco Maturana, Reinaldo Rueda,
são as grandes referências do nosso futebol. Eu me preparei na Universidad de
Cauca, fiz cursos, fui a seminários, sempre tive muitos contatos com
treinadores. No dia a dia estou me preparando para adquirir conhecimento e
crescer na carreira.

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